Por Nilton Junior, Fundador e CEO da ZoomHolding e fundador
A rápida expansão da inteligência artificial (IA) no mundo não está sendo limitada por falta de algoritmos ou casos de uso. Isso há de sobra. O que falta é infraestrutura. A capacidade energética e computacional necessária para sustentar workloads intensivos de IA tem redefinido o mapa global de investimentos em tecnologia. Nesse cenário, o Brasil surge como um potencial protagonista.
O principal fator para a expansão da infraestrutura de IA hoje é a disponibilidade de energia, pressão que tende a se intensificar nos próximos anos. Segundo a International Energy Agency, o consumo global de energia por data centers, criptomoedas e inteligência artificial deve crescer significativamente, impulsionado pela expansão de aplicações intensivas em processamento.
É neste ponto que o Brasil apresenta uma vantagem estrutural relevante. Com uma matriz energética volumosa e forte presença de fontes renováveis, o país atende a duas demandas críticas do setor: custo competitivo e sustentabilidade, posicionando-se de forma estratégica para atrair operações de grande escala.
Outro ponto importante é a concentração da maior demanda digital da América Latina, tanto em volume quanto em complexidade. Trata-se de um mercado interno sólido, com crescente maturidade e alta capacidade de absorção tecnológica. Somado a um ambiente geopolítico relativamente estável, esse conjunto fortalece o Brasil como hub estratégico de data centers na região.
Apesar das oportunidades, um dos principais desafios é a concentração de data centers na região Sudeste, especialmente em São Paulo, o que pode gerar riscos para resiliência e continuidade de negócios. Isso porque a nova era da IA exige arquiteturas distribuídas, com redundância geográfica efetiva. Neste contexto, regiões como o Nordeste tendem a ser destaque ao combinar disponibilidade energética, menor saturação de infraestrutura e proximidade com cabos submarinos internacionais, fatores estes essenciais para garantir conectividade de baixa latência em escala global.
Podemos dizer que, mais do que desenvolver modelos, a nova fase da IA será definida pela capacidade de sustentar essas aplicações com eficiência e viabilidade econômica. Esse movimento se reflete no avanço de soluções voltadas à infraestrutura de alta performance para data centers, incluindo tecnologias mais eficientes do ponto de vista energético, como o liquid cooling, que começa a ganhar espaço em ambientes de alta densidade computacional. A tendência também aparece em projetos concebidos com foco em sustentabilidade e eficiência operacional, especialmente fora dos grandes centros, indicando um movimento gradual de descentralização da infraestrutura.
Ao mesmo tempo, iniciativas de transferência tecnológica e fortalecimento da cadeia produtiva local tornam-se estratégicas para reduzir dependências externas. Esse movimento se reflete no avanço de projetos estruturantes no país, como o desenvolvimento de data centers verdes no Nordeste, além da ampliação da capacidade produtiva local em infraestrutura digital.
A expansão da produção nacional contribui para atender à crescente demanda e se conecta a uma agenda mais ampla de autonomia tecnológica. Para as empresas, no entanto, o desafio não está apenas na adoção da IA, mas na sua aplicação orientada a resultados, seja em geração de receita, eficiência operacional, redução de custos ou melhoria da experiência do cliente, sem perder de vista a viabilidade econômica.
O custo recorrente de infraestrutura em nuvem, por exemplo, pode comprometer o retorno dos projetos em escala. Por isso, o planejamento estratégico, incluindo simulações e decisões entre cloud, on-premise ou modelos híbridos tornam-se essenciais. Tenhamos em mente que a era de IA já é a nossa realidade consolidada, que vem transformando a economia brasileira. A disputa agora é a de quem conseguirá sustentar essa revolução e nisso o Brasil tem oportunidades de liderar, desde que invista no principal ponto: a infraestrutura.



