P&D de R$ 11 milhões cria tecnologia para restaurar pás eólicas e reduzir custos de O&M

Projeto inédito reconstrói a raiz de componentes estruturais, reduzindo custos de O&M e mitigando o passivo ambiental do descarte de compósitos.

A gestão de ativos na geração eólica nacional entrou em um novo ciclo de maturidade tecnológica e economia circular. Em uma iniciativa conjunta, a Echoenergia, braço de soluções renováveis do Grupo Equatorial, o EQT LAB (Instituto de Ciência e Tecnologia do conglomerado) e a ADComp estruturaram uma solução de engenharia capaz de restaurar pás eólicas que sofreram danos estruturais severos. O projeto mitiga um dos maiores gargalos operacionais e ambientais da fonte eólica: a necessidade de substituição precoce e o consequente descarte de componentes de grande porte feitos de materiais compósitos de difícil reciclagem.

A tecnologia consumiu mais de doze meses de pesquisa e desenvolvimento aplicados à engenharia de materiais. O foco central das empresas parceiras foi desenhar uma metodologia replicável que devolvesse a integridade mecânica original aos aerogeradores, estendendo o ciclo de vida útil dos ativos sem comprometer a eficiência aerodinâmica ou a segurança estrutural dos parques em operação.

Financiamento via P&D regulado impulsiona a sustentabilidade no grid

O desenvolvimento do projeto recebeu um aporte financeiro de R$ 11 milhões, viabilizado por meio do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), política pública gerida e regulamentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). No arranjo institucional e regulatório junto ao regulador, a pesquisa foi formalmente registrada e executada sob o código de identificação número PD-06072-0701/2023.

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O executivo de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) e de Eficiência Energética (PEE) do Grupo Equatorial, Júlio Mendes, pondera sobre o retorno socioambiental do investimento e o alinhamento da tecnologia com as diretrizes ESG das companhias de energia: “Além de proporcionar uma solução inovadora de baixo custo ao prolongar a vida útil das pás eólicas, o método desenvolvido contribui diretamente para a redução do impacto ambiental, evitando o descarte de toneladas de resíduos”.

Engenharia reversa reconstrói a raiz estrutural dos aerogeradores

O processo de intervenção técnica quebra o paradigma tradicional de substituição integral do componente, que costuma exigir complexas operações logísticas de transporte de cargas pesadas e vultosos investimentos de capital (Capex). Pela nova sistemática de Operação e Manutenção (O&M), a pá avariada é desinstalada da torre do aerogerador e transladada até um centro especializado de reparos avançados.

Nessa unidade industrial, equipes de engenharia e técnicos de alta performance aplicam conceitos de engenharia reversa e corte de precisão para remover a seção comprometida da raiz da estrutura. Na sequência, uma nova seção estrutural perfeitamente compatível é acoplada por meio de processos químicos e mecânicos de alta aderência. Após os ensaios de integridade e as etapas de acabamento de superfície, o componente é reencaminhado ao parque eólico de origem, restabelecendo a capacidade nominal de geração do ativo.

A busca por soluções disruptivas que elevem a eficiência e promovam a transição para uma operação de menor impacto ambiental é apontada pela liderança da geradora como um vetor de transformação para o mercado elétrico nacional.

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O diretor de Operações da Echoenergia, Leonardo Machado, posiciona o projeto frente à estratégia de crescimento da companhia: “A inovação está no nosso DNA e buscamos sempre transformar o mercado energético brasileiro. Além de otimizar custos e prolongar a vida útil dos aerogeradores, estamos dando um passo importante em direção a uma operação ainda mais sustentável”.

Com o amadurecimento dos primeiros complexos eólicos instalados no Brasil, que começam a demandar estratégias severas de repotenciação e extensão de vida útil, o surgimento de tecnologias nacionais de reparo estrutural se consolida como uma ferramenta chave. O domínio dessa rota tecnológica reduz a dependência de cadeias de suprimentos globais e dita o novo padrão de sustentabilidade para o gerenciamento de ativos de geração renovável no país.

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