Resiliência no Grid: Cemig investe R$ 243 milhões e atinge 90% dos municípios com dupla alimentação

Com 442 quilômetros de novas redes construídas, distribuidora reforça confiabilidade contra eventos climáticos severos e utiliza menor cidade do país como laboratório para microrredes e baterias.

A resiliência das redes de distribuição diante de eventos climáticos extremos tornou-se um dos temas mais críticos na agenda das utilities brasileiras. Em resposta a esse desafio, a Cemig (CMIG4) consolidou a implantação do sistema de dupla alimentação em 700 municípios de sua área de concessão. A iniciativa, que abrange cerca de 90% das cidades atendidas pela companhia em Minas Gerais, receberá R$ 243 milhões em investimentos consolidados no período entre 2023 e o final deste ano.

O aporte viabilizou a construção de 442 quilômetros de novas redes no sistema de distribuição do estado nos últimos três anos. A engenharia do projeto interliga as redes a dois circuitos independentes, permitindo o redirecionamento imediato do fluxo de energia em cenários de contingência ou intervenções programadas para manutenção. Na prática, a redundância física dos alimentadores mitiga o risco de interrupções prolongadas, reduzindo os indicadores de duração (DEC) e frequência (FEC) de desligamentos para milhões de consumidores mineiros.

Mitigação de riscos climáticos e robustez da infraestrutura

A estratégia de dupla alimentação vem se consolidando como um padrão técnico indispensável para as distribuidoras brasileiras. O avanço responde diretamente à maior severidade e frequência de tempestades, vendavais e quedas de árvores que desafiam o ativo de rede aérea tradicional, além de fazer frente ao crescimento contínuo da curva de carga no estado.

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O gerente de Planejamento da Expansão da Cemig Distribuição, Hernane Salvador Braga, detalha as premissas técnicas que norteiam o plano de modernização da malha de distribuição da concessionária: “Com duas fontes de suprimento para uma mesma localidade, conseguimos reduzir o impacto de ocorrências no sistema elétrico e restabelecer o fornecimento com mais rapidez. Esse tipo de investimento aumenta a confiabilidade do serviço prestado aos clientes e reforça a segurança energética nas cidades atendidas pela Cemig”.

Capex histórico e avanço da automação em 2026

O cronograma físico-financeiro para 2026 prevê a expansão da tecnologia de dupla alimentação para outros 19 municípios mineiros. Do montante total orçado para o programa, a Cemig destinará mais de R$ 150 milhões exclusivamente para as obras deste ano.

O plano de investimentos em confiabilidade está inserido no plano de negócios de longo prazo da companhia, que executa o maior ciclo de Capex de sua história, totalizando mais de R$ 59 bilhões previstos entre 2019 e 2029. Além da redundância de circuitos e da construção de novas subestações, o programa abrange a digitalização do grid por meio da instalação massiva de religadores automáticos e sistemas de operação remota acoplados aos Centros de Operação do Sistema (COS).

Sistemas de armazenamento e microrredes ditam o futuro do grid

Paralelamente à expansão da rede física convencional, a Cemig utiliza municípios estratégicos para testar tecnologias que devem ditar o futuro da distribuição de energia no Brasil. Em Serra da Saudade, o menor município do país em população tornou-se um ecossistema experimental de inovação. A localidade recebeu um projeto de R$ 7 milhões que integra geração solar fotovoltaica, sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), medição inteligente (AMI) e automação de redes.

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O arranjo tecnológico funciona de forma ilhada quando ocorrem falhas no tronco principal de suprimento. O banco de baterias associado à usina solar assegura a continuidade do fornecimento para toda a cidade por até 48 horas de forma autônoma.

A distribuidora confirmou que a experiência em Serra da Saudade servirá de referência para a expansão da tecnologia em Minas Gerais. A engenharia da Cemig já realizou o mapeamento de pelo menos dez novas localidades elegíveis para receber microrredes autônomas, que combinam automação e descentralização para elevar a segurança energética em pontos críticos do sistema de distribuição.

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