Projeções do PMO indicam estabilidade hídrica no período seco e crescimento de 5,6% na demanda de carga no Sistema Interligado Nacional; CMO atinge R$ 581,48/MWh no Norte.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou as projeções do Programa Mensal de Operação (PMO) para a semana operativa compreendida entre 15 e 21 de agosto. O relatório aponta que dois dos quatro subsistemas do Sistema Interligado Nacional (SIN) encerrarão o mês com níveis de Energia Armazenada (EAR) superiores a 80%. As estimativas refletem estabilidade operacional nos reservatórios das hidrelétricas brasileiras, mesmo diante do avanço do período seco.
O subsistema Sul apresenta a perspectiva hidrológica mais favorável, com previsão de alcançar 86,4% da EAR máxima armazenável no final do mês. A região Norte aparece na sequência, com estimativa de 84%. No Nordeste, a taxa de armazenamento projetada é de 74,6%, enquanto a principal caixa d’água do sistema elétrico nacional, o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, deve registrar 59,4% de sua capacidade útil.
Comportamento da ENA e garantia de suprimento
A Energia Natural Afluente (ENA) mantém uma trajetória de forte disparidade regional. No Sul, o volume de afluências esperado para o encerramento de agosto alcança 184% da Média de Longo Termo (MLT). No Sudeste/Centro-Oeste, a ENA projetada situa-se em 93% da MLT. Já os subsistemas Norte e Nordeste registram os menores índices do período, ambos com previsão de encerrar o mês em 63% da MLT.
Ao avaliar a evolução das variáveis hidrológicas durante o período seco, o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, ressaltou o alinhamento das condições de armazenamento com o planejamento operativo do operador: “Os níveis dos reservatórios encontram-se dentro do estimado para o período seco em curso. Monitoramos as condições em tempo real para definir as melhores estratégias operativas. O acompanhamento das últimas semanas mostra que os cenários energético e hidrológico estão estáveis e, dessa forma, podemos assegurar o uso dos recursos disponíveis e a manutenção da segurança e da confiabilidade do suprimento de energia no país.”
Expansão da carga e assimetria do Custo Marginal de Operação
Em paralelo à estabilidade dos reservatórios, o relatório prevê um aumento generalizado na demanda por energia do país em comparação com o mesmo mês do ano anterior. A carga do SIN deve expandir 5,6%, registrando uma média de 82.252 MWmed. O maior crescimento percentual está projetado para a região Norte, com alta de 9,3% (9.326 MWmed), seguida pelo Nordeste, com avanço de 8,1% (13.951 MWmed). Os subsistemas Sul e Sudeste/Centro-Oeste devem apresentar altas de 4,6% (13.727 MWmed) e 4,5% (45.247 MWmed), respectivamente.
A precificação operativa reflete restrições pontuais de escoamento e atendimento no subsistema Norte. O Custo Marginal de Operação (CMO) foi fixado em R$ 137,71/MWh nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste. Em contrapartida, no subsistema Norte, o indicador registrou forte descolamento, atingindo R$ 581,48/MWh.



