ONS aponta estabilidade nas EARs do SIN e ligeira alta de 0,4% na demanda de carga consolidada frente ao mesmo período do ano anterior.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) atualizou as projeções para as variáveis operacionais e hidrológicas do Sistema Interligado Nacional (SIN), trazendo um alívio pontual para o principal subsistema do país. O boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) para a semana operativa de 16 a 22 de maio indica melhora nas perspectivas para a Energia Natural Afluente (ENA) no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, em relação ao previsto na semana anterior: de 79% da Média de Longo Termo (MLT) para 83% da MLT, ao final de maio.
Nas demais regiões do país, os indicadores hidrológicos mostram um comportamento assimétrico. Na região Sul, a previsão para o período é de 87% da MLT; na Norte, 81% da MLT; e no Nordeste, 52% da MLT. O avanço no Sudeste e Centro-Oeste é estratégico, visto que a região responde pela maior capacidade de regularização plurianual de reservatórios do Brasil.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, detalha a dinâmica meteorológica recente que sustentou essa revisão positiva e reforça as premissas que guiam a gestão do operador: “A frente fria da última semana impactou de forma favorável as condições de afluências em algumas regiões do país. O Operador seguirá utilizando os recursos disponíveis no SIN, adotando as decisões operativas baseadas em segurança e economicidade para manter a garantia do pleno atendimento às demandas da sociedade”.
Comportamento da carga exibe desaceleração no Sul e avanço no Nordeste
Em termos de consumo de energia, o balanço de meados de maio sinaliza acomodação na demanda global, embora com assimetrias regionais marcantes provocadas pelas variações de temperatura. Os cenários prospectivos para a demanda de carga no Sistema Interligado Nacional (SIN) indicam avanço de 0,4% (79.024 MWmed).
A análise individualizada por submercado revela tendências distintas para o encerramento do mês:
- Nordeste: Estimativa de aumento de 2,6% na carga (13.521 MWmed);
- Norte: Avanço projetado em 1,9% (8.248 MWmed);
- Sudeste/Centro-Oeste: Expansão estimada em 1,1% (44.629 MWmed);
- Sul: Previsão de recuo significativo de 4,7% (12.627 MWmed).
Os números são comparações entre maio de 2026 com maio de 2025. O recuo expressivo na região Sul reflete a entrada de mais rigorosa da massa de ar frio, reduzindo significativamente o uso de sistemas de refrigeração ambiental que historicamente impulsionam a carga comercial e residencial.
Energia armazenada e equalização do Custo Marginal de Operação (CMO)
No que tange aos estoques de energia regulatória, os percentuais de Energia Armazenada (EAR) apontam os melhores resultados nos subsistemas Norte, com 97,8%, e Nordeste, com 93,1%. No Sudeste/Centro-Oeste, região que abriga 70% dos reservatórios do país, a previsão de EAR está em 66,6% e, no Sul, em 55,0%. Os níveis de armazenamento no Norte e Nordeste, próximos do limite máximo, conferem segurança operacional e permitem o escoamento estratégico de excedentes por meio das linhas de transmissão de corrente contínua.
Por fim, o equilíbrio hidrológico e a modulação do despacho térmico balizaram a formação de preços de curto prazo. O Custo Marginal de Operação (CMO) aparece com valores equalizados no Sul e no Sudeste/Centro-Oeste: R$ 180,86/MWh. No Norte, a estimativa é de CMO em R$ 289,25/MWh; e no subsistema Nordeste, R$ 179,22/MWh. A disparidade observada no submercado Norte atesta a presença de restrições de escoamento ou necessidade local de acionamento de geração específica para atendimento de ponta.



