Neoenergia projeta R$ 50 bilhões em distribuição e consolida Brasil como hub estratégico da Iberdrola

Com a renovação das concessões assegurada, companhia eleva aportes em 82% até 2030; plano foca em resiliência climática, modernização de ativos e expansão da força de trabalho técnica.

A Neoenergia, subsidiária do grupo espanhol Iberdrola, oficializou nesta sexta-feira um dos planos de investimento mais robustos da história do setor elétrico brasileiro. A companhia destinará R$ 50 bilhões às suas cinco distribuidoras até 2030, um incremento de 82% em comparação ao ciclo anterior. O anúncio coincide com a assinatura da renovação dos contratos de concessão de três de suas unidades por mais 30 anos, em cerimônia realizada com o governo federal, em Brasília.

O aporte bilionário visa preparar as redes para o desafio da transição energética e, sobretudo, aumentar a resiliência do sistema frente ao recrudescimento de eventos climáticos extremos. Com a segurança jurídica garantida pelos novos aditivos contratuais, a Neoenergia sinaliza ao mercado que o Brasil é hoje o principal destino de capital da Iberdrola entre os mercados emergentes.

Redes como espinha dorsal da descarbonização

A estratégia da companhia parte da premissa de que a eletrificação da economia é dependente de uma infraestrutura de rede capaz de absorver a descentralização da geração.

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Ao detalhar a visão da holding sobre o papel das concessionárias, o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, enfatizou a conexão entre infraestrutura e as novas tecnologias: “A infraestrutura de redes constitui o pilar central de qualquer processo de eletrificação; o país demanda investimentos robustos para integrar indústrias, data centers, plantas de hidrogênio verde e a mobilidade elétrica. Não há viabilidade para parques solares ou eólicos sem redes que garantam essa conexão. A eletrificação é um movimento irreversível e fundamental para a descarbonização.”

Do montante total, a Coelba (BA) receberá a maior fatia, com R$ 25 bilhões. A Celpe (PE) contará com R$ 10 bilhões, seguida pela Elektro (MS/SP) com R$ 8 bilhões, Cosern (RN) com R$ 4 bilhões e a Neoenergia Brasília com R$ 3 bilhões.

Resiliência climática e ampliação da equipe própria

Além da expansão física para alcançar novos clientes, o plano prioriza a digitalização e o reforço das redes existentes. O foco é mitigar as interrupções causadas por tempestades e ondas de calor, que têm testado os limites das distribuidoras em todo o país.

Para suportar esse crescimento operacional, a companhia anunciou o fortalecimento de seu capital humano. A Neoenergia prevê a contratação de 665 eletricistas entre 2026 e 2027, ampliando sua base de profissionais próprios para além dos atuais 7 mil colaboradores.

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Segundo Capelastegui, o volume de recursos reflete a confiança no ambiente regulatório nacional: “A celebração desses aditivos contratuais nos confere a previsibilidade necessária para assegurar este compromisso financeiro. Estamos anunciando o que será um volume recorde de investimentos para o segmento de distribuição, permitindo um salto tecnológico e operacional sem precedentes em nossas áreas de concessão.”

Aposta no Brasil e apetite por M&A

A concentração de esforços no mercado brasileiro ocorre após a saída estratégica da Iberdrola do México, reafirmando o Brasil como o porto seguro para o grupo europeu. De acordo com o comando da empresa, o país oferece uma segurança jurídica e regulatória que o diferencia de outros pares globais.

Embora o foco imediato seja a execução orgânica dos R$ 50 bilhões, a Neoenergia mantém o radar ligado para oportunidades de crescimento inorgânico. O mercado especula sobre possíveis consolidações no setor de distribuição, especialmente após a conclusão dos processos de renovação de outras utilities.

Questionado sobre a possibilidade de aquisições, Eduardo Capelastegui reiterou o rigor econômico da companhia: “O Brasil representa hoje a grande aposta da Iberdrola em mercados emergentes, ocupando uma posição de destaque no portfólio global do grupo. Manteremos nosso foco na execução do plano de R$ 50 bilhões, mas avaliaremos oportunidades de aquisição de forma oportuna e sob critérios econômicos rigorosos, caso ativos estratégicos venham a ser disponibilizados no mercado.”

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