Escolha da nova liderança reforça a estratégia de articulação institucional e busca por previsibilidade regulatória para destravar novos investimentos no setor
A Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) oficializou, nesta segunda-feira (4), a chegada de Josiani Napolitano à presidência da entidade. A movimentação ocorre em um cenário de amadurecimento acelerado do setor, marcado por uma demanda crescente por soluções que conciliem segurança energética e metas net-zero, consolidando o biogás como peça-chave na integração entre saneamento, agroindústria e indústria pesada.
Com um histórico consolidado na interface entre regulação e estratégia, Napolitano assume o comando da associação com a missão de elevar o patamar do diálogo institucional. Sua liderança é vista pelo mercado como um passo fundamental para consolidar o biogás e o biometano não apenas como alternativas sustentáveis, mas como ativos competitivos e escaláveis na matriz energética nacional.
A transversalidade como vetor de crescimento
O biogás vive um momento de visibilidade sem precedentes, impulsionado por sua característica única de “energia circular”. Ao converter passivos ambientais em ativos energéticos, o combustível tem atraído capital para projetos de larga escala, especialmente nos setores de transporte e saneamento.
A nova gestão da ABiogás deve focar na criação de condições favoráveis para que essa transversalidade se traduza em projetos concretos.
A presidente destacou as prioridades que nortearão sua atuação à frente da entidade: “Assumo a presidência da ABiogás com o compromisso de contribuir para que o biogás e o biometano avancem com escala, previsibilidade e segurança regulatória. O setor já demonstrou seu potencial técnico, econômico e ambiental. Agora, o desafio é ampliar o trabalho que já vem sendo desenvolvido pela instituição junto ao mercado e aos seus associados, transformando esse potencial em projetos concretos, com regras claras, articulação institucional e condições que estimulem novos investimentos.”
Desafios regulatórios e segurança jurídica
Apesar do potencial técnico, o setor ainda enfrenta gargalos para ganhar a escala necessária. A coordenação entre diferentes esferas do governo e a harmonização de regras estaduais e federais são pontos centrais na agenda da ABiogás para os próximos anos. A expectativa é que a experiência da nova presidente em relações institucionais auxilie na construção de um arcabouço normativo que dê conforto ao investidor.
Napolitano reforça que o sucesso dessa transição depende de uma visão sistêmica que conecte o aproveitamento de resíduos à competitividade econômica do Brasil: “O Brasil tem uma oportunidade concreta de transformar resíduos em energia, competitividade e desenvolvimento. Para isso, precisamos de uma atuação coordenada, que dê previsibilidade ao investidor, segurança ao mercado e clareza sobre o papel estratégico do biogás e do biometano na matriz energética brasileira.”
Com a mudança no comando, a ABiogás sinaliza ao mercado e ao governo que a próxima etapa de desenvolvimento do setor será pautada pela consolidação de políticas públicas robustas e pela viabilização de infraestrutura, garantindo que o crescimento ocorra em ritmo compatível com a abundância de biomassa disponível no país.



