Equity Group aposta em tecnologia nacional de baterias e mira protagonismo na corrida global por armazenamento de energia

Entrada da GreenPar na vertical de Green Economy da holding liderada por João Kepler reforça avanço brasileiro em soluções para armazenamento energético, setor considerado crítico para a expansão das renováveis e da mobilidade elétrica

A rápida expansão das fontes renováveis e da eletrificação industrial está transformando o armazenamento de energia em um dos ativos mais estratégicos da transição energética global. Nesse cenário, a Equity Group anunciou a entrada da GreenPar em sua vertical de Green Economy, ampliando a aposta da holding em tecnologias voltadas ao desenvolvimento de baterias para aplicações industriais e energéticas.

O movimento ocorre em um mercado que já ultrapassa 1,3 terawatt-hora em demanda global por sistemas de armazenamento, impulsionado principalmente pela expansão da energia solar, eólica e da mobilidade elétrica.

No Brasil, o avanço das renováveis intermitentes, que já representam cerca de 35% da capacidade instalada do Sistema Interligado Nacional (SIN), aumenta a necessidade de soluções capazes de equilibrar oferta e demanda, reduzir instabilidades e ampliar a segurança operacional da rede.

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Mais do que uma tendência tecnológica, o armazenamento passa a ocupar papel estrutural no planejamento energético global.

Tecnologia nacional busca espaço em cadeia dominada pelo exterior

Apesar da abundância de minerais estratégicos na América Latina, a região ainda possui participação limitada nas etapas industriais mais sofisticadas da cadeia de baterias. Historicamente, o Brasil concentrou sua atuação no fornecimento de matérias-primas, enquanto tecnologias de maior valor agregado permaneceram concentradas em mercados como China, Estados Unidos e Europa.

A movimentação da Equity Group sinaliza uma tentativa de ampliar a presença brasileira nesse segmento industrial.

Ao avaliar a importância estratégica do setor, Gabriel Lopes, sócio da Equity Group, destacou a mudança de posicionamento industrial ligada ao armazenamento: “O armazenamento de energia está se tornando uma infraestrutura central da nova matriz energética global. Quando empresas brasileiras passam a desenvolver tecnologia nesse campo, o país começa a avançar para etapas mais sofisticadas da cadeia industrial ligada à transição energética”.

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A GreenPar desenvolve tecnologias baseadas em sódio e lítio grafeno voltadas a aplicações de alta demanda operacional, incluindo sistemas conectados à rede elétrica e soluções para mobilidade elétrica pesada.

Baterias avançam em logística, indústria e redes elétricas

As aplicações previstas para as soluções da empresa abrangem diferentes segmentos da economia de baixo carbono. Entre os usos potenciais estão veículos elétricos pesados, empilhadeiras industriais, equipamentos logísticos, sistemas de backup energético e armazenamento associado à geração renovável.

Com mais de 60 patentes e desenhos industriais registrados, a companhia atua em tecnologias voltadas ao aumento da eficiência, segurança operacional e durabilidade das baterias.

O CEO da GreenPar, Luiz Nicolao, associou o avanço do armazenamento à autonomia estratégica do país no setor energético: “Armazenamento de energia é um tema de soberania nacional. Países que dominam essa tecnologia controlam parte essencial da infraestrutura energética do futuro. O Brasil precisa desenvolver e produzir suas próprias soluções para garantir autonomia e segurança energética”.

Expansão das renováveis impulsiona mercado de armazenamento

O crescimento do armazenamento está diretamente ligado à transformação estrutural da matriz elétrica mundial. À medida que fontes intermitentes ampliam participação no sistema, cresce também a necessidade de flexibilidade operacional para preservar estabilidade, previsibilidade e confiabilidade energética.

Na avaliação da liderança da vertical Green Economy da Equity Group, o tema tende a ganhar protagonismo crescente nos próximos anos.

Ariane Mayer ressaltou que a consolidação do armazenamento como infraestrutura crítica acompanha o avanço das energias renováveis: “O armazenamento de energia já se consolida como uma infraestrutura crítica da transição energética. Fortalecer essa cadeia produtiva no Brasil é fundamental para ampliar a segurança energética e permitir maior integração das fontes renováveis”.

Corrida tecnológica amplia disputa industrial global

O investimento também reflete uma reorganização industrial mais ampla impulsionada pela transição energética. Países e empresas que dominarem tecnologias de armazenamento tendem a ocupar posições estratégicas na cadeia global de valor associada à eletrificação e descarbonização.

João Kepler, CEO da Equity Group, destacou que o desenvolvimento tecnológico nacional pode ampliar a captura de valor industrial pelo Brasil: “Quando o Brasil passa a desenvolver tecnologia própria em áreas estratégicas da transição energética, ele começa a capturar mais valor industrial, conhecimento e autonomia tecnológica em uma cadeia que tende a crescer de forma significativa nos próximos anos”.

Na mesma linha, Túlio Menê, sócio da holding, avaliou que a disputa vai além da agenda ambiental: “Países que desenvolvem tecnologia própria nesse campo se posicionam de maneira mais estratégica na cadeia global de valor”.

Nílio Portella reforçou o papel estrutural do armazenamento na expansão das renováveis: “Com o crescimento das renováveis, o armazenamento se torna fundamental para assegurar estabilidade e previsibilidade ao sistema elétrico”.

Segurança energética e indústria entram na mesma agenda

A crescente eletrificação de setores intensivos em energia, como logística, transporte pesado e operações industriais, tende a acelerar ainda mais a demanda por baterias e sistemas de armazenamento.

Nesse ambiente, armazenamento deixa de ser apenas uma solução complementar e passa a integrar o núcleo da infraestrutura energética moderna, especialmente em sistemas cada vez mais dependentes de fontes renováveis variáveis.

Para o Brasil, o desafio passa não apenas por ampliar a capacidade de geração limpa, mas por desenvolver competências industriais e tecnológicas capazes de inserir o país nas etapas mais rentáveis da cadeia energética global.

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