Levantamento da Veloe em parceria com a Fipe aponta alta generalizada nos combustíveis em abril, com derivados de petróleo refletindo instabilidade internacional.
A dinâmica de preços no setor de combustíveis brasileiro registrou nova pressão em abril, consolidando uma tendência de alta iniciada no fechamento do primeiro trimestre. Segundo dados do Monitor de Preços de Combustíveis, desenvolvido pela Veloe com suporte técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o diesel manteve-se como o principal vetor de inflação nas bombas.
O cenário é reflexo direto da volatilidade no mercado internacional de petróleo, acentuada por conflitos geopolíticos no Oriente Médio, somada a ajustes pontuais na oferta doméstica. No acumulado de 2026, o impacto sobre o transporte de carga e logística é severo: o diesel comum e o S-10 já acumulam altas superiores a 21%.
Raio-X de Abril: Diesel Comum Salta 6,2%
O monitoramento mensal revela que todos os combustíveis acompanhados registraram avanço em relação a março. O diesel comum liderou o ranking com alta de 6,2%, seguido pelo diesel S-10, que subiu 5,3%. A gasolina também pesou no bolso do consumidor, com a versão comum avançando 3,0% e a aditivada 2,8%.
Os valores médios nacionais em abril ficaram estabelecidos em:
- Diesel S-10: R$ 7,504/litro
- Diesel Comum: R$ 7,428/litro
- Gasolina Aditivada: R$ 6,979/litro
- Gasolina Comum: R$ 6,836/litro
- Etanol Hidratado: R$ 4,768/litro
- GNV: R$ 4,572/litro
Embora as médias mensais sejam elevadas, o levantamento sinaliza que os preços perderam fôlego na última semana de abril, indicando uma acomodação após os picos registrados na virada do mês.
Oferta e Medidas Tributárias Contêm Escala de Preços
A análise técnica do Monitor destaca que o mês de abril foi caracterizado por uma queda de braço entre a pressão acumulada e medidas de alívio na ponta final.
A viabilização de volumes adicionais de gasolina e diesel S-10 pela Petrobras atuou como um importante estabilizador, mitigando riscos de desabastecimento. Somado a isso, as estratégias federais de subvenção ao diesel e as desonerações tributárias foram fundamentais para evitar que o repasse dos reajustes internacionais fosse ainda mais agressivo ao consumidor final.
Disparidades Regionais e Competitividade do Etanol
O relatório aponta que a inflação dos combustíveis não é uniforme pelo território nacional. Enquanto o Acre registra o Diesel S-10 mais caro do país (R$ 8,645), Roraima lidera o preço da gasolina comum (R$ 8,075).
No que tange à competitividade relativa, o etanol teve uma alta marginal de apenas 0,4% em abril. Essa estabilidade melhorou a atratividade do biocombustível em mercados estratégicos, embora a paridade média nacional ainda favoreça o derivado fóssil. O GNV, por outro lado, segue como a única opção com deflação no acumulado do ano, apresentando recuo de 1,6%.
Poder de Compra e Renda Domiciliar
Apesar das altas recentes, o indicador que relaciona o custo do abastecimento com a renda média das famílias mostrou uma ligeira melhora estrutural no fechamento do último período consolidado (4º trimestre de 2025).
O custo para encher um tanque de 55 litros com gasolina comum comprometeu, em média, 5,7% da renda domiciliar, contra 6,0% no mesmo período do ano anterior. Contudo, no Norte e Nordeste, esse peso chega a atingir 8,9% da renda, evidenciando as profundas desigualdades regionais no acesso à energia.



