País responde por mais de 40% da demanda elétrica na América do Sul e Central, com crescimento expressivo nas fontes solar, eólica e de biocombustíveis, aponta levantamento da KPMG
O Brasil consolidou sua posição como o principal motor do setor elétrico na América Latina, respondendo por mais de 40% de toda a demanda de eletricidade na América do Sul e Central em 2023. Os dados fazem parte da 73ª edição do estudo Statistical Review of World Energy, produzido pelo Energy Institute com a colaboração da KPMG, e refletem o papel estratégico do país na transição energética da região.
De acordo com o relatório, enquanto regiões como América do Norte e Europa registraram retrações no consumo de eletricidade — de 1% e 2%, respectivamente —, impulsionadas por políticas de eficiência energética e mudanças nos hábitos de consumo, a América Latina seguiu caminho inverso. Liderado pelo Brasil, o continente apresentou crescimento acima da média mundial, consolidando-se como polo de expansão energética.
Além do volume de consumo, o destaque brasileiro também está na forma como essa energia é gerada. O estudo revela que a geração eólica cresceu 17% no país em 2023, enquanto a solar saltou impressionantes 71%. Esses números reforçam o protagonismo do Brasil no cenário de energia limpa, em um momento de atenção global às metas de descarbonização.
“Enquanto a América do Sul e Central experimentaram taxas de crescimento acima da média global, as demandas na América do Norte e na Europa sofreram quedas em consequência de regulamentações de eficiência energética, iluminação com menor gasto de energia e mudança de hábitos de consumo”, explica Manuel Fernandes, sócio-líder do setor de Energia e Recursos Naturais da KPMG no Brasil e na América do Sul.
Outro ponto de destaque no relatório é o papel do Brasil na produção e consumo de biocombustíveis. Junto com os Estados Unidos e a Europa, o país foi responsável por cerca de três quartos do consumo global desse tipo de combustível em 2023. A produção mundial de biocombustíveis teve crescimento superior a 8% no ano, com aumentos relevantes nos EUA (75 mil barris de óleo equivalente por dia – mboe/d) e no Brasil (65 mboe/d).
Brasil na liderança da energia elétrica na América Latina
- Mais de 40% da demanda regional: O Brasil responde por quase metade de toda a eletricidade consumida na América do Sul e Central, sendo o maior mercado da região.
- Fontes renováveis em destaque: O país se destaca pelo crescimento robusto nas fontes solar (+71%) e eólica (+17%) em 2023.
- Biocombustíveis em alta: Brasil e EUA lideram o crescimento global, consolidando-se como os principais produtores e consumidores.
- Contraste com países desenvolvidos: Enquanto o Brasil amplia sua matriz e consumo, América do Norte e Europa registram quedas, fruto de eficiência energética e transição tecnológica.
Perspectivas para o futuro
O desempenho brasileiro em 2023 não é apenas uma fotografia do presente, mas sinaliza uma direção estratégica para o futuro. O país reúne condições únicas para se tornar um dos principais protagonistas globais da energia limpa: abundância de recursos naturais, know-how tecnológico e um mercado cada vez mais atento à sustentabilidade.
Esse papel de liderança, no entanto, exige planejamento de longo prazo, modernização da infraestrutura e políticas públicas consistentes para consolidar os avanços e atrair investimentos. O estudo da KPMG reforça que o Brasil não só já é uma potência energética regional, como também tem potencial para assumir papel de maior relevância no cenário internacional da energia.
Com a expansão das fontes renováveis e o compromisso com uma matriz energética mais sustentável, o Brasil vem se destacando como exemplo de como crescimento econômico e responsabilidade ambiental podem caminhar lado a lado.



