Magda Chambriard diz que alta recente do petróleo alterou cenário da subvenção, mas estatal seguirá monitorando referências internacionais antes de revisar preços
A Petrobras não prevê, neste momento, novo repasse aos distribuidores de diesel após a recente alta do petróleo no mercado internacional. A presidente da companhia, Magda Chambriard, afirmou nesta quinta-feira (24), que o cenário mudou depois de o Brent alcançar US$ 108 por barril, mas destacou que a cotação voltou a ficar abaixo de US$ 100. A estatal avalia os preços internos em ciclos de aproximadamente 15 dias.
A executiva afirmou que a Petrobras estava confortável com a subvenção de R$ 2,12 por litro até a semana anterior, mas que a escalada do Brent alterou essa avaliação. Com a posterior queda da referência internacional, porém, a companhia mantém a estratégia de acompanhar o mercado antes de promover alterações nos preços.
Petrobras evita reação diária ao petróleo
Magda afirmou que a volatilidade provocada pelas declarações do governo norte-americano dificulta a adoção de uma política de preços baseada em movimentos diários. Para a presidente, reagir a cada oscilação poderia comprometer a participação da Petrobras no mercado de combustíveis.
A estratégia está alinhada à política comercial da companhia, que não repassa automaticamente todas as oscilações internacionais e cambiais aos preços domésticos. Dados da própria Petrobras mostram que a parcela da companhia correspondia a R$ 2,83 por litro, ou 39,7% do preço médio nacional do diesel S-10 entre 13 e 19 de setembro; o valor médio ao consumidor foi de R$ 7,13 por litro.
Estatal descarta risco imediato de falta de diesel
A presidente também minimizou o risco de interrupção das exportações de diesel pelos Estados Unidos. Segundo Magda, a Casa Branca já teria negado os rumores sobre uma eventual suspensão, enquanto a Petrobras trabalha com diferentes fornecedores internacionais para reduzir sua exposição a uma única origem.
A companhia importa diesel de mercados como o indiano e mantém negociações com refinadores daquele país. A estratégia ganha relevância diante do peso das importações no atendimento ao mercado brasileiro e da necessidade de complementar a produção nacional em períodos de maior demanda.
Cargas de outubro já estão contratadas
Para outubro, Magda afirmou que as cargas necessárias já foram contratadas. A Petrobras também vem ampliando a produção doméstica de diesel por meio do aumento da capacidade de refino e da adaptação dos processos para elevar a produção de combustíveis de maior valor, com o diesel entre os principais produtos.
A informação é compatível com dados divulgados pela diretoria de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras na véspera. Angélica Laureano informou que a companhia havia contratado 650 milhões de litros de diesel importado para outubro e não projetava grandes volumes de compras externas para novembro.
Para novembro, Magda indicou que novas importações ainda podem ocorrer em função da demanda associada à atividade agrícola. A necessidade dependerá, entre outros fatores, do comportamento do consumo e da capacidade de atendimento das refinarias no período.



