Petrobras condiciona novo aporte na Braskem à participação dos acionistas

Estatal rejeita aporte isolado na petroquímica e mantém limite de 50% do capital votante enquanto negociações sobre reestruturação de US$ 10,9 bilhões avançam

A Petrobras não pretende realizar um aporte exclusivo na Braskem para viabilizar a reestruturação financeira da petroquímica. Durante a ROG 2026, no Rio de Janeiro, executivos da estatal sinalizaram que eventual suporte financeiro deverá ser acompanhado por contribuições proporcionais dos demais acionistas, enquanto as negociações sobre um passivo de cerca de US$ 10,9 bilhões avançam em recuperação extrajudicial.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a companhia não pretende ultrapassar a participação de 50% das ações com direito a voto na Braskem e que a realização de novos aportes precisa observar a corresponsabilidade dos acionistas na solução financeira da empresa.

Credores pressionam por novo capital

O processo de recuperação extrajudicial foi protocolado em agosto na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Na abertura do procedimento, credores que representavam 39,6% dos créditos elegíveis haviam aderido à proposta, atingindo o quórum mínimo previsto para o início da negociação.

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Entre as demandas apresentadas pelos credores está um aporte de aproximadamente US$ 3 bilhões pelos acionistas controladores, grupo que reúne Petrobras e o fundo IG4 Capital, por meio do veículo Shine I. A estatal, porém, resiste à hipótese de assumir sozinha esse desembolso.

O diretor-executivo de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, afirmou que a companhia participa das discussões para estruturar uma solução de capital que preserve a capacidade operacional e financeira da Braskem e permita sua sustentação nos próximos anos.

Prazo para acordo termina em novembro

A negociação extrajudicial tem prazo de 90 dias, com encerramento previsto para 24 de novembro. Até lá, a Braskem precisa chegar a uma versão atualizada do plano capaz de estabelecer as condições de pagamento para o conjunto de credores envolvido na reestruturação.

A Petrobras mantém a preferência pela solução extrajudicial, mas não descarta a possibilidade de uma recuperação judicial caso as negociações não avancem. Eventuais novos aportes também permanecem condicionados à evolução das tratativas e às condições definidas entre os acionistas e credores.

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OPA adiciona pressão ao quadro societário

A estrutura acionária acrescenta outro elemento à negociação. O fundo Shine I possui 50,11% do capital votante da Braskem, enquanto a Petrobras detém 47,3%; os demais acionistas representam 2,86%.

O Shine I também anunciou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), cujo leilão está previsto para 16 de outubro. O movimento ocorre pouco mais de um mês antes do prazo final para a conclusão da recuperação extrajudicial, colocando as negociações financeiras e a configuração societária da petroquímica em paralelo.

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