Segundo balanço da Abegás, demanda das usinas atingiu 17 milhões de m³/dia; mercado livre de gás expandiu 36,8% em 12 meses
O consumo nacional de gás natural registrou média de 57,5 milhões de metros cúbicos por dia (m³/dia) no primeiro semestre de 2026, representando um crescimento de 15,36% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado pelo acionamento de usinas termelétricas, cuja demanda saltou 49%, passando de 11,4 milhões para 17 milhões de m³/dia.
Os dados constam do balanço consolidado da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). Os números evidenciam a relevância do despacho térmico para a modulação e o equilíbrio da demanda de gás no país.
Desempenho por segmento de consumo
Apesar da forte expansão na geração elétrica, o setor industrial manteve a liderança no consumo absoluto do combustível, com média de 30,8 milhões de m³/dia no semestre, uma expansão mais moderada, de 4,5% na comparação anual.
A movimentação nos demais segmentos apresentou dinâmicas distintas:
- Matéria-prima: Avanço de 8%;
- Residencial: Alta de 2,3%;
- Automotivo (GNV): Retração de 7,4%;
- Cogeração: Recuo de 5,3%.
Mercado livre de gás cresce 36,8% no acumulado de 12 meses
Paralelamente ao volume físico consumido, o Ambiente de Contratação Livre (ACL) de gás natural manteve rápida expansão. Em junho de 2026, o volume negociado no mercado livre atingiu 34,6 milhões de m³/dia, frente aos 25,3 milhões de m³/dia apurados no mesmo mês de 2025, uma alta de 36,8% em 12 meses.
A indústria liderou essa migração contratual. O volume de gás adquirido por consumidores industriais no ambiente livre passou de 13,3 milhões para 19,8 milhões de m³/dia, salto de 49,4% no período de um ano, refletindo o avanço da abertura regulatória do setor.
Expansão da malha e da base de clientes
A infraestrutura de transporte e distribuição acompanhou o crescimento da demanda. No acumulado de 12 meses encerrado em junho de 2026, a rede de gás canalizado expandiu 3,65%, alcançando 47,4 mil quilômetros de extensão e cobrindo 520 municípios (ante 510 cidades no ciclo anterior).
No mesmo período, a base total de clientes atendidos pelas concessionárias estaduais de distribuição subiu de 4,8 milhões para 5,1 milhões de pontos de consumo, com a adição de aproximadamente 300 mil novas conexões à rede.



