Com 100 estações e 800 pontos de recarga em 18 meses, projeto abre frente para atração de investidores no Sul, Sudeste e Centro-Oeste
A Enerzee anunciou um aporte inicial de R$ 100 milhões para a criação do Enerzee Recharge, operação voltada à infraestrutura de mobilidade elétrica no Brasil. A meta do projeto é implantar 100 eletropostos no prazo de 18 meses, totalizando 800 novas vagas de carregamento no país, com uma média de oito posições por estação.
A primeira unidade será instalada em Cuiabá (MT), sede da companhia. A expansão priorizará as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mercados que concentram cerca de 76% das vendas de veículos eletrificados leves. O modelo prevê a formação de clusters de estações em áreas de maior densidade urbana, circulação de frota e capacidade de renda, mitigando o gargalo operacional do setor.
O avanço da infraestrutura busca acompanhar a expansão do mercado consumidor. No primeiro semestre de 2026, as vendas de veículos eletrificados leves ultrapassaram 217 mil unidades no país, alta superior a 125% ante o mesmo período de 2025, alcançando 15,8% de participação de mercado. A frota circulante de veículos plug-in já soma mais de 815 mil unidades, das quais 240 mil são 100% elétricas, resultando em uma proporção de aproximadamente 20 veículos por ponto de recarga. Atualmente, o país conta com mais de 25 mil pontos públicos e semipúblicos, mas apenas 8,5 mil oferecem recarga rápida.
Ao analisar o avanço acelerado da frota frente à escassez de pontos de recarga rápida, o CEO da Enerzee, Alexandre Sperafico, reforça a oportunidade de mercado: “A discussão já não é mais se os carros elétricos vão crescer, mas onde eles serão carregados e em qual rede o motorista poderá confiar. A frota chegou antes da infraestrutura, e é justamente nesse espaço que queremos construir uma grande rede.”
Parcerias tecnológicas e modelo de atração de capital
A operação será executada por meio de uma aliança estratégica com a WEG, responsável pelo fornecimento dos equipamentos e tecnologia de recarga, e com a Tupi, que assumirá a gestão do negócio e a infraestrutura de pagamentos. A Enerzee atuará como integradora principal, unificando os dados e a gestão da rede em uma plataforma digital.
Além da receita tarifária da recarga, a companhia estruturou um modelo de negócios voltado a investidores e empreendedores. O formato contempla três modalidades de adesão: aquisição de cotas societárias de estações, atuação na comercialização de eletropostos ou titularidade direta de unidades com participação no faturamento das recargas.
O movimento consolida a transição da Enerzee, que teve origem na geração fotovoltaica, para uma plataforma integrada de energia e eletrificação. O ecossistema da empresa passa a englobar geração solar, energia por assinatura, sistemas de armazenamento (BESS), comercialização no mercado livre e soluções de mobilidade elétrica, alinhado à meta de expansão regional até 2030.



