Estudo da estatal divide litoral em 20 regiões com padrões de vento semelhantes e disponibiliza painel com séries temporais, rosas dos ventos e parâmetros de Weibull
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) identificou três áreas de maior potencial de recurso eólico offshore na costa brasileira a partir da análise de bases globais de dados de vento. O levantamento, publicado na Nota Técnica NT EPE/DEE/SGR/073/2026-R0, também dividiu o litoral em 20 regiões com características semelhantes de comportamento do vento, criando uma base técnica para o planejamento de futuros projetos de geração eólica marítima.
O estudo compara os conjuntos de dados ERA5, MERRA-2 e Global Wind Atlas (GWA) e seleciona a base considerada mais aderente para a caracterização do regime de ventos no litoral. A metodologia busca reduzir diferenças entre fontes de dados e estabelecer uma referência comum para avaliações de recurso eólico offshore no Brasil.
Mapeamento divide costa em 20 clusters
A EPE aplicou técnicas de clusterização sobre séries históricas de vento para identificar regiões com padrões semelhantes de velocidade e comportamento temporal. O procedimento considerou características geográficas e variações diárias e sazonais do recurso eólico.
O resultado foi a definição de 20 clusters marítimos que representam diferentes regimes de vento ao longo da costa. A divisão permite trabalhar com regiões que apresentam características estatísticas semelhantes, reduzindo a complexidade da análise do potencial offshore em escala nacional.
A partir dessa classificação, o estudo identificou três grandes áreas com as maiores velocidades médias de vento entre as regiões avaliadas. Esses hotspots concentram os recursos que, sob a perspectiva exclusivamente eólica, apresentam maior atratividade para análises posteriores de desenvolvimento de projetos.
A caracterização regional também pode contribuir para estudos sobre a inserção da geração offshore no Sistema Interligado Nacional (SIN), especialmente na avaliação da variabilidade da produção e de sua complementaridade com outras fontes.
Dados apoiam estudos de integração ao SIN
A análise do comportamento temporal do vento permite avaliar não apenas a velocidade média, mas também como a disponibilidade do recurso se distribui ao longo do dia e das estações.
Essa informação é relevante para o planejamento energético porque a geração eólica offshore terá um perfil de produção diferente daquele observado em outras fontes renováveis. A comparação entre os regimes de vento marítimo e a geração hidrelétrica e solar pode ajudar a identificar períodos de complementaridade entre as tecnologias.
O estudo da EPE, portanto, fornece uma camada adicional de informação para análises de expansão da geração, embora a identificação de áreas com maior recurso eólico não represente, isoladamente, uma indicação de viabilidade econômica ou autorização para implantação de empreendimentos.
Fatores como conexão ao SIN, profundidade, distância da costa, condições ambientais, logística, infraestrutura portuária e custos de implantação ainda precisam ser considerados em avaliações específicas de projetos.
Dashboard amplia acesso às informações
Como parte do trabalho, a EPE disponibilizou um painel interativo com os resultados da análise. A ferramenta permite consultar informações associadas às 20 regiões identificadas no estudo.
Entre os dados disponíveis estão séries temporais de vento em diferentes escalas, rosas dos ventos e parâmetros da distribuição de Weibull. O conjunto oferece informações estatísticas utilizadas na caracterização do recurso e na modelagem da produção de aerogeradores.
A distribuição de Weibull é particularmente relevante para estudos eólicos porque permite representar estatisticamente a frequência de ocorrência de diferentes velocidades de vento em determinada área. Seus parâmetros de forma e escala podem ser utilizados em estimativas de desempenho e produção energética.
Base pública pode apoiar projetos offshore
A consolidação das informações em uma plataforma pública cria uma referência comum para empresas, consultorias, pesquisadores e órgãos públicos interessados no desenvolvimento da geração eólica marítima. Para projetos em fase inicial, dados de longo prazo sobre o comportamento do vento são importantes para estimativas preliminares de produção, avaliação de alternativas tecnológicas e identificação de áreas que justificam estudos mais detalhados.
O levantamento também pode reduzir uma etapa inicial de coleta e tratamento de dados para agentes que avaliam oportunidades no segmento offshore. A partir da base disponibilizada pela EPE, estudos específicos podem avançar para variáveis que não fazem parte do mapeamento eólico, mas são determinantes para a implantação dos empreendimentos.
Eólica offshore entra em nova etapa de planejamento
A publicação da nota técnica ocorre enquanto o Brasil estrutura as bases regulatórias e técnicas para o desenvolvimento da geração eólica offshore. Nesse contexto, a caracterização do recurso é uma das etapas necessárias para dimensionar o potencial efetivamente aproveitável da costa brasileira.
O mapeamento em 20 clusters fornece uma visão regionalizada do regime de ventos e os três hotspots identificados concentram as áreas que demandam maior atenção em análises futuras de potencial.
A iniciativa também cria uma base para a evolução de estudos sobre expansão da geração, integração ao SIN e complementaridade entre fontes renováveis. Com o dashboard, a EPE amplia o acesso aos dados utilizados na avaliação eólica e oferece ao mercado uma referência para a etapa inicial de análise de oportunidades offshore.



