ANEEL adia consulta pública da Pnast após pedido de vista e amplia debate sobre regras de transição para grandes cargas

Diretor Fernando Mosna propõe priorização de projetos com CUST assinado e parecer de acesso emitido; discussão envolve segurança regulatória para data centers e novos investimentos no sistema de transmissão

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) adiou a abertura da consulta pública destinada à regulamentação da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast), após pedido de vista apresentado pelo diretor-geral Sandoval Feitosa durante a reunião pública da diretoria realizada nesta terça-feira (28). A decisão posterga o início do processo de participação social e mantém em aberto um dos debates regulatórios mais relevantes para a expansão da infraestrutura elétrica brasileira nos próximos anos.

A regulamentação da Pnast deverá estabelecer os critérios de acesso à Rede Básica em um cenário marcado pelo crescimento acelerado da demanda por conexão de grandes consumidores, projetos renováveis e empreendimentos eletrointensivos, especialmente data centers. Nesse contexto, as regras de transição ganharam protagonismo nas discussões da diretoria da agência.

O processo estava sob relatoria do diretor Fernando Mosna, que apresentou voto favorável à abertura da consulta pública, acompanhado de propostas de ajustes voltadas à preservação da segurança jurídica dos agentes que já possuem contratos firmados ou se encontram em estágio avançado no processo de conexão ao sistema de transmissão.

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Regras de transição entram no centro do debate regulatório

Um dos principais pontos defendidos por Mosna é a necessidade de priorizar empreendimentos que já possuem Parecer de Acesso emitido e Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) celebrado, sobretudo nos casos em que haja solicitação de incremento do montante contratado.

A proposta busca evitar que projetos estruturados sob as regras vigentes sejam prejudicados pela implementação da nova política de acesso. O tema é particularmente sensível para investidores que já realizaram aportes financeiros e desenvolveram projetos com base no arcabouço regulatório atualmente em vigor.

Ao justificar a necessidade de aperfeiçoar o texto regulatório, Mosna ressaltou que as disposições transitórias previstas no Decreto nº 12.772 devem ser suficientes para garantir previsibilidade aos agentes do setor: “A regra de transição do Decreto nº 12.772, criador da Pnast, visou proteger os agentes adaptados às exigências normativas vigentes. No entanto, o aprimoramento das regras é indispensável para assegurar a eficácia desse mecanismo. Diante desse cenário, exige-se sensibilidade regulatória, sobretudo porque empreendimentos de grande porte, como data centers, foram modelados estritamente sob as premissas regulatórias anteriores.”

A manifestação do diretor evidencia a preocupação da ANEEL em compatibilizar a modernização das regras de acesso ao sistema elétrico com a manutenção do ambiente de segurança regulatória exigido pelos investidores.

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Crescimento dos data centers pressiona planejamento do sistema

A expansão dos data centers no Brasil tem ampliado a relevância do debate sobre o acesso ao sistema de transmissão. Esses empreendimentos apresentam elevado consumo energético e demandam disponibilidade de potência em regiões específicas, tornando-se um dos principais vetores de crescimento da carga elétrica nacional.

Nos últimos meses, o setor elétrico passou a acompanhar com maior atenção os pedidos de conexão associados à infraestrutura digital, especialmente diante do avanço da inteligência artificial e do aumento da demanda global por capacidade computacional.

A definição das regras de transição da Pnast pode ter impacto direto na viabilidade de projetos que já possuem estudos técnicos concluídos e investimentos realizados. Por esse motivo, a discussão regulatória ultrapassa a simples organização das filas de acesso e passa a influenciar decisões estratégicas relacionadas à localização de novos investimentos no país.

Além dos data centers, a política também afetará consumidores livres de grande porte, indústrias eletrointensivas e novos projetos de geração que dependem da disponibilidade da infraestrutura de transmissão para sua implantação.

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