Petrobras bate recorde histórico de produção com 3,33 milhões de boed e opera refinarias acima da capacidade nominal no 2º trimestre

Expansão do pré-sal, entrada de novos FPSOs e fator de utilização do refino em 101% impulsionam resultados operacionais da estatal em meio à volatilidade do mercado internacional de petróleo e combustíveis

A Petrobras encerrou o segundo trimestre de 2026 com um novo recorde operacional em sua história. A companhia alcançou uma produção média de 3,336 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), impulsionada pelo avanço dos projetos do pré-sal e pela entrada em operação de novas plataformas nas bacias de Santos e Campos. No mesmo período, o parque de refino da estatal operou acima da capacidade nominal, com fator de utilização de 101%, refletindo a estratégia da companhia para atender à demanda doméstica em um cenário de elevada volatilidade internacional dos combustíveis.

Os números reforçam a posição da Petrobras como principal produtora de petróleo da América Latina e evidenciam o papel crescente do pré-sal na sustentação da produção nacional. Além disso, o desempenho operacional ocorre em um momento em que o mercado acompanha os impactos das tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e os fluxos globais de combustíveis.

A produção total da companhia cresceu 14,1% em comparação com o segundo trimestre de 2025 e avançou 3,4% em relação aos primeiros três meses deste ano, quando a estatal havia registrado 3,226 milhões de boed.

- Advertisement -

Pré-sal responde por mais de 83% da produção da Petrobras

O principal vetor do crescimento operacional foi o pré-sal, que ampliou sua participação no portfólio da companhia e passou a representar 83,5% de toda a produção registrada no trimestre. O volume produzido na camada atingiu 2,78 milhões de boed, acima dos 2,66 milhões de boed registrados no primeiro trimestre de 2026. A produção comercializada de petróleo e gás natural somou 2,92 milhões de boed, crescimento de 14,3% na comparação anual.

O desempenho foi sustentado pelo avanço do ramp-up operacional de quatro importantes projetos offshore. Entre eles estão os FPSOs Maria Quitéria, no campo de Jubarte; Alexandre de Gusmão, no campo de Mero; P-78, no campo de Búzios; além do início da produção do FPSO P-79, também instalado em Búzios.

Ao longo do trimestre, a Petrobras colocou em produção dez novos poços produtores, sendo quatro localizados na Bacia de Campos e seis na Bacia de Santos, ampliando a capacidade produtiva dos ativos mais competitivos do seu portfólio. A expansão do pré-sal reforça a estratégia da companhia de concentrar investimentos em ativos de elevada produtividade e menor custo de extração, considerados fundamentais para a geração de caixa da estatal nos próximos anos.

Refinarias operam acima da capacidade nominal

No segmento de downstream, a Petrobras também registrou desempenho expressivo. A produção total de derivados alcançou 1,92 milhão de barris por dia (bpd), alta de 10,9% em relação ao segundo trimestre de 2025 e avanço de 5,6% frente ao trimestre imediatamente anterior.

- Advertisement -

O fator de utilização do parque de refino atingiu 101%, superando os 95% registrados no primeiro trimestre deste ano e ficando significativamente acima do patamar observado em meados de 2025.

O resultado foi influenciado pela conjuntura internacional do mercado de petróleo. As tensões geopolíticas no Oriente Médio elevaram os preços internacionais dos combustíveis ao longo do trimestre, levando a Petrobras a reduzir as importações diretas durante grande parte do período e a priorizar a utilização máxima de suas refinarias para garantir o abastecimento do mercado nacional.

A operação acima da capacidade nominal evidencia a flexibilidade operacional do parque de refino da companhia em momentos de maior pressão sobre a oferta global de combustíveis.

Diesel e querosene de aviação lideram crescimento da produção

Entre os principais derivados produzidos pela Petrobras, o diesel manteve sua posição como o combustível mais relevante do parque de refino nacional. A produção atingiu 509 mil barris por dia, crescimento de 6,9% em relação ao primeiro trimestre e alta de 12,4% na comparação anual.

Outro destaque foi o querosene de aviação (QAV), cuja produção avançou 14,7% frente aos três primeiros meses do ano, totalizando 109 mil barris por dia. Na comparação com o mesmo período de 2025, o crescimento foi de 25,3%. Já a produção de gasolina alcançou 424 mil barris por dia, registrando aumento de 1,7% em relação ao trimestre anterior e alta de 5% na comparação anual.

O desempenho operacional das refinarias acompanha o aumento da demanda por combustíveis associados à retomada da atividade econômica e à expansão do setor de transportes.

Mercado interno mantém demanda estável

As vendas totais de derivados da Petrobras no mercado brasileiro permaneceram praticamente estáveis no segundo trimestre, totalizando 1,74 milhão de barris por dia. O volume representa uma pequena retração de 0,2% em relação ao trimestre anterior, mas crescimento de 1,6% na comparação anual.

O diesel foi novamente o principal responsável pela sustentação da demanda doméstica, beneficiado pelo aumento da atividade econômica sazonal característica do período. Por outro lado, as vendas de gasolina apresentaram queda de 2,2% na comparação trimestral. A Petrobras atribui o movimento ao aumento da competitividade do etanol hidratado durante a safra sucroenergética da região Centro-Sul do país.

A maior oferta do biocombustível ampliou sua participação no abastecimento do ciclo Otto, reduzindo parcialmente o consumo de gasolina no período.

Resultados operacionais fortalecem expectativas do mercado

Os números do segundo trimestre demonstram que a Petrobras atravessa um dos seus momentos mais robustos do ponto de vista operacional. A combinação entre recorde de produção, expansão do pré-sal e utilização máxima das refinarias reforça a capacidade da companhia de responder tanto às oportunidades quanto aos desafios do mercado internacional de petróleo.

O desempenho também aumenta as expectativas do mercado financeiro para a divulgação dos resultados financeiros consolidados da estatal, prevista para o início de agosto. Além dos ganhos operacionais, a performance da companhia ocorre em um ambiente estratégico para o setor energético brasileiro, em que o pré-sal continua ampliando sua relevância para a segurança energética nacional, para a balança comercial do país e para a arrecadação do setor público.

Destaques da Semana

MME regulamenta compensação por curtailment e define regras para ressarcimento de geradores eólicos e solares

Portaria Normativa nº 140/2026 estabelece critérios para recontabilização financeira...

El Niño até 2027 desafia o setor elétrico e exige gestão hídrica e térmica de longo prazo

Com 97% de probabilidade de permanência, fenômeno reduz janelas...

EUA e Arábia Saudita fecham acordo nuclear que pode redefinir equilíbrio energético e geopolítico no Oriente Médio

Pacto permite enriquecimento de urânio com tecnologia norte-americana sem...

Setor elétrico forma frente unitária contra “jabutis” no PL 5.017 no Senado

Nove entidades de toda a cadeia do setor elétrico...

Artigos

Últimas Notícias