Inclusão do Bônus de Itaipu nas faturas exerceu papel central no recuo de 1,87% do grupo Habitação, que registrou o menor resultado para o mês desde o Plano Real.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,32% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio 0,39 ponto percentual abaixo da taxa de 0,07% apurada em julho, acumulando avanço de 3,11% no ano. Nos últimos 12 meses, o indicador desacelerou para 4,22%, ante os 4,44% do período imediatamente anterior.
O comportamento da inflação oficial no oitavo mês do ano foi fortemente influenciado pelo alívio nos custos de Habitação, Transportes, Alimentação e bebidas e Comunicação. Entre os grandes grupos pesquisados, Habitação exerceu a principal influência baixista, com retração expressiva de 1,87%, consolidando o patamar mais baixo para o mês de agosto desde a implantação do Plano Real.
Alívio na conta de luz derruba grupo Habitação
A dinâmica de baixa do grupo Habitação foi ditada pelo recuo de 7,63% na energia elétrica residencial, item que sozinho respondeu por um impacto negativo de 0,33 ponto percentual no IPCA geral. A forte retração tarifária decorreu principalmente da incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas emitidas ao longo de agosto.
O efeito de alívio tarifário ocorreu mesmo com a manutenção da bandeira tarifária amarela em vigor no período, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, e com a incidência de reajustes em diferentes concessionárias do país. Em São Paulo, por exemplo, a tarifa de energia recuou 7,42%, contrabalançando o reajuste de 8,85% aplicado por uma das distribuidoras locais desde julho. Vitória (-3,13%), São Luís (-8,51%), Fortaleza e Rio Branco também registraram reduções expressivas em suas contas de luz.
Em sentido oposto no mesmo segmento, o gás encanado subiu 1,74%, impulsionado por revisões tarifárias em Curitiba e no Rio de Janeiro, enquanto a taxa de água e esgoto avançou modestamente 0,11%.
Impacto setorial e desinflação generalizada
A desinflação de agosto também encontrou suporte no grupo Transportes, que recuou 0,86% pressionado pela baixa de 13,17% nas passagens aéreas e de 0,91% nos combustíveis, com quedas disseminadas no etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%). O transporte por aplicativo também registrou baixa expressiva de 4,57%, incorporando efeitos residuais do mês anterior.


