Estudo da McKinsey aponta que Brasil terá segunda energia solar com baterias mais barata do mundo em 2035

Firm LCOE projetado para a geração solar associada a BESS coloca o país atrás apenas da China e à frente dos Estados Unidos no horizonte de dez anos

O custo da energia solar associada a sistemas de armazenamento por baterias (BESS) no Brasil poderá cair de US$ 65/MWh em 2025 para US$ 39/MWh em 2035, segundo projeções da McKinsey & Company apresentadas nesta sexta-feira (11/9), em São Paulo. A queda de aproximadamente 40% no Firm LCOE, indicador que incorpora o custo da geração e o prêmio necessário para conferir maior previsibilidade ao suprimento, colocaria o país entre os mercados mais competitivos do mundo para solar com armazenamento.

No cenário projetado pela consultoria, o Brasil ficaria atrás apenas da China, com Firm LCOE estimado em US$ 33/MWh, e à frente dos Estados Unidos, em cerca de US$ 59/MWh. A comparação considera o custo da energia, sem incluir tarifas e demais encargos regulatórios.

Brasil combina recurso solar e demanda por flexibilidade

Os dados foram apresentados durante evento promovido pela Clean Energy Latin America (Cela) e pela International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial.

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Para Mikael Djanian, sócio da McKinsey & Company no Brasil, a posição brasileira no ranking internacional é sustentada pela combinação entre recurso solar, estrutura do mercado elétrico e necessidade de flexibilidade. A análise, destacou o executivo, considera exclusivamente o custo da energia firme, sem tarifas e encargos.

A perspectiva de redução do Firm LCOE está associada principalmente à evolução tecnológica dos sistemas de armazenamento e às condições de irradiação solar do país. Para o Sistema Interligado Nacional (SIN), a expansão desses ativos também responde à necessidade de administrar uma matriz com participação crescente de fontes variáveis.

Geração distribuída cria mercado para retrofit

A expansão do BESS não depende apenas de novos empreendimentos de grande porte. O Brasil tinha 4,7 milhões de sistemas de geração distribuída solar instalados até junho de 2026 e deve encerrar o ano com aproximadamente 52 GW de capacidade descentralizada, de acordo com o levantamento.

Essa base abre espaço para o retrofit de baterias em instalações fotovoltaicas existentes. Nesses sistemas, o armazenamento pode aumentar o aproveitamento local da geração, reduzir a injeção de excedentes na rede e deslocar o consumo para períodos de maior valor da energia.

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O modelo amplia o mercado potencial do BESS ao conectar armazenamento a uma infraestrutura solar que já está instalada, além dos projetos centralizados desenvolvidos especificamente com baterias.

Tarifa elevada reforça viabilidade econômica

As condições tarifárias brasileiras também favorecem aplicações atrás do medidor. A McKinsey estima que a tarifa residencial média do país tenha alcançado US$ 0,36/kWh em paridade de poder de compra, nível superior ao de 77 países.

Em 2025, a conta de luz subiu 12%, enquanto a inflação acumulada foi de 4,4%. Nesse ambiente, baterias podem gerar valor por meio de arbitragem de energia, gestão da demanda e fornecimento de backup.

A confiabilidade da rede é outro fator de estímulo. O estudo aponta DEC de 9,3 horas por consumidor em 2025, cerca de 40 vezes o indicador registrado na Alemanha. Para consumidores de baixa tensão, a necessidade de resiliência tende a sustentar a demanda por armazenamento no curto prazo.

Excedentes renováveis ampliam necessidade de BESS

A expansão da geração solar e eólica acrescenta uma dimensão sistêmica ao mercado de baterias. O release cita um índice de 20,6% relacionado à geração solar e eólica contratada em 2025, associado à necessidade de maior capacidade de absorção dos excedentes renováveis.

Nesse contexto, o BESS pode atuar como recurso de flexibilidade, armazenando energia em momentos de maior disponibilidade e devolvendo-a ao sistema quando a demanda aumenta. A aplicação reduz a necessidade de limitar a produção renovável e amplia a capacidade de resposta do sistema aos diferentes perfis de geração e consumo.

Mercado livre pode ampliar aplicações comerciais

A abertura do mercado livre para consumidores de baixa tensão, prevista para novembro de 2027, tende a adicionar novas possibilidades de monetização para os sistemas de armazenamento.

A combinação de BESS com tarifas horárias, comercializadores, agregadores e usinas virtuais de energia (VPPs) poderá permitir que as baterias sejam utilizadas de forma mais dinâmica, combinando gestão do consumo, resposta a preços e prestação de serviços ao sistema.

Com a redução projetada do custo da energia solar firme, o armazenamento passa a disputar espaço não apenas como mecanismo de backup, mas como ativo energético capaz de capturar valor em diferentes etapas da cadeia elétrica.

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