Monitor de Secas indica recuo da estiagem no Brasil, mas Sudeste pressiona o SIN

Relatório da ANA mostra recuo da área afetada para 45% do território nacional em junho, enquanto persistência de seca grave na Região Sudeste mantém atenção sobre a geração hidrelétrica e a segurança do Sistema Interligado Nacional

A evolução das condições hidrológicas no Brasil apresentou sinais de melhora em junho, mas o cenário ainda exige atenção do setor elétrico. Dados do Monitor de Secas, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), mostram que a área atingida pela estiagem diminuiu em relação ao mês anterior, impulsionada principalmente pelo alívio observado no Centro-Oeste e em parte do Nordeste. Apesar desse avanço, a persistência de seca severa na Região Sudeste, onde estão concentrados alguns dos principais reservatórios hidrelétricos do país, mantém o Sistema Interligado Nacional (SIN) sob monitoramento constante durante o período seco.

Entre maio e junho, a área total afetada pela seca caiu de 4,21 milhões para 3,79 milhões de quilômetros quadrados, passando de aproximadamente 50% para 45% do território nacional. O levantamento evidencia uma distribuição desigual do fenômeno, com melhora das condições hídricas em parte do país e agravamento em importantes estados produtores de energia.

Centro-Oeste reduz estresse hídrico e melhora perspectiva para reservatórios

O principal destaque positivo do levantamento foi a redução da estiagem no Centro-Oeste, região estratégica para o equilíbrio hidrológico de importantes bacias hidrográficas utilizadas pelo setor elétrico.

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Segundo o Monitor de Secas, Goiás e Mato Grosso do Sul registraram redução na intensidade do fenômeno, enquanto Mato Grosso deixou completamente o mapa da seca, juntando-se ao Distrito Federal e ao Amapá entre as unidades da federação sem registros de estiagem no período.

Esse comportamento representa um fator positivo para as afluências das bacias dos rios Paraná e São Francisco, fundamentais para a recuperação gradual dos reservatórios utilizados na geração hidrelétrica. A melhora nas vazões tende a reduzir parte da pressão sobre a operação do SIN, especialmente em um momento de sazonalidade caracterizado pela diminuição das chuvas.

Além do Centro-Oeste, houve redução da seca em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Ceará e Rio Grande do Norte, indicando uma desaceleração parcial do avanço do fenômeno em diferentes regiões do país.

Sudeste permanece como principal foco de atenção do setor elétrico

Embora o cenário nacional tenha apresentado melhora, a Região Sudeste continua concentrando as maiores preocupações para o planejamento energético brasileiro.

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O levantamento mostra que 76% do território da região permaneceu sob influência da seca em junho, sendo a única do país a registrar áreas classificadas como seca grave. Essa condição possui impacto direto sobre as bacias hidrográficas que abastecem alguns dos principais reservatórios hidrelétricos do Sistema Interligado Nacional.

Para o setor elétrico, a evolução das condições hidrológicas no Sudeste possui relevância estratégica porque a região concentra grande parte da capacidade de armazenamento de energia do país. Em períodos de estiagem prolongada, a redução das afluências pode elevar a necessidade de despacho de usinas termelétricas, aumentando o custo marginal de operação e pressionando os preços da energia.

No detalhamento estadual, São Paulo reduziu a área afetada pela seca de 85% para 76%. Apesar da melhora, o estado permaneceu como o único do país com registro de seca grave ao longo do mês de junho. Já Minas Gerais figurou entre os estados onde houve agravamento das condições de estiagem, cenário que amplia a atenção sobre importantes bacias hidrográficas utilizadas na geração hidrelétrica.

Amazonas, Bahia e Rio Grande do Sul seguem entre os estados mais afetados

Na análise por extensão territorial, o Amazonas permaneceu como o estado com maior área atingida pela seca, seguido por Bahia, Minas Gerais, Pará e Rio Grande do Sul. Dois estados apresentaram situação particularmente sensível: Espírito Santo e Rio Grande do Sul mantiveram 100% de seus territórios sob algum grau de seca, ainda que em diferentes níveis de intensidade. Além de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, também registraram agravamento da estiagem Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí e Sergipe. Roraima voltou a integrar o mapa nacional da seca após não aparecer na edição anterior do levantamento.

A distribuição heterogênea evidencia que, embora o fenômeno tenha perdido intensidade em termos nacionais, ainda há importantes desequilíbrios regionais que exigem acompanhamento permanente por parte dos órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos e pela operação do sistema elétrico.

Nordeste apresenta melhora significativa em áreas estratégicas

Entre os destaques positivos do levantamento, o Ceará registrou uma das maiores reduções na intensidade da seca. A área atingida caiu de 48% para 30% do território estadual, alcançando o menor nível desde março de 2025. Paralelamente, a parcela classificada como seca moderada foi reduzida de 8% para apenas 3%.

Para o setor de infraestrutura hídrica, esse movimento tende a aliviar a pressão sobre reservatórios destinados ao abastecimento humano e à irrigação, além de reduzir a necessidade de bombeamento de água em diferentes sistemas do semiárido. Embora os impactos diretos sobre a operação elétrica sejam menores do que aqueles observados no Sudeste, a recuperação gradual das condições hídricas no Nordeste contribui para melhorar a segurança operacional das bacias da região.

Hidrologia continuará sendo fator determinante para o setor elétrico

A divulgação do Monitor de Secas ocorre em um momento particularmente importante para o planejamento do Sistema Interligado Nacional, que atravessa o período seco, fase tradicionalmente marcada por menor afluência aos reservatórios. Nesse contexto, a evolução das condições hidrológicas continuará sendo um dos principais fatores observados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para definir estratégias de despacho da geração e preservar a segurança energética do país.

Embora a redução da área total atingida pela seca represente um sinal positivo, a permanência de condições severas no Sudeste reforça que o comportamento dos reservatórios continuará sendo determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda de energia nos próximos meses.

Para agentes do mercado, geradores, comercializadores e consumidores livres, o acompanhamento dos indicadores hidrológicos segue sendo essencial para avaliar possíveis impactos sobre o despacho térmico, os custos operacionais do sistema e a formação dos preços da energia ao longo do segundo semestre.

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