Extração nacional mantém estabilidade em relação a abril, enquanto produção do pré-sal já responde por mais de 80% do volume total produzido no país
A produção brasileira de petróleo e gás natural permaneceu em patamar elevado em maio de 2026, consolidando a posição do país entre os maiores produtores globais de hidrocarbonetos. Dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção nacional alcançou 5,597 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), mantendo relativa estabilidade em comparação com abril e registrando forte crescimento na comparação anual.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo avanço das operações no pré-sal, que continua ampliando sua participação na produção nacional e reforçando a importância estratégica da Bacia de Santos para o abastecimento energético brasileiro. Os números constam no Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural, publicado nesta terça-feira (1º).
Produção de petróleo cresce quase 17% em um ano
Em maio, a produção de petróleo atingiu 4,301 milhões de barris por dia (bbl/d), o que representa uma redução de 0,9% em relação a abril. Na comparação com o mesmo mês de 2025, entretanto, o crescimento foi expressivo, de 16,9%.
A produção de gás natural somou 206,06 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), com ligeira retração de 0,3% frente ao mês anterior. Em relação a maio de 2025, o aumento alcançou 19,6%, refletindo a entrada de novos sistemas de produção e o amadurecimento de projetos offshore.
O desempenho evidencia a continuidade do ciclo de expansão da produção brasileira, sustentado principalmente pelos ativos do pré-sal, que apresentam elevada produtividade e baixos custos de extração.
Pré-sal responde por mais de 80% da produção nacional
A produção total de petróleo e gás no pré-sal atingiu 4,503 milhões de boe/d em maio, correspondendo a 80,5% de toda a produção brasileira.
Apesar de uma redução de 2,4% em relação a abril, o volume produzido apresentou crescimento de 18,4% na comparação anual, confirmando o papel central dessa província petrolífera na estratégia energética do país. Foram produzidos no pré-sal 3,471 milhões de barris de petróleo por dia e 164,08 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, a partir de 189 poços em operação.
O avanço contínuo da produção na camada pré-sal mantém o Brasil em posição de destaque no cenário internacional, ao mesmo tempo em que amplia a capacidade de geração de receitas, investimentos e arrecadação de participações governamentais.
Búzios e Mero lideram a produção nacional
Entre os ativos produtores, o Campo de Búzios, localizado no pré-sal da Bacia de Santos, manteve a liderança na produção de petróleo, com uma média de 893,37 mil barris por dia. Já o Campo de Mero registrou a maior produção de gás natural do país, alcançando 47,20 milhões de metros cúbicos por dia.
As unidades flutuantes também seguem desempenhando papel decisivo no crescimento da produção nacional. O FPSO Almirante Tamandaré, em Búzios, foi a instalação com maior produção de petróleo, atingindo 247.647 barris por dia. No segmento de gás natural, o destaque foi o FPSO Marechal Duque de Caxias, em Mero, responsável por uma produção de 13,08 milhões de metros cúbicos diários.
Queima de gás cresce com entrada de novos sistemas
O aproveitamento do gás natural permaneceu elevado, alcançando 97,2% em maio. Foram disponibilizados ao mercado 60,83 milhões de metros cúbicos por dia, reforçando a contribuição do setor para o suprimento energético nacional.
A queima de gás natural atingiu 5,87 milhões de metros cúbicos por dia, registrando aumento de 30% em relação a abril. De acordo com a ANP, o crescimento está associado ao processo de comissionamento do FPSO P-79, no Campo de Búzios.
Apesar do avanço mensal, a queima apresentou queda de 37% na comparação com maio de 2025, refletindo a melhoria dos sistemas de aproveitamento do gás e a maturidade operacional dos projetos em produção.
Produção offshore segue dominante
Os dados da ANP mostram que a produção nacional continua fortemente concentrada no ambiente marítimo. Em maio, os campos offshore responderam por 98,1% de todo o petróleo produzido no país e por 88,9% da produção de gás natural.
A Petrobras, individualmente ou em consórcio com outras empresas, manteve posição predominante na indústria, sendo responsável por 87,78% do volume total produzido. A produção nacional teve origem em 6.373 poços, dos quais 602 são marítimos e 5.771 terrestres.
A manutenção da produção em níveis historicamente elevados reforça a importância do petróleo e do gás natural para a segurança energética brasileira e consolida o pré-sal como principal vetor de crescimento da indústria de óleo e gás no país.



