CMSE vê cenário confortável para o SIN em 2026 com reservatórios elevados e melhora hidrológica no Sul

Recuperação das afluências na Região Sul e níveis de armazenamento acima de 70% no Sistema Interligado Nacional reforçam segurança do suprimento, apesar da elevada probabilidade de um El Niño forte no segundo semestre

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) avaliou que o Sistema Interligado Nacional (SIN) apresenta condições favoráveis para garantir o atendimento eletroenergético em 2026, sustentado por níveis elevados de armazenamento dos reservatórios e pela melhora das condições hidrometeorológicas observada nas últimas semanas, especialmente na Região Sul.

Durante a 320ª reunião ordinária do colegiado, realizada nesta quarta-feira (1º), o Ministério de Minas e Energia (MME) destacou a recuperação das condições hídricas na bacia do rio Iguaçu e em outros importantes reservatórios da região, fator que contribuiu para elevar a segurança operativa do sistema em meio ao início do período seco.

A avaliação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que a atuação recorrente de frentes frias e massas de ar polar nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste favoreceu a ocorrência de chuvas e reduziu as temperaturas ao longo de junho, criando um ambiente mais favorável para a preservação dos estoques de água.

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Reservatórios iniciam período seco em patamar confortável

Ao final de junho, o armazenamento equivalente do SIN alcançou aproximadamente 71%, nível considerado robusto para esta época do ano. Os subsistemas Norte e Nordeste registraram os maiores volumes armazenados, com 95% e 89% da capacidade máxima, respectivamente.

No principal subsistema do país, o Sudeste/Centro-Oeste, responsável pela maior parte da capacidade de regularização hídrica nacional, os reservatórios encerraram o mês em 66% de armazenamento. Já o Sul atingiu 63%, beneficiado pela melhora das condições meteorológicas nas últimas semanas.

Os dados reforçam um cenário significativamente mais confortável em comparação com períodos de maior estresse hidrológico enfrentados pelo país nos últimos anos, ampliando a capacidade de gestão das afluências e conferindo maior flexibilidade ao despacho das usinas hidrelétricas.

El Niño permanece no radar do setor elétrico

Apesar do quadro favorável, o CMSE e o ONS mantêm atenção redobrada sobre as projeções climáticas para o segundo semestre. O colegiado ressaltou a elevada probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, com predominância de cenários que apontam para intensidade forte ou muito forte.

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A preocupação decorre dos potenciais impactos do fenômeno sobre o comportamento hidrológico das principais bacias brasileiras. Historicamente, eventos de El Niño tendem a provocar redução das chuvas em parte das regiões Norte e Nordeste e alterações relevantes nos regimes de precipitação do Sudeste e Centro-Oeste, áreas estratégicas para a formação das afluências do SIN.

Mesmo diante dessa perspectiva, os modelos apresentados ao comitê indicam que o sistema inicia o novo ciclo climático em posição mais resiliente, apoiado pelo elevado nível de armazenamento acumulado.

Energia natural afluente permanece abaixo da média

Os dados hidrológicos de junho mostram que a Energia Natural Afluente (ENA) permaneceu abaixo da Média de Longo Termo (MLT) em todos os subsistemas.

No período, a ENA atingiu:

  • 93% da MLT no Sudeste/Centro-Oeste;
  • 82% da MLT no Sul;
  • 59% da MLT no Nordeste;
  • 58% da MLT no Norte.

Em termos consolidados, o SIN registrou a ENA equivalente a 82% da média histórica.

Para julho, os cenários elaborados pelo ONS indicam perspectivas mais favoráveis para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, com projeções entre 87% e 105% da MLT, enquanto o Sul apresenta elevada volatilidade, com estimativas variando de 50% a 125% da média histórica.

Termelétricas seguem como instrumento de segurança operativa

No horizonte de atendimento de potência, o ONS informou que poderá recorrer de forma complementar ao parque termelétrico em cenários de maior demanda ou de condições hidrológicas adversas. A estratégia também prevê a operação otimizada das hidrelétricas do rio São Francisco e o uso coordenado do reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu como instrumentos adicionais para assegurar a confiabilidade do suprimento.

A combinação entre armazenamento elevado, despacho térmico complementar e gestão estratégica dos reservatórios amplia a capacidade de resposta do sistema diante de eventuais eventos climáticos extremos.

Expansão da infraestrutura reforça resiliência do sistema

O CMSE também destacou o avanço da expansão da infraestrutura elétrica brasileira. Em junho, entraram em operação comercial 184,5 MW de capacidade instalada de geração centralizada, com destaque para o Complexo Fotovoltaico Lagoinha, em Russas (CE), responsável por adicionar 165 MW ao sistema.

No segmento de transmissão, foram incorporados 1.012 quilômetros de novas linhas, incluindo os circuitos de 500 kV Xingó-Camaçari II e Presidente Juscelino-Vespasiano 2, empreendimentos considerados relevantes para o reforço da confiabilidade do SIN. A ampliação da malha de transmissão e da capacidade de geração ocorre em um momento estratégico, marcado pelo crescimento da participação das fontes renováveis e pelo aumento da complexidade operativa do sistema elétrico brasileiro.

Mercado de curto prazo movimenta R$ 3,07 bilhões

No campo da comercialização, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) informou que a liquidação financeira do Mercado de Curto Prazo (MCP), referente a maio de 2026, movimentou R$ 3,07 bilhões. Do total contabilizado, R$ 2,64 bilhões foram efetivamente liquidados, enquanto R$ 424,4 milhões permaneceram inadimplidos. A Conta de Energia de Reserva (CONER) recebeu créditos de R$ 414,81 milhões, equivalentes a 15,7% do montante liquidado.

O monitoramento permanente das condições de suprimento seguirá como prioridade do CMSE ao longo do segundo semestre, período em que o comportamento do El Niño e a evolução das afluências serão determinantes para o planejamento operativo do Sistema Interligado Nacional.

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