Centenário do complexo hidrelétrico em Cubatão destaca modernização da operação, preservação do patrimônio e transmissão de conhecimento entre trabalhadores
A Usina Henry Borden completa 100 anos de operação em outubro, marcando um século de atividade de um dos principais complexos hidrelétricos do estado de São Paulo. Mais do que a longevidade da infraestrutura, o centenário evidencia a participação de diferentes gerações de profissionais na operação, manutenção e modernização das instalações.
Localizado em Cubatão (SP), o complexo atravessou mudanças tecnológicas e institucionais ao longo de sua história. A evolução da usina exigiu a atualização dos processos operacionais e a incorporação de novas tecnologias, mantendo a experiência acumulada pelas equipes como parte importante da continuidade da operação.
Modernização mantém experiência acumulada
Entre os profissionais que acompanharam parte dessa transformação está Luis Gustavo Salgado Aguiar, supervisor de Operação que trabalha na Henry Borden desde 1996, quando ingressou na então Eletropaulo por concurso público. Ao longo de quase três décadas, ele acompanhou a criação da Emae e processos de modernização das usinas subterrânea e externa.
A evolução tecnológica alterou procedimentos e exigiu capacitação das equipes para a operação dos equipamentos modernizados. Para Aguiar, a adaptação foi necessária para preservar a capacidade operacional de uma instalação centenária: “Com toda a modernização, tivemos que aprender uma nova forma de operar. Era um passo necessário para manter uma usina centenária preparada para o futuro”, resume.
A relação do profissional com o complexo também se estendeu à vida pessoal. Depois de morar na Vila Residencial entre 2001 e 2007, Aguiar voltou a viver no local há cinco anos com a família. A experiência reforçou o vínculo com a comunidade formada em torno da usina: “Todos se conhecem, os vizinhos são praticamente irmãos de trabalho e meus netos podem brincar na rua com segurança. É um lugar que mantém vivo o sentimento de pertencimento que sempre existiu por aqui.”
Preservação como parte da continuidade
A transmissão de conhecimento entre profissionais também aparece na trajetória de Fernando Zaghi, que chegou à Henry Borden em 2014 após solicitar transferência em busca de maior qualidade de vida. Em Cubatão, além da experiência profissional, construiu vínculos familiares e passou a acompanhar de perto a história do complexo.
A convivência com trabalhadores mais experientes contribuiu para sua percepção sobre a necessidade de preservar uma infraestrutura que atravessou diferentes fases do setor elétrico: “A Usina Henry Borden tem um valor que vai muito além da minha profissão. Foi aqui que minha filha nasceu e onde consegui conciliar o trabalho com a vida em família. Também aprendi com profissionais que dedicaram décadas à usina e me ensinaram a importância de preservar esse patrimônio.”
A preocupação com a continuidade do conhecimento também orienta a mensagem que Zaghi transmite aos profissionais mais jovens: “Aprendam a cuidar e zelar por este patrimônio e deixem para o próximo a condição em que gostariam de encontrar.”
Nova geração assume a operação
A renovação das equipes é representada por Wilson Alves Pereira, de 29 anos. Nascido em Cubatão, ele cresceu convivendo com a estrutura da Henry Borden e ingressou na empresa em 2018, por concurso público, como mecânico de manutenção. Desde então, concluiu a graduação em Engenharia Mecânica e, em 2026, assumiu a coordenação de Operações. A trajetória reúne formação técnica, experiência adquirida na própria usina e avanço para uma posição de liderança.
A relação construída com o complexo também influenciou sua trajetória pessoal e profissional: “A Henry Borden me proporcionou tudo o que tenho hoje. Consegui me formar, construir minha família, morar em um lugar tranquilo e crescer como profissional e como pessoa. Agora quero continuar estudando para contribuir ainda mais com a empresa.”
Um século de operação e conhecimento
O centenário da Henry Borden combina a preservação de uma infraestrutura histórica com a necessidade de manter a usina preparada para as exigências atuais do setor elétrico. A modernização dos equipamentos e dos processos de operação permitiu incorporar novas tecnologias sem interromper a transmissão do conhecimento acumulado pelas equipes.
As trajetórias de profissionais que ingressaram em diferentes momentos da história do complexo mostram como a continuidade operacional depende não apenas de equipamentos e instalações, mas também da formação, da experiência e da capacidade de adaptação das equipes.
Ao completar 100 anos, a Henry Borden chega ao centenário com uma história marcada pela engenharia, pela modernização e, sobretudo, pela atuação de profissionais que ajudaram a preservar o complexo e preparar sua operação para as próximas décadas.



