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Mapeamento geológico ganha protagonismo na corrida por minerais críticos da transição energética

Mapeamento geológico ganha protagonismo na corrida por minerais críticos da transição energética

Diretor-presidente do SGB afirma que dados pré-competitivos reduzem riscos exploratórios, atraem capital privado e fortalecem a posição do Brasil na cadeia global de minerais estratégicos

O avanço da transição energética global e a crescente demanda por minerais críticos estão reposicionando o Brasil no mapa mundial da mineração. Para especialistas do setor, a capacidade de transformar potencial geológico em reservas economicamente viáveis dependerá cada vez mais da qualidade das informações sobre o subsolo brasileiro e da redução dos riscos associados às fases iniciais de pesquisa mineral.

Nesse contexto, o diretor-presidente do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Vilmar Simões, defendeu que a produção de conhecimento geocientífico pré-competitivo é um dos principais instrumentos para impulsionar investimentos, ampliar a competitividade do país e acelerar o desenvolvimento da cadeia de minerais estratégicos.

A declaração foi feita durante o painel “Minerais: licença para operar e territórios para transformar”, realizado nesta terça-feira (30), em São Paulo, dentro da programação do CNN Talks – Nova Era da Mineração, evento que reuniu representantes do governo federal, executivos da indústria mineral e lideranças setoriais para discutir o papel da mineração na economia de baixo carbono.

Dados geológicos reduzem riscos e destravam investimentos

Em um ambiente global marcado pela disputa por minerais essenciais à eletrificação e à descarbonização, a disponibilidade de dados geológicos públicos e de qualidade tornou-se um fator decisivo para a atração de investimentos de longo prazo.

O mapeamento pré-competitivo realizado pelo SGB permite identificar áreas com maior potencial mineral e reduz significativamente as incertezas das etapas iniciais de exploração, tradicionalmente consideradas as de maior risco para os investidores.

Ao detalhar a contribuição da instituição para o desenvolvimento da mineração nacional, Vilmar Simões afirmou: “Essas informações permitem identificar áreas com maior potencial para a ocorrência de minerais, incluindo os minerais estratégicos. Isso reduz as incertezas nas etapas iniciais da pesquisa mineral. Nossos dados também subsidiam políticas públicas, o planejamento territorial e a gestão sustentável dos recursos minerais.”

Para o setor, a redução da assimetria de informações contribui para acelerar decisões de investimento, diminuir custos exploratórios e ampliar a competitividade brasileira diante de outros grandes produtores globais de minerais estratégicos.

Brasil amplia relevância na cadeia de minerais críticos

A expansão das energias renováveis, da mobilidade elétrica e dos sistemas de armazenamento em baterias elevou a importância geopolítica de minerais como níquel, grafita, manganês, terras raras e nióbio, insumos fundamentais para a fabricação de turbinas eólicas, painéis solares, baterias e equipamentos de alta tecnologia.

Com reservas relevantes desses recursos, o Brasil surge como um dos países mais bem posicionados para atender à crescente demanda internacional. Ao abordar as vantagens competitivas nacionais, o presidente do SGB destacou: “Ocupamos posições de destaque mundial em minerais estratégicos, como nióbio, grafita, níquel, manganês e terras raras.”

O cenário abre espaço para a expansão de investimentos em pesquisa mineral, desenvolvimento de novas minas e fortalecimento das cadeias industriais associadas à transição energética.

Planejamento de longo prazo e alinhamento institucional

O fortalecimento da agenda mineral também está associado ao planejamento estratégico conduzido pelo governo federal. As iniciativas do Serviço Geológico do Brasil estão alinhadas às diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME), ao Plano Nacional de Mineração e aos Planos Decenais de Mapeamento Geológico e de Pesquisa de Recursos Minerais (PlanGeo).

Durante sua participação no evento, Vilmar Simões ressaltou que o apoio institucional tem sido fundamental para ampliar a capacidade de execução dos projetos e acelerar a produção de conhecimento geocientífico no país. A integração entre planejamento governamental, produção de dados técnicos e atração de capital privado é vista pelo setor como um elemento central para que o Brasil consolide sua participação na cadeia global de suprimentos de minerais críticos.

Conselho Nacional de Política Mineral reforça governança

O Serviço Geológico do Brasil também passou a ocupar posição estratégica no recém-criado Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), colegiado responsável pela formulação de diretrizes para o desenvolvimento sustentável da mineração brasileira. A atuação do conselho busca conciliar expansão da atividade mineral, atração de investimentos e atendimento às exigências socioambientais cada vez mais rigorosas dos mercados internacionais.

Para o mercado, a combinação entre conhecimento geológico, segurança regulatória e governança ambiental tende a ser determinante para posicionar o país como um fornecedor estratégico de matérias-primas essenciais à transição energética global.