Espaço interativo instalado na sede da autarquia projeta atrair 28 mil visitantes ao ano e marca a estratégia regulatória de interiorização do conhecimento sobre a transição energética
O direcionamento de investimentos regulatórios em projetos de conscientização pública ganhou um novo ativo estratégico na capital federal. A Neoenergia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) inauguraram, nesta quarta-feira (1º/07), o Museu ANEEL de Eficiência Energética. Localizado no pavimento térreo da sede da autarquia, em Brasília, o complexo cultural e pedagógico demandou um aporte inicial de R$ 5,3 milhões. Os recursos, que cobrem a implantação e o custeio do primeiro ano de operação, foram viabilizados pela Neoenergia Brasília por meio do Programa de Eficiência Energética (PEE), política pública regulada pela agência.
Viabilizado por meio de um Termo de Cooperação Técnica entre a concessionária e o órgão regulador, o projeto foi estruturado para aproximar a sociedade civil dos fundamentos técnicos e socioambientais que regem o setor elétrico. A projeção operacional é receber mais de 28 mil visitantes anualmente. Desse total, cerca de 13 mil pessoas devem passar por capacitações voltadas à robótica e metodologias ativas no chamado Espaço Maker, uma área de desenvolvimento prático integrada ao complexo.
Embora o atendimento seja universal mediante agendamento digital prévio, as ações prioritárias focam no ecossistema educacional: estudantes, professores e pesquisadores das redes pública e privada de ensino. Para assegurar a inclusão social e mitigar barreiras logísticas, o programa custeará o transporte de turmas de escolas públicas, oferecendo acesso integralmente gratuito ao acervo.
Experimentação científica e engajamento da comunidade
O circuito expositivo reúne 20 experimentos dinâmicos focados em fenômenos de física, magnetismo e óptica, correlacionando-os diretamente com a evolução histórica e tecnológica dos sistemas de potência. A engenharia pedagógica do espaço também contempla módulos expositivos focados na operação de fontes renováveis, como a geração eólica e solar fotovoltaica, e na gestão da demanda pelo lado do consumo.
A consolidação do museu reflete a maturação das diretrizes de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental corporativa. Representando o braço privado da parceria, a vice-presidente da Neoenergia, Solange Ribeiro, contextualizou o impacto da iniciativa no desenvolvimento das comunidades atendidas: “Este museu representa um legado para a sociedade e reforça o propósito da Neoenergia de transformar conhecimento em evolução real. Mais do que um centro de visitação, criamos oportunidades para que crianças, jovens e educadores entendam, na prática, a importância da sustentabilidade. É uma iniciativa que amplia a nossa atuação direta em benefício da comunidade.”
Agenda de 30 anos e expansão nacional do modelo
A abertura do museu ocorre em um momento simbólico para o arcabouço regulatório nacional, coincidindo com as comemorações das três décadas de criação da agência reguladora. Do ponto de vista institucional, o projeto sinaliza uma postura de maior abertura do regulador em relação aos consumidores finais, que passam a exercer papel ativo na descentralização da matriz elétrica.
Durante a solenidade de abertura, o diretor-geral da ANEEL, Sandoval Feitosa, defendeu o papel da formação de base para o planejamento energético de longo prazo e o desenvolvimento sustentável do país: “Hoje damos o primeiro passo desse caminho: plantamos a educação. Amanhã, quando um estudante descobrir como funciona uma fonte renovável, quando um professor levar para a sala de aula o que viu aqui, damos o segundo passo: transformamos pessoas. E daqui a alguns anos, quando essas pessoas estiverem decidindo como gerar, consumir e cuidar da energia no Brasil, teremos dado o passo final: mudaremos o mundo. O setor elétrico brasileiro está fazendo a sua parte. A ANEEL, ao completar 30 anos, escolhe começar essa nova década de portas abertas, ouvindo, ensinando e aprendendo. Porque acreditamos que cada estudante que entrar neste museu pode ser a pessoa que vai transformar o mundo amanhã.”
A relevância institucional da entrega no contexto do aniversário da autarquia foi endossada pelo diretor da ANEEL, Willamy Frota, que dimensionou o valor do projeto para a formação dos futuros quadros técnicos da infraestrutura nacional: “Este é um espaço extraordinário para a educação brasileira, e para a ANEEL é um feito muito importante, que marca os 30 anos de serviços prestados ao Brasil. Então, para nós esse museu tem um significado diferenciado e exponencial. O propósito desse projeto é sermos geradores de conhecimento, trazendo futuros profissionais, contribuindo num ambiente de cidadania.”
A entrega do espaço em Brasília deve funcionar como um projeto-piloto para uma política de difusão científica mais ampla. De acordo com o superintendente de Inovação e Transição Energética da ANEEL, Paulo Luciano Carvalho, o objetivo técnico de longo prazo é replicar essa infraestrutura para além do Distrito Federal: “A meta da ANEEL é que todas as capitais brasileiras possam contar com museus nos mesmos moldes do que inauguramos hoje, proporcionando a estudantes e professores de nossas comunidades o acesso ao conhecimento sobre a geração, transmissão e distribuição de energia, bem como sobre a importância do uso consciente.”
O evento de inauguração reuniu as principais lideranças setoriais do país, incluindo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Márcio Rea, a presidente executiva da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), Talita Porto, além de executivos da Neoenergia, membros do corpo diplomático e técnicos do setor. As visitas públicas começam nesta quinta-feira (02/07), e o agendamento de horários pode ser efetuado na página oficial da Neoenergia ou presencialmente na recepção do museu.



