PMO de julho: ONS projeta estabilidade hídrica no Sudeste e expansão de 1,9% na carga do SIN

Primeiro balanço do Operador para o próximo mês aponta afluências próximas à média histórica no principal subsistema e CMO equalizado em R$ 145,64/MWh na maior parte do país

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou as premissas do Programa Mensal de Operação (PMO) para o mês de julho de 2026, indicando um cenário de equilíbrio hídrico no principal centro de armazenamento e consumo do país. De acordo com os dados consolidados pelo operador, as chuvas nas usinas hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste deverão convergir para valores muito próximos à média histórica para o período. Em paralelo, a demanda global do Sistema Interligado Nacional (SIN) mantém sua trajetória de expansão sustentada, com previsão de carga estimada em 77.737 MW médios, o que representa um incremento de 1,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

As projeções de Energia Natural Afluente (ENA) e os níveis de armazenamento desenham, contudo, assimetrias regionais marcantes entre os subsistemas. Para o Sudeste/Centro-Oeste, região que concentra a maior capacidade de regularização plurianual do país, a expectativa é que a ENA encerre o mês de julho atingindo 96% da Média de Longo Prazo (MLT). Com esse volume de aportes hídricos, os reservatórios locais devem apresentar oscilação mínima, finalizando o período com 65,8% de sua capacidade máxima de armazenamento, frente aos 65,3% verificados no encerramento de junho.

Comportamento hidrológico revela fortes contrastes regionais

Enquanto o Sudeste se estabiliza, o subsistema Sul desponta como o principal destaque hídrico do SIN. Impulsionado por previsões meteorológicas robustas, o índice de afluências da região deve alcançar 151% da MLT. O forte volume projetado resultará em um expressivo descarregamento hídrico e consequente elevação do nível de seus estoques, que devem saltar de 54,8% para 87,0% da capacidade máxima ao fim do mês.

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Nas demais regiões, o cenário reflete o período de estiagem sazonal. O Nordeste enfrenta condições climáticas mais severas, com a ENA projetada em 64% da média histórica, o que deve provocar o recuo do armazenamento de 89,7% para 82,9%. O Norte segue tendência similar de baixas afluências, estimadas em 63% da MLT. Apesar disso, a estabilidade de seus estoques hídricos está assegurada, apresentando variação marginal de 94,0% para 94,4%.

Projeção de Energia Natural Afluente (ENA) – Julho/2026
SubsistemaPorcentagem da Média de Longo Prazo (MLT)
Sul151%
Sudeste/Centro-Oeste96%
Nordeste64%
Norte63%

Demanda avança 7,5% no Nordeste e contrasta com recuo no Sul

O crescimento global de 1,9% na demanda do SIN para julho encobre dinâmicas de consumo bastante distintas entre as regiões econômicas. O maior vetor de expansão do mês provém do subsistema Nordeste, cuja carga prevista aponta para expressivos 13.382 MW médios, uma variação positiva de 7,5% em relação a julho do ano anterior. O subsistema Norte também projeta aceleração acentuada, expandindo sua demanda em 6,3% para alcançar 8.563 MW médios.

No centro econômico do país, o Sudeste/Centro-Oeste operará com relativa estabilidade de consumo, demandando 42.299 MW médios, o que representa uma alta discreta de 0,5%. O único recuo na projeção de mercado ocorre no subsistema Sul, que deve registrar queda de 1,1% na carga de energia, fechando o período em 13.493 MW médios.

Despacho térmico por inflexibilidade e comportamento do CMO

Para assegurar o atendimento eletroenergético contínuo e respeitar as restrições operativas das bacias hidrográficas, a programação do ONS prevê a manutenção de um parque térmico ativo no SIN. Na primeira semana operativa de julho, o despacho totalizado das usinas térmicas alcançará 7.251 MW médios. A maior fatia dessa geração decorre do fator de inflexibilidade declarada pelos agentes, que soma 5.542 MW médios, enquanto o acionamento por ordem de mérito responderá por 1,709 MW médios.

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No Sudeste/Centro-Oeste, o despacho térmico totalizará 4.010 MW médios. Essa programação está ancorada primordialmente pela inflexibilidade da geração nuclear de Angra 1 e Angra 2, operando com 640 MW e 1.350 MW, respectivamente, e por usinas a gás natural e biomassa de menor porte.

Como reflexo direto dessas variáveis hídricas e de demanda, o Custo Marginal de Operação (CMO) apresentará uniformidade tarifária em quase todo o território nacional. Os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste operam com CMO médio semanal equalizado em R$ 145,64/MWh. A única exceção ocorre no subsistema Norte, cujo isolamento elétrico e restrições locais de rede elevam o custo marginal médio para R$ 313,04/MWh na primeira semana operativa do mês.

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