ONS supera “efeito Copa” e garante estabilidade do SIN sob rampa recorde de carga

Operação especial na fase de grupos registrou salto de 5,6 mil MW em apenas nove minutos no intervalo do jogo contra a Escócia; comportamento exigiu manobra ágil em hidrelétricas.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) concluiu o balanço técnico da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) durante a primeira fase da Copa do Mundo de 2026. A avaliação aponta que a rede elétrica brasileira manteve total estabilidade estrutural durante as três primeiras partidas da Seleção Brasileira, superando variações extremas de consumo causadas pelo comportamento simultâneo de milhões de consumidores em todo o território nacional.

O chamado “efeito Copa” impõe um dos desafios de despacho e controle de frequência mais complexos para a engenharia de sistemas de potência do país. Durante as transmissões, o desligamento massivo de maquinários industriais e aparelhos comerciais derruba a carga rapidamente, enquanto os intervalos e o encerramento das partidas disparam uma retomada abrupta da demanda por energia, fenômeno que exige resposta em tempo real do parque gerador para evitar oscilações na frequência da rede.

O desafio da rampa recorde no confronto contra a Escócia

O cenário mais crítico de estresse operativo foi registrado na última quarta-feira, 24 de junho de 2026, no duelo entre Brasil e Escócia. Na ocasião, o SIN testemunhou uma retração expressiva de demanda na transição para o primeiro tempo, com a carga despencando de um patamar de 98 mil MW antes do jogo para 82,1 mil MW. O recuo consolidou uma redução de demanda de aproximadamente 9.058 MW.

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A maior complexidade operacional, contudo, concentrou-se no intervalo da partida. Em um intervalo de apenas nove minutos, o consumo nacional disparou 5.632 MW. O salto técnico configurou a maior rampa de elevação de carga já observada em períodos de intervalo de jogos da Seleção Brasileira nas últimas três edições da Copa do Mundo. A pressão sobre o sistema repetiu-se logo após o encerramento do confronto, quando a demanda expandiu mais 8.546 MW em um intervalo de 18 minutos.

Flexibilidade hidráulica blinda o SIN contra apagões

Para acomodar variações da magnitude de uma rampa recorde sem comprometer a estabilidade de tensão do país, a sala de controle do ONS aciona uma estratégia de reserva girante baseada na flexibilidade operativa das usinas hidrelétricas. Diferente de térmicas ou usinas nucleares, as turbinas hidráulicas conseguem abrir ou fechar suas comportas em questão de minutos, respondendo com precisão à volatilidade da carga.

Esse padrão de comportamento intermitente do consumidor já havia sido monitorado e mitigado nas duas rodadas anteriores da competição. Nos confrontos anteriores, contra Haiti e Marrocos, o comportamento foi semelhante, com quedas expressivas durante as partidas e recuperação do consumo logo após o término dos jogos.

O sucesso nas manobras consolida o planejamento especial elaborado pelo operador e pelos agentes de geração e transmissão para o torneio de 2026, assegurando o suprimento e a integridade da infraestrutura energética do país mesmo diante dos picos históricos de simultaneidade do SIN.

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