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Caminhões a GNL: Edge estrutura projeto de logística off-grid em parceria com Nimofast e Green Cargo

Caminhões a GNL: Edge estrutura projeto de logística off-grid em parceria com Nimofast e Green Cargo

Plataforma GreenTech Logística Integrada utilizará infraestrutura do Terminal de Santos e biometano de Paulínia para descarbonizar frotas pesadas a partir de 2026.

A Edge, subsidiária de gás e energia da Compass pertencente ao conglomerado Cosan, anunciou nesta quarta-feira, 24 de junho, o lançamento de uma plataforma que promete acelerar a descarbonização do transporte rodoviário de longa distância no Brasil. Batizada de GreenTech Logística Integrada, a iniciativa consiste em um projeto de logística de transporte pesado estruturado inteiramente sob o conceito off-grid (desconectado da rede de gasodutos), utilizando o gás natural liquefeito (GNL) como combustível substituto ao diesel.

A operação é fruto de uma cooperação estratégica firmada entre a companhia da Cosan, o grupo Nimofast e a Green Cargo. O arranjo comercial e operacional desenha um ecossistema completo de suprimento e distribuição, unindo a infraestrutura portuária de regaseificação à tecnologia de veículos movidos a combustíveis alternativos.

Hub em Santos e infraestrutura de suprimento integrado

O modelo de negócios da GreenTech Logística Integrada apoia-se em um contrato de suprimento com vigência de dez anos de duração. O insumo que abastecerá a frota terá origem no Terminal de Regaseificação de GNL de Santos (TRSP), ativo estratégico localizado no principal porto do país e controlado pelo grupo Cosan.

O TRSP possui capacidade nominal de regaseificação de 14 milhões de metros cúbicos por dia (14 milhões de m³/dia) e pode armazenar até 173 mil metros cúbicos (173 mil m³ de GNL, o equivalente a 103 milhões de metros cúbicos (103 milhões de m³) de gás natural em estado gasoso. O terminal opera por meio de uma Floating Storage and Regasification Unit (FSRU), uma embarcação especializada responsável pelo recebimento, estocagem e processamento térmico do combustível importado ou produzido no país. A partir dessa estrutura, a Edge viabilizará a distribuição física do GNL de forma rodoviária para os pontos de consumo off-grid.

O papel estratégico do biometano de Paulínia

Como parte da estratégia para reduzir de forma ainda mais expressiva a pegada de carbono do projeto, a Edge previu a incorporação progressiva de biometano à matriz de combustível do projeto. O gás de origem renovável será fornecido pela Onebio a partir de uma planta localizada no polo industrial de Paulínia (SP).

A unidade produtora é controlada pela própria Edge, o que assegura verticalização e controle de qualidade sobre o insumo. A introdução do biometano no ecossistema ocorrerá por meio de certificação por atributo, garantindo a rastreabilidade ambiental do combustível que será misturado ou compensado na operação logística pesada.

Divisão de escopo e cronograma da frota JAC Motors

O acordo tripartite possui escopos operacionais e de investimentos bem definidos entre os parceiros:

  • Edge (Cosan): Fica encarregada de gerenciar o fornecimento contínuo de GNL e biometano, estruturando os canais de abastecimento do combustível.
  • Green Cargo: Assume a responsabilidade pelo fornecimento e manutenção dos caminhões pesados que compõem a operação.
  • Grupo Nimofast: Executa a gestão logística e a inteligência operacional do projeto, atuando por meio da Interconecta Logística.

O cronograma oficial estabelece que as operações terão início em 2026. A fase inicial contará com o recebimento e a entrada em circulação de 60 caminhões movidos a GNL fabricados pela JAC Motors. O planejamento prevê que o volume de veículos seja expandido de forma escalonada nos anos subsequentes ao início do projeto.

Indicadores de sustentabilidade e metas de transição energética

A substituição do óleo diesel de origem fóssil pelo gás natural liquefeito na malha rodoviária de longa distância responde às pressões por metas de ESG no setor de logística de carga. De acordo com os dados técnicos divulgados pela Edge, a transição da frota para o GNL enriquecido com biometano trará ganhos ambientais imediatos e significativos em termos de emissões atmosféricas regionais e globais.

A projeção da companhia aponta que a tecnologia é capaz de gerar uma redução de até 25% nas emissões de dióxido de carbono (CO₂), principal gás causador do efeito estufa. Além do ganho climático, o projeto mitiga os impactos na saúde pública e na qualidade do ar ao cortar em até 90% a liberação de material particulado na atmosfera pela frota pesada, índice crítico associado à queima do diesel convencional nas rodovias.