Alupar amplia receita regulatória em 10,3% no 2T26 e acelera expansão com R$ 10 bilhões em projetos de transmissão

Companhia aprova R$ 69,2 milhões em dividendos, inicia obras de 551 km da TECP após licença do Ibama e projeta economia de 30% em novo lote da ANEEL em SP.

A Alupar divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026 registrando crescimento em seus principais indicadores financeiros e operacionais. A receita líquida regulatória consolidada da companhia somou R$ 946,1 milhões entre abril e junho, o que representa uma alta de 10,3% na comparação com os R$ 858,0 milhões apurados no 2T25. No mesmo período, o EBITDA regulatório consolidado atingiu R$ 724,7 milhões, avanço anual de 6,5%, enquanto o lucro líquido regulatório atribuído aos acionistas alcançou R$ 159,0 milhões.

Sob a métrica societária (IFRS), os números demonstraram forte expansão: a receita líquida chegou a R$ 1,6 bilhão, salto de 55,4% frente ao ano anterior, ao passo que o lucro líquido societário somou R$ 416,6 milhões, ante R$ 144,9 milhões no 2T25. Acompanhando o balanço, o Conselho de Administração aprovou a distribuição de R$ 69,2 milhões em dividendos intercalares (R$ 0,07 por ação ordinária/preferencial e R$ 0,21 por unit), com pagamento programado para ocorrer em até 60 dias.

Pipeline de R$ 10 bilhões sustenta expansão na América Latina

A performance no trimestre reflete a maturação do plano de investimentos da geradora e transmissora, que combina geração de caixa previsível e expansão geográfica.

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Ao avaliar o momento operacional e a estratégia de alocação de capital da empresa, o diretor de Relações com Investidores da Alupar, Luiz Coimbra, enfatiza que os resultados correntes decorrem da entrada em operação de projetos estruturados nos últimos anos: “A Alupar tem um modelo de negócio construído sobre receita contratada de longo prazo e disciplina na alocação de capital, e é essa base que sustenta o nosso crescimento. Nos últimos meses, ativos que planejamos anos atrás entraram em operação e já contribuíram para o crescimento no resultado do trimestre. Destacamos também a conquista de mais um importante projeto, alinhado aos nossos critérios de retorno. Com isso, temos atualmente em implantação 14 empreendimentos no Brasil, Chile, Colômbia e Peru, que totalizam investimentos de cerca de R$ 10 bilhões e uma RAP de R$ 1,3 bilhão.”

Atualmente, a companhia conta com 14 projetos de transmissão em fase de implantação, cujos cronogramas de entrada em operação comercial estão distribuídos entre 2026 e 2031.

Expansão em São Paulo e eficiência de capex no Lote 7

Entre os marcos recentes, a Alupar arrematou o Lote 7 do Leilão ANEEL nº 01/2026 (Etapa 2), realizado em julho. Batizado de Transmissora de Energia de São Paulo (TESP), o empreendimento engloba a construção da Subestação São Miguel (345/88 kV) e 17,4 quilômetros de linhas de transmissão subterrâneas na capital paulista. O ativo possui prazo de concessão de 30 anos, previsão de energização para 2031 e Receita Anual Permitida (RAP) associada de R$ 96,7 milhões.

Embora o regulador tenha estimado o investimento em R$ 1,089 bilhão, a empresa sinalizou ao mercado a expectativa de obter um capex cerca de 30% inferior ao valor teto da ANEEL. A inserção da TESP no portfólio amplia a presença do grupo na infraestrutura do principal polo econômico do país, gerando sinergias operacionais diretas com outros ativos do grupo no estado.

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Ao tratar da relevância técnica do novo lote e de sua integração com as obras em andamento na Subestação Centro, Coimbra aponta o papel da transmissora no reforço do sistema paulista: “Por isso, vamos atuar com toda a nossa experiência para contribuir de forma relevante para o desenvolvimento e melhoria da transmissão de energia na cidade de São Paulo, que é considerado o principal polo econômico do país e precisa ter estrutura para isso.”

Avanço do licenciamento ambiental e obras da TECP

No âmbito da TECP (antiga TAP), o grupo obteve em 10 de julho a Licença de Instalação (LI) emitida pelo Ibama para a linha de transmissão de 500 kV em circuito duplo. O projeto, que interliga Silvânia (GO), Nova Ponte 3 (MG) e Ribeirão Preto (SP) ao longo de 551 quilômetros, recebeu autorização para o início imediato das obras. Trata-se da maior frente de investimento individual da Alupar no Brasil no ciclo atual, contando com RAP de R$ 276,8 milhões no ciclo tarifário 2026-2027.

Simultaneamente, o projeto de modernização da Subestação Centro da TECP atingiu 90% de execução física na sua fase 2 (de um total de quatro etapas).

Ao detalhar os ganhos financeiros decorrentes do avanço das obras e da antecipação de cronograma no ativo, o diretor de RI projeta a consolidação de novas receitas: “Com a conclusão da fase 2, teremos uma receita adicional de R$ 18,7 milhões, totalizando R$ 46,5 milhões – o que representa 56% da RAP total do projeto. Destacamos que na implantação da fase 1 tivemos uma antecipação de 11 meses e estamos trabalhando para também antecipar a fase 2.”

Atualização da RAP e aceleração de aportes no Peru

Com o reajuste tarifário anual publicado pelo regulador para o ciclo 2026-2027, a RAP total das 45 concessões da Alupar foi atualizada para R$ 5,1 bilhões. O reajuste foi de 4,72% para os contratos indexados ao IPCA (que respondem por 59% da RAP da empresa) e de 1,92% para as parcelas atreladas ao IGP-M (24% do total).

O fluxo de investimentos acompanhou o ritmo das obras no período: o capex desembolsado nos projetos em implantação somou R$ 354,0 milhões no 2T26, ante R$ 135,2 milhões no primeiro trimestre do ano.

Na frente internacional, a Transmissora Maravilla, no Peru, obteve sua Licença de Instalação em maio, enquanto a TSA garantiu o licenciamento das subestações Bicentenario e Chavarría entre maio e junho. O avanço mais expressivo na América Latina ficou por conta da TCN, que saltou de 28% de avanço físico no 1T26 para 79% no 2T26, com 100% das contratações concluídas.

Ao projetar a entrada em operação comercial da TCN para este ano, Luiz Coimbra pontua o marco institucional para a companhia no mercado peruano: “Este será o primeiro dos nossos projetos de transmissão a operar no país.”

Alta disponibilidade e desalavancagem financeira

As transmissoras sob controle da Alupar mantiveram disponibilidade física média de 99,6% no trimestre. A companhia acumula participação em 45 concessões de transmissão (10.112 km de linhas distribuídos entre Brasil, Chile, Colômbia e Peru), sendo 31 em operação e 14 em implantação. Na geração, o portfólio totaliza 798,5 MW de capacidade instalada em 12 usinas, com cerca de 75% da garantia física contratada via PPAs de longo prazo.

A estrutura de capital encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 9,5 bilhões e alavancagem financeira (Dívida Líquida/EBITDA) de 3,2x, queda frente aos 3,4x registrados no 2T25. As debêntures representam 81,2% do endividamento consolidado. A Alupar preserva nota de crédito AAA (bra) na escala nacional e BB+ em escala internacional, ambas atribuídas pela agência de classificação de risco Fitch Ratings.

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