EPE propõe plano de R$ 1,35 bilhão em transmissão para atender polo minerador no Pará

Planejamento estrutural projeta a entrada de 602 MW de carga adicional até 2039; proposta inclui nova subestação em 230 kV e 369 km de linhas para mitigar restrições de tensão no SIN

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) concluiu o planejamento de longo prazo focado em mitigar o esgotamento estrutural do sistema de transmissão que atende ao sudeste do Pará. O “Estudo de Atendimento ao Sudeste do Pará” detalha um plano de expansão orçado em R$ 1,35 bilhão para solucionar limitações críticas de controle de tensão e capacidade de transporte de energia na região. O redesenho da infraestrutura é crucial para escoar e garantir o suprimento à forte expansão da carga industrial, historicamente tracionada pela atividade mineradora de grande porte conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

O diagnóstico técnico elaborado pela estatal aponta que os reforços recomendados estão divididos em diferentes níveis de tensão e responsabilidade regulatória. Do montante global de investimentos estimados, R$ 1,14 bilhão será direcionado a intervenções na Rede Básica e na Rede Básica de Fronteira (RBF), enquanto R$ 175 milhões deverão custear melhorias na rede de distribuição local. O objetivo central é dar viabilidade técnica ao crescimento de aproximadamente 602 MW de demanda adicional mapeada para os próximos ciclos de planejamento.

Expansão em duas etapas e o perfil da demanda industrial

Para equalizar o cronograma de obras à velocidade de maturação dos investimentos das mineradoras, a EPE estruturou o atendimento em dois horizontes temporais bem definidos, buscando garantir previsibilidade para o atendimento dos agentes que já possuem contratos firmados e daqueles que demandam novas conexões.

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A modelagem da primeira fase abrange o período de 2032 a 2035. Nesta janela, os estudos de fluxo de potência consideraram as cargas em operação, os consumidores com Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) já celebrados e os projetos com elevado grau de probabilidade de implantação, mapeados a partir de solicitações de parecer de acesso encaminhadas recentemente ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Essa etapa inicial prevê a absorção de 113 MW de carga adicional na região.

A segunda fase estende-se de 2036 a 2039. O planejamento energético para este período incorporou os planos de ampliação de capacidade informados formalmente pelas próprias mineradoras operantes no Pará, além de novos projetos de menor porte previstos para se conectarem à rede de distribuição secundária. Essa janela final responde pelo maior incremento físico de demanda, totalizando 489 MW adicionais.

Nova subestação de 230 kV e alternativas técnicas avaliadas

Para solucionar as sobrecargas nas instalações e a instabilidade no perfil de tensão da rede local, a EPE avaliou quatro alternativas técnicas distintas de expansão do sistema, combinando diferentes arranjos de linhas e subestações. O principal desafio de engenharia identificado foi o esgotamento físico e espacial para ampliações na subestação existente Onça Puma.

Como alternativa técnica recomendada para contornar o problema, o estudo propõe a construção de uma nova subestação, batizada de Ourilândia do Norte, com nível de tensão em 230 kV. Entre os anos de 2032 e 2036, a solução integrada preconizada pela EPE prevê a implantação de aproximadamente 369 km de novas linhas de transmissão de alta tensão e o acréscimo de 1.550 MVA de capacidade de transformação de potência.

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As conclusões do relatório reforçam o escopo institucional da estatal no desenvolvimento de análises técnico-econômicas isentas. Os resultados servem de subsídio regulatório para que o Ministério de Minas e Energia (MME) possa balizar as deliberações sobre a inclusão de novas instalações nos próximos leilões de transmissão ou emitir resoluções de autorizações de reforços, assegurando a menor tarifa de uso do sistema para o consumidor final por meio do menor custo global de obras.

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