Com aporte de R$ 116 milhões na capital, distribuidora consolida infraestrutura AMI para 130 mil clientes, integrando automação de rede e combate a perdas comerciais.
A modernização das redes de distribuição de energia elétrica em Santa Catarina registrou um avanço estrutural significativo. A Celesc anunciou que Florianópolis atingiu a marca de 50% de suas unidades consumidoras integradas ao sistema de medição inteligente. Até o momento, mais de 130 mil dispositivos com a nova tecnologia foram instalados na capital catarinense, substituindo os antigos relógios de leitura manual por uma infraestrutura de medição avançada (AMI, na sigla em inglês) capaz de coletar e transmitir dados de consumo em tempo real.
O projeto na capital demanda um investimento estimado em R$ 116 milhões. A iniciativa está inserida em um plano plurianual de aportes estruturados pela concessionária em parceria com o Governo do Estado de Santa Catarina. Entre 2023 e 2026, o montante global direcionado à expansão, automação e robustez do sistema elétrico estadual deve superar a cifra de R$ 5 bilhões até o encerramento deste ano.
Ao analisar o impacto desse plano plurianual de aportes sobre a qualidade do fornecimento, o diretor do Departamento Comercial da Celesc, Wagner Felipe Vogel, ressaltou a diretriz institucionalizada pela concessionária: “Os investimentos na modernização da nossa prestação de serviço são uma forma de reforçar o compromisso da Celesc com cada família e cada cidadão catarinense. Acreditamos que um atendimento eficiente deve ser sempre moderno e facilitado, consumindo menos recursos naturais, com menos burocracia e muito mais veloz.”
Proteção de Receita e Combate a Perdas Comerciais
Além do ganho em eficiência operacional no faturamento, a transição para as redes inteligentes (smart grids) funciona como uma ferramenta estratégica de proteção de receita para a distribuidora. O fluxo contínuo de dados bidirecionais permite monitorar o comportamento da carga de forma preditiva, identificando anomalias no balanço energético local de forma quase instantânea.
Do ponto de vista técnico de proteção de receita e integridade da malha, o gerente do Departamento de Gestão Técnica Comercial da Celesc, Guilherme Saidler, detalhou os mecanismos de monitoramento contínuo viabilizados pelo hardware: “Por meio desta nova tecnologia, a Celesc tem acesso às informações de consumo em tempo real, facilitando a identificação de irregularidades e ligações clandestinas, tendo em vista que não só o consumo da instalação é analisado, bem como alarmes em caso de violação ou tentativas de fraude e fugas de energia na rede.”
As funcionalidades do novo parque de medidores também trazem reflexos diretos na redução do chamado tempo de atendimento aos clientes (DEC/FEC). Com os sensores integrados, o Centro de Operações Integradas (COI) da Celesc é notificado sobre interrupções no fornecimento no exato momento em que elas ocorrem, agilizando o despacho de equipes de campo sem a necessidade de abertura de chamados tradicionais pelos consumidores. Outro ganho de processo ocorre na gestão de inadimplência: o sistema automatizado reconhece a compensação bancária de débitos e executa o comando de religamento remoto imediato, mitigando custos logísticos de deslocamento.
Eficiência Operacional e Desmaterialização Comercial
O impacto corporativo e a experiência do usuário final também foram mapeados pela liderança técnica. Ao definir o posicionamento da tecnologia na cadeia de valor da distribuidora, Guilherme Saidler afirmou: “Este projeto é estratégico para a Celesc, pois impulsiona a modernização da rede elétrica e fortalece a eficiência operacional da companhia. Para os consumidores, representa um ganho significativo em qualidade do serviço, maior transparência no consumo e acesso a soluções mais inteligentes e sustentáveis de energia.”
Associando a infraestrutura de medição avançada à desmaterialização de processos comerciais, o executivo ponderou sobre a transição para faturamentos puramente digitais: “Hoje nós emitimos 270 mil faturas por mês em Florianópolis, quando o cliente faz uso da fatura digital, através do site, ou do aplicativo, ele elimina a necessidade da entrega física de cada uma dessas faturas por um leiturista, agilizando ainda mais o serviço da Celesc. Também reduz o impacto ambiental resultante do consumo de recursos naturais.”
Todo o processo de substituição e calibração dos medidores ocorre sem custos adicionais na fatura ou taxas de instalação para os consumidores da distribuidora, sendo integralmente custeado pelo plano de investimentos regulatórios da companhia.
O Caso de Sucesso da Operação de Araranguá
A modelagem técnica aplicada em Florianópolis utilizou como base os resultados consolidados em Araranguá, município localizado no extremo sul catarinense. A cidade funcionou como o projeto-piloto de digitalização da Celesc e opera hoje com 100% de suas unidades consumidoras conectadas à rede inteligente, após um aporte inicial de R$ 23 milhões.
Os dados de campo da localidade apontam para a eliminação de ruídos tradicionais de faturamento, como variações atípicas por erro humano de leitura e vulnerabilidades a fraudes externas.
A validação prática do modelo de redes inteligentes em Santa Catarina é confirmada por usuários atendidos em projetos anteriores da companhia. O advogado Raoni Pagani, residente de Araranguá, relatou sua experiência com a automação comercial: “As pessoas passaram a confiar mais no sistema na Celesc, não vemos mais notícias sobre tentativas de fraudes, o que era muito comum antigamente. Eu alugo uma casa e sempre que eu preciso ligar e desligar o fornecimento de energia, bem como trocar a titularidade, isso acontece automaticamente, antes do novo inquilino chegar na residência a energia já está estabelecida.”
A consolidação de metade da meta na capital reforça a tendência de digitalização das distribuidoras do Centro-Sul do país, focadas no aumento da resiliência das redes frente a eventos climáticos e no ganho de produtividade comercial através de investimentos baseados em dados de consumo.



