Protocolo de intenções firmado no Brazil Lithium & Critical Minerals Summit 2026 viabiliza o Projeto Arapaima; foco está na prospecção de lítio, terras raras e gálio para a cadeia global de baterias e transição energética
A consolidação de Minas Gerais como um dos principais polos globais de suprimento para a transição energética ganhou um novo capítulo estratégico. Durante a abertura do 3º Brazil Lithium & Critical Minerals Summit 2026, em Belo Horizonte, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e da Invest Minas, oficializou a assinatura de um protocolo de intenções (MoU) com a mineradora canadense Spark Energy Minerals. O acordo prevê o aporte de R$ 150 milhões no Vale do Jequitinhonha, região internacionalmente projetada como o “Vale do Lítio”.
O investimento será canalizado para o chamado Projeto Arapaima, focado em pesquisa geológica avançada e na futura lavra de minerais estratégicos para a economia de baixo carbono. Além do lítio, o planejamento da companhia mira a identificação e cubagem de depósitos de terras raras e gálio, insumos de alta vulnerabilidade geopolítica e fundamentais para a fabricação de sistemas de armazenamento de energia (ESS), semicondutores, mobilidade elétrica e eletrônica de defesa.
Projeto Arapaima: roteiro tecnológico e logístico no Jequitinhonha
A Spark Energy Minerals, com sede em Vancouver, detém uma posição territorial expressiva em Minas Gerais, controlando o maior pacote contíguo de direitos minerários da região, em uma área que supera 91 mil hectares. A proximidade do Projeto Arapaima com empreendimentos já consolidados e operacionais no Vale do Jequitinhonha eleva a atratividade técnica do ativo, mitigando riscos de infraestrutura logística e facilitando o compartilhamento da cadeia de suprimentos.
O cronograma de desenvolvimento está estruturado em etapas sequenciais. Para os próximos anos, as frentes de trabalho concentram-se no detalhamento das pesquisas de campo, elaboração de estudos de viabilidade econômica (PFS e DFS), estruturação de licenciamentos ambientais junto aos órgãos reguladores estaduais e rodadas de captação de recursos no mercado internacional de capitais. Caso os índices de sucesso exploratório sejam confirmados, a expectativa da mineradora canadense é iniciar as operações comerciais de extração a partir de 2030.
A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, enfatizou a inserção de Minas Gerais na reconfiguração das rotas globais de abastecimento industrial: “Em um momento em que o mundo busca diversificar suas cadeias de suprimento de minerais críticos, Minas se posiciona como um destino estratégico para investimentos de longo prazo. Projetos como esse ampliam nossa relevância internacional, fortalecem a competitividade do estado e seguem levando oportunidades para os mineiros do Vale do Jequitinhonha.”
Segurança energética e atratividade de capitais
O anúncio ocorre em um ambiente de forte articulação setorial. O Brazil Lithium & Critical Minerals Summit 2026 reúne comitivas de nações centrais na disputa pela segurança energética, incluindo delegações da Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Índia, Japão, Emirados Árabes Unidos e Austrália. A convergência desses mercados em solo mineiro reflete a necessidade das indústrias automotiva e de geração renovável de encontrar jurisdições minerárias estáveis, seguras e com governança alinhada aos critérios ESG.
A diretora-presidente da Invest Minas, Milena Pedrosa, pontuou o reflexo institucional do avanço do estado na cadeia de valor global: “Minas Gerais está construindo uma posição de protagonismo em uma das cadeias mais estratégicas para o futuro da economia mundial. Projetos como este reforçam o potencial do Vale do Jequitinhonha para atrair grandes projetos, gerar empregos e ampliar a participação do estado nos mercados globais ligados à transição energética. É um movimento que fortalece a região e consolida o Vale do Lítio como uma vitrine internacional de oportunidades.”
A expectativa inicial do projeto, além do adensamento tecnológico e da geração de royalties minerários via CFEM, aponta para a abertura de cerca de 100 postos de trabalho operacionais diretos no Vale do Jequitinhonha. O movimento chancela a estratégia do governo mineiro de transitar de um exportador de commodities brutas para um elo central integrado na cadeia de baterias de alta densidade.



