ISA ENERGIA BRASIL investe R$ 90 mi em tecnologia inédita para destravar rede elétrica em SP

Com investimento de R$ 90 milhões, projeto pioneiro do tipo SSSC otimiza linhas de 138 kV na região de Ribeirão Preto e prepara expansão para o noroeste paulista

A ISA ENERGIA BRASIL inaugurou oficialmente, nesta terça-feira (9), o primeiro projeto do Sistema Interligado Nacional (SIN) a utilizar a tecnologia FACTS (Flexible Alternating Current Transmission Systems) do tipo SSSC (Static Synchronous Series Compensator). Instalado na Subestação Ribeirão Preto (SP) e energizado de forma pioneira em dezembro de 2025, o sistema introduz um novo patamar de eletrônica de potência na rede básica de alta tensão, permitindo o controle dinâmico de fluxo e aumentando a flexibilidade operativa sem a necessidade de construção imediata de novos circuitos físicos.

A aplicação de dispositivos FACTS surge como uma resposta altamente eficiente para o atual momento de transição energética e crescimento acelerado da carga. Ao otimizar a capacidade térmica das linhas de transmissão já existentes, a tecnologia reduz de forma expressiva o time-to-market de expansão da rede, eliminando longos processos de licenciamento ambiental e desapropriação de terras.

Navegação inteligente de fluxo em circuitos de 138 kV

A tecnologia atua diretamente nos módulos de conexão de três linhas de transmissão estratégicas de 138 kV: os circuitos 1 e 2 que ligam Ribeirão Preto a Porto Ferreira, e a interligação Ribeirão Preto – São Simão. O dispositivo injeta uma tensão síncrona em série com a linha, alterando artificialmente sua impedância equivalente e forçando a redistribuição ativa da energia.

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O Diretor-executivo de Projetos da ISA ENERGIA BRASIL, Dayron Urrego, detalha o funcionamento operacional da tecnologia e traça um paralelo com os sistemas digitais de tráfego urbano: “A tecnologia FACTS funciona como uma espécie de aplicativo de navegação de trânsito inteligente, que sempre aponta para o caminho mais livre, redirecionando o fluxo de energia para rotas menos congestionadas. Na prática, trata-se de uma solução eficiente para mitigar congestionamentos em linhas de transmissão e melhorar o desempenho do sistema.”

A cerimônia de inauguração reuniu autoridades e equipes técnicas do Ministério de Minas e Energia (MME), da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), evidenciando o interesse institucional do planejamento central na validação dessa tecnologia para futuras replicações nos Procedimentos de Rede.

Cronograma em fases: Solução emergencial e migração permanente

O projeto foi validado e autorizado pela ANEEL em setembro de 2024, seguindo uma engenharia de implantação modular e em fases. A primeira etapa, alocada em Ribeirão Preto, possui caráter conjuntural e temporário. O objetivo é sanar um gargalo emergencial de subatendimento provocado pela forte expansão do polo industrial local, garantindo a confiabilidade do suprimento enquanto as obras de expansão estrutural de grande porte são finalizadas na região.

Assim que o sistema de Ribeirão Preto for aliviado pelas obras estruturantes, os equipamentos FACTS entrarão na segunda fase do planejamento, migrando para uma instalação definitiva e permanente nas subestações de Votuporanga e São José do Rio Preto, com cronograma de conclusão fixado para 2027.

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O direcionamento estratégico de capital focado em ativos modulares de rápida implantação foi defendido pelo Diretor-presidente da ISA ENERGIA BRASIL, Rui Chammas, que ressaltou a agilidade e o ganho ambiental da iniciativa: “É fundamental para a ISA ENERGIA BRASIL colocar em prática soluções que traduzem inovação aplicada à modernização do setor elétrico brasileiro. Esta iniciativa reforça o nosso compromisso com o melhor aproveitamento da infraestrutura existente em prazo de instalação mais curto e menor impacto ambiental, acelerando a transição energética de forma sustentável.”

Engenharia financeira: Composição de investimentos e RAP

Do aporte global de R$ 90 milhões provisionado pela transmissora para o desenvolvimento da tecnologia, R$ 75 milhões foram integralmente consumidos na primeira fase de engenharia, aquisição e comissionamento em Ribeirão Preto. Os R$ 15 milhões remanescentes cobrirão a logística de transporte, readequação civil e montagem eletromecânica final no noroeste paulista durante a segunda fase.

Do ponto de vista regulatório, o arranjo financeiro do projeto traz liquidez imediata para o fluxo de caixa da companhia. A primeira fase da implantação já garantiu o acréscimo de R$ 12 milhões em Receita Anual Permitida (RAP), sinalizando o reconhecimento do regulador quanto à modicidade tarifária e à eficiência da aplicação de redes inteligentes (smart grids) no transporte de energia do país.

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