Schneider Electric e Fórum Econômico Mundial lançam modelo open source para acelerar digitalização industrial

Iniciativa baseada nas melhores fábricas do mundo busca democratizar a manufatura avançada e reduzir a distância tecnológica entre líderes industriais e empresas de médio porte

A transformação digital da indústria global entrou em uma nova fase. Em meio à crescente pressão por produtividade, descarbonização e eficiência operacional, a Schneider Electric passou a integrar o conselho consultivo do Fórum Econômico Mundial (WEF) responsável pelo desenvolvimento do Lighthouse Operating System (Lighthouse OS), uma plataforma aberta criada para acelerar a modernização industrial em escala global.

A proposta surge em um momento em que a digitalização industrial avança de forma desigual. Embora grande parte das empresas tenha iniciado projetos ligados à Indústria 4.0, poucas conseguiram transformar pilotos isolados em ganhos estruturais e replicáveis. O resultado é uma ampliação da distância entre fábricas altamente digitalizadas e o restante do setor manufatureiro.

O Lighthouse OS foi concebido justamente para atacar esse gargalo. O modelo reúne metodologias operacionais utilizadas pelas plantas industriais mais avançadas do mundo em uma estrutura prática, aberta e escalável, permitindo que empresas de diferentes portes adotem padrões de excelência sem precisar desenvolver sistemas do zero.

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Framework reúne digitalização, automação e sustentabilidade

Desenvolvido pelo Centro de Manufatura Avançada e Cadeias de Suprimentos do Fórum Econômico Mundial, o Lighthouse OS consolida aprendizados acumulados ao longo de oito anos da Global Lighthouse Network, iniciativa que reúne as fábricas consideradas referência mundial em transformação digital e eficiência industrial.

O framework foi estruturado a partir de seis pilares centrais: processos adaptáveis, fluxos conectados, sincronização operacional ponta a ponta, sustentabilidade integrada, aprendizado contínuo e aceleração digital baseada em dados e inteligência analítica.

Na prática, o sistema funciona como uma trilha de maturidade operacional. As empresas conseguem identificar seu estágio atual, definir prioridades e avançar gradualmente na implementação de automação, inteligência artificial, digitalização de processos e integração energética.

Diferentemente de projetos isolados de tecnologia, o Lighthouse OS propõe uma abordagem sistêmica, integrando eficiência operacional, sustentabilidade, capacitação da força de trabalho e gestão orientada por dados em uma única arquitetura industrial.

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Schneider Electric leva experiência de fábricas inteligentes ao projeto

A participação da Schneider Electric no desenvolvimento do modelo reforça o peso industrial da iniciativa. A companhia acumula mais de duas décadas de experiência em automação industrial, gestão energética e digitalização de cadeias produtivas, além de possuir nove unidades reconhecidas pelo Fórum Econômico Mundial como “Lighthouse Factories”. O modelo operacional da empresa combina inteligência artificial, automação avançada, sistemas digitais integrados e estratégias de eficiência energética aplicadas diretamente na operação industrial.

Ao detalhar o objetivo da iniciativa, Federico Torti, Head de Tecnologia & Inovação do Fórum Econômico Mundial, destacou que o desafio atual da indústria não está mais em testar tecnologias, mas em escalar transformação de forma consistente: “Muitos fabricantes têm a ambição de se transformar, mas carecem de um caminho coerente para fazer isso de modo consistente e em escala. O Lighthouse OS aborda diretamente esse desafio; ele pega o que as melhores fábricas do mundo aprenderam ao longo de anos de experiência operacional real e transforma isso em um framework prático que qualquer fabricante pode aplicar. Trata-se de tornar o desempenho em nível Lighthouse uma meta realista para toda a indústria, não apenas para seus players mais avançados.”

A Schneider Electric afirma que parte relevante dessa experiência operacional já está incorporada na estrutura do Lighthouse OS. A empresa opera atualmente mais de 120 fábricas inteligentes e centros de distribuição conectados globalmente.

Cecile Vercellino, SVP Services, Industrial Automation da Schneider Electric, ressaltou que o diferencial do modelo está justamente na aplicação prática validada em ambientes industriais reais: “A Schneider Electric vivenciou essa transformação em mais de 120 fábricas inteligentes e centros de distribuição; sabemos o que funciona, onde as empresas enfrentam dificuldades e o que é necessário para sair de pilotos isolados e alcançar uma mudança sistêmica real. Essa experiência direta está incorporada no Lighthouse OS. Nossa organização já está aplicando esses princípios em todo o nosso ecossistema ampliado e observando resultados mensuráveis.”

Pressão por competitividade acelera transformação industrial

A iniciativa chega em um momento de forte pressão sobre a indústria global. Custos energéticos elevados, reconfiguração das cadeias de suprimentos, exigências ESG e maior competição internacional estão obrigando fabricantes a acelerar ganhos de produtividade e eficiência.

Nesse cenário, modelos operacionais baseados em dados, inteligência artificial e automação deixaram de ser diferenciais tecnológicos para se tornarem fatores centrais de competitividade.

Para o setor energético, o avanço da digitalização industrial também amplia a relevância de soluções ligadas à eficiência elétrica, monitoramento de consumo, integração de ativos e gestão inteligente da demanda energética, áreas nas quais a Schneider Electric concentra parte relevante de sua atuação global.

Modelo aberto busca ampliar adesão global

O Lighthouse OS foi desenvolvido em formato open source justamente para ampliar a adesão da indústria. O Fórum Econômico Mundial pretende expandir o projeto com contribuições de fabricantes, empresas de tecnologia, consultorias e governos.

A expectativa é que o framework evolua continuamente à medida que novas aplicações práticas sejam incorporadas ao modelo. Com isso, a iniciativa busca reduzir uma das maiores barreiras da transformação industrial atual: a dificuldade de converter inovação pontual em ganhos sistêmicos, escaláveis e financeiramente sustentáveis.

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