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BNDES bate recorde com lucro de R$ 3,1 bi e eleva em 51% o crédito para infraestrutura no 1º trimestre

BNDES bate recorde com lucro de R$ 3,1 bi e eleva em 51% o crédito para infraestrutura no 1º trimestre

Com ativos beirando R$ 1 trilhão, banco consolida funding para transição energética e reindustrialização; desembolsos para indústria saltam 67%.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou, nesta terça-feira (12), um balanço robusto que reflete a retomada do protagonismo da instituição no financiamento do desenvolvimento nacional. No primeiro trimestre de 2026, o banco registrou um lucro líquido recorrente de R$ 3,1 bilhões, montante 17% superior ao reportado no mesmo intervalo de 2025. O resultado acumulado dos últimos 12 meses atingiu a marca histórica de R$ 15,6 bilhões, consolidando o maior lucro da trajetória da instituição.

A saúde financeira do banco é acompanhada por uma expansão nominal sem precedentes nos ativos totais, que alcançaram R$ 995 bilhões, uma valorização de 45% desde 2022. A carteira de crédito expandida, motor principal para os investimentos em bens de capital e grandes obras, somou R$ 678,2 bilhões, atingindo seu patamar mais elevado desde 2016.

Foco em Infraestrutura e Reindustrialização

Os indicadores operacionais do trimestre revelam uma forte inclinação para setores vitais da economia. Os desembolsos totais somaram R$ 36,2 bilhões, com destaque para o setor industrial, que apresentou um salto de 67% (R$ 8 bilhões). A infraestrutura, setor que absorve grande parte dos projetos de energia e logística, recebeu R$ 13,4 bilhões, uma alta de 51% frente ao primeiro trimestre do ano anterior.

Ao analisar o atual ciclo de crescimento, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destaca a consistência das entregas e a prontidão da instituição para novos projetos: “As consultas, aprovações e desembolsos cresceram fortemente nesse trimestre, apesar de todos os desafios que tivemos nesse período. Em relação ao BNDES, os dados são inquestionáveis e o mais importante é o crescimento com qualidade. Estamos chegando com 1 trilhão de ativos, a inadimplência de longe a menor do mercado e o lucro recorrente, um resultado do nosso trabalho, recorde histórico. É um resultado muito consistente e promissor porque quando temos carteira e ativos significa que temos fôlego, estamos prontos para os desafios que teremos pela frente para continuar nessa trajetória.”

Alavancagem de Crédito e Inadimplência Mínima

A capacidade do banco de atuar como indutor de crédito para o setor privado também foi evidenciada pelo desempenho do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI). No total, entre aprovações diretas e garantias, o BNDES injetou R$ 66,5 bilhões na economia neste trimestre.

O diretor Alexandre Abreu ressalta o papel do banco na rede bancária nacional e a evolução comparativa da instituição nos últimos anos: “Em injeção de crédito que o BNDES promoveu neste trimestre – a gente tem aqui as aprovações de crédito do BNDES e aquilo que o BNDES atuou como garantidor, o fundo FGI, garantindo operações de crédito liberado pelos bancos pela rede bancária estatal e privada – temos R$ 66,5 bilhões, o que comparado com o mesmo período do ano passado é um incremento de 21%. Quando comparo esse mesmo número com o primeiro trimestre de 2022, esse crescimento é de praticamente 400%, cinco vezes mais. Essa é a contribuição que o BNDES deu para o crédito no Brasil.”

A qualidade da carteira segue como um diferencial competitivo: a inadimplência acima de 90 dias ficou em apenas 0,046%, um valor residual quando comparado à média de 4,33% do Sistema Financeiro Nacional.

Regionalização e Apoio às MPMEs

A estratégia do banco também se volta para a redução de assimetrias regionais e o fortalecimento de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). As aprovações para este segmento cresceram 120% em relação a 2025, somando R$ 29 bilhões. No âmbito regional, o foco tem sido as regiões Norte e Nordeste através de diálogos com consórcios interestaduais.

Sobre a interiorização do crédito e o atendimento personalizado em áreas estratégicas, a diretora Maria Fernanda Coelho observa a atuação de campo da instituição: “O BNDES tem uma estratégia muito clara, que vem sendo implementada desde 2023, voltada para o crescimento regional, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, para que a gente possa diminuir a assimetria que ainda existe. Em relação ao crédito e ao investimento para essas regiões, temos atuado de forma estratégica com as micro, pequenas e médias empresas. Essa é também uma demanda tanto do Consórcio Nordeste, quanto do Consórcio da Amazônia Legal. Temos o programa BNDES Mais Perto de Você, onde a gente articula as federações das indústrias e todo setor produtivo – comércio, serviço, indústrias, agropecuária – e leva informações em relação aos nossos produtos e serviços. Isso já aconteceu em Roraima, no Amapá, em Rondônia e nos outros estados.”

Funding e Participações Societárias

No campo das participações societárias, a carteira do BNDESPAR totalizou R$ 110,3 bilhões, impulsionada pela valorização de ativos de empresas como Petrobras, JBS, Axia Energia (Eletrobras) e Copel. Pelo lado do funding, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) permanece como a principal fonte, representando 51,4% dos passivos onerosos. Entretanto, o banco diversificou suas captações externas, captando R$ 6 bilhões junto a organismos internacionais como BID, Jica, CAF e Jbic, fortalecendo a liquidez para projetos de longo prazo.