Energisa inaugura maior usina de biometano de Santa Catarina e avança como hub de soluções energéticas integradas

Com investimento de R$ 110 milhões, planta em Campos Novos produz 28 mil m³/dia de biometano e reforça estratégia de diversificação, economia circular e descarbonização do agronegócio

O Grupo Energisa deu um passo relevante na agenda de transição energética ao iniciar a operação comercial de sua primeira usina de biometano, localizada em Campos Novos (SC). Com aporte de R$ 110 milhões, o empreendimento marca a entrada definitiva da companhia no segmento de gás renovável e amplia sua atuação para além da distribuição e geração de energia elétrica.

A unidade, a maior do tipo em Santa Catarina, também se destaca por ser a primeira do estado autorizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) tanto para a produção quanto para a comercialização do biocombustível. A operação teve início no dia 31 de março, consolidando um movimento estratégico alinhado às diretrizes de descarbonização e diversificação do portfólio energético.

Do ponto de vista técnico, o projeto foi concebido sob o conceito de economia circular em padrão elevado, utilizando tecnologias europeias para converter resíduos agroindustriais em biometano de baixo carbono e biofertilizantes, reduzindo passivos ambientais e agregando valor à cadeia produtiva.

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Localização estratégica fortalece modelo de negócio

A escolha de Campos Novos como base do projeto reflete uma lógica industrial e logística bem estruturada. A região concentra um dos principais polos agroindustriais do Sul do país, reunindo cerca de 90% dos resíduos orgânicos de Santa Catarina em um raio de até 150 quilômetros.

Esse fator garante previsibilidade no fornecimento de matéria-prima e eficiência operacional, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade da planta. O modelo reforça a integração entre o setor energético e o agronegócio, criando sinergias relevantes em escala regional.

Ao analisar o posicionamento estratégico da companhia, a diretora-presidente de Negócios de Gás da Energisa, Débora Oliver, destaca a transformação do grupo em um provedor de soluções energéticas mais amplo: “O início da operação da usina de Campos Novos representa um marco na estratégia do Grupo Energisa de se consolidar como um hub de soluções energéticas, ampliando sua atuação para além da energia elétrica, que está na origem do negócio. O avanço no mercado de biometano reforça esse movimento e sinaliza o nosso compromisso com a transição energética segura, por meio de um portfólio cada vez mais sustentável e integrado.”

Alta performance operacional e flexibilidade de uso

A planta foi projetada para operar com alto nível de automação e autossuficiência energética. Com capacidade de processamento de aproximadamente 300 toneladas de resíduos orgânicos por dia, a unidade entrega um combustível renovável com características equivalentes ao gás natural fóssil.

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Essa propriedade “drop-in” permite que o biometano seja utilizado diretamente em aplicações industriais e em frotas pesadas, sem necessidade de adaptação de infraestrutura ou equipamentos, o que reduz barreiras de adoção e acelera sua inserção no mercado.

Ao detalhar o desempenho da unidade, Débora Oliver enfatiza a robustez da operação: “Nossa capacidade operacional é expressiva: a planta pode tratar em torno de 300 toneladas de resíduos orgânicos por dia, resultando na produção atual de aproximadamente 28 mil metros cúbicos diários de biometano.”

Biofertilizantes ampliam valor da cadeia e fecham ciclo circular

Além da produção de biometano, o projeto incorpora a fabricação do biofertilizante E.bio Solum, um insumo orgânico gerado a partir do digestato do processo produtivo. Com capacidade estimada em 40 mil toneladas por ano, o produto atende à crescente demanda do agronegócio por soluções mais sustentáveis e menos dependentes de fertilizantes importados.

Esse modelo integrado fortalece a lógica de circularidade, transformando resíduos em energia e insumos agrícolas, com impactos diretos na produtividade e na sustentabilidade das atividades rurais.

A proposta de integração entre energia e agricultura é destacada pelo diretor de Negócios de Biogás do Grupo Energisa, Luiz Fernando Tomasini: “Ao combinar a produção de biometano e biofertilizante em uma mesma planta, o empreendimento consolida um modelo inovador que transforma resíduos em energia limpa e insumos agrícolas, reforçando o papel do biogás como vetor estratégico para a sustentabilidade e o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.”

Biometano ganha protagonismo na transição energética brasileira

A entrada da Energisa no segmento ocorre em um momento de inflexão regulatória e estratégica no Brasil, com o avanço das discussões sobre o programa Combustível do Futuro e o papel dos gases renováveis na matriz energética.

O biometano se posiciona como alternativa relevante para a descarbonização de setores de difícil eletrificação, como transporte pesado e indústrias intensivas em energia térmica. Além disso, contribui para a gestão eficiente de resíduos e para a redução de emissões de metano, um dos gases de efeito estufa mais impactantes.

Nesse contexto, o movimento da Energisa sinaliza uma tendência mais ampla no setor elétrico e energético: a convergência entre diferentes vetores, eletricidade, gás e biocombustíveis, em um modelo integrado, resiliente e orientado à sustentabilidade.

Ao transformar passivos ambientais do agronegócio em ativos energéticos e insumos produtivos, a companhia não apenas diversifica suas fontes de receita, mas também se posiciona de forma estratégica na construção de uma matriz energética mais limpa, eficiente e competitiva.

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