Companhia amplia receita na América do Sul, mantém geração robusta de caixa e supera guidance de margem EBITDA no primeiro trimestre de 2026
A Vallourec iniciou 2026 com resultados acima das expectativas do mercado, sustentada pela eficiência operacional de suas operações no Brasil e pela estratégia de controle de custos em um ambiente global ainda marcado por volatilidade no setor de óleo, gás e energia.
A companhia registrou receita de US$ 137 milhões no segmento de tubos na América do Sul durante o primeiro trimestre, avanço de 6% na comparação anual. O desempenho da região contribuiu para que o grupo mantivesse margens elevadas globalmente, mesmo diante de desaceleração em alguns mercados internacionais e atrasos logísticos no Oriente Médio.
O EBITDA consolidado da empresa alcançou US$ 220 milhões no período, com margem EBITDA de 22,6%, resultado superior ao ponto médio do guidance apresentado anteriormente pela companhia.
O desempenho reforça a relevância estratégica das operações brasileiras da Vallourec, especialmente em um momento de retomada gradual dos investimentos globais em energia, infraestrutura industrial e projetos ligados à transição energética.
Eficiência operacional compensa cenário desafiador no exterior
A resiliência operacional foi um dos principais fatores destacados pela administração da companhia ao comentar os resultados do trimestre.
Presidente do Conselho e CEO da Vallourec, Philippe Guillemot afirmou que a companhia conseguiu preservar rentabilidade mesmo diante de um ambiente mais pressionado no Oriente Médio, região considerada estratégica para o grupo.
“Entregamos resultados sólidos, com o EBITDA acima do ponto médio da orientação, apesar de um ambiente desafiador no Oriente Médio”, declarou o executivo, ao destacar o foco da empresa em execução operacional e gestão de custos.
O CEO também ressaltou que a companhia manteve margem superior a 22% graças à combinação entre disciplina operacional, melhora de mix comercial e adaptação de custos ao cenário global.
A companhia informou ainda que não houve cancelamento de contratos nos principais mercados do Oriente Médio, embora alguns clientes tenham promovido adiamentos seletivos de pedidos e atrasos em embarques, afetando o ritmo de faturamento no trimestre.
Brasil reforça papel estratégico para a operação global
O resultado da América do Sul ganha relevância em meio à reorganização do mercado global de tubos premium sem costura, amplamente utilizado em projetos de exploração de petróleo e gás, infraestrutura energética e aplicações industriais de alta exigência técnica.
A operação brasileira segue como um dos pilares industriais da Vallourec, concentrando ativos relevantes de produção de tubos, mineração de minério de ferro e atividades florestais integradas.
O segmento de tubos registrou EBITDA de US$ 196 milhões globalmente, crescimento de 14% na comparação anual. Já o EBITDA por tonelada atingiu US$ 724, avanço de 31%, impulsionado principalmente pela melhora de preços, maior eficiência operacional e gestão de custos industriais.
O desempenho operacional no Brasil também ajudou a compensar impactos negativos no segmento de mineração e floresta, que sofreu efeitos das fortes chuvas registradas em Minas Gerais durante o trimestre. A produção vendida de minério de ferro totalizou 1,3 milhão de toneladas, queda de 15% em relação ao mesmo período do ano passado.
Novas energias ganham espaço na estratégia da companhia
Além da atuação tradicional no setor de óleo e gás, a Vallourec vem ampliando sua presença em segmentos ligados à transição energética e infraestrutura de baixo carbono.
Durante a divulgação dos resultados, Guillemot destacou o contrato firmado com a Fervo Energy no segmento de geotermia, considerado um dos maiores acordos recentes da companhia em novas energias. O contrato possui potencial de receita estimado em até US$ 800 milhões e reforça o movimento de diversificação da empresa em tecnologias energéticas emergentes.
O avanço da geotermia e de projetos ligados à eletrificação industrial vem criando novas oportunidades para fornecedores de soluções tubulares premium, especialmente em aplicações de alta pressão e ambientes extremos.
Geração de caixa e retorno aos acionistas seguem no radar
A Vallourec encerrou o trimestre com geração de caixa considerada robusta pelo mercado. O fluxo de caixa livre ajustado atingiu US$ 177 milhões, enquanto a geração total de caixa ficou em US$ 135 milhões. A companhia também informou posição líquida de caixa de US$ 67 milhões mesmo após recompras de ações equivalentes a US$ 107 milhões.
Outro movimento estratégico anunciado foi a alteração da moeda de relato das demonstrações financeiras consolidadas, que passaram do euro para o dólar americano a partir de janeiro de 2026. A empresa avalia que a mudança torna seus resultados mais aderentes à realidade operacional do grupo, já que grande parte das receitas e contratos globais está denominada em dólar.
Para o segundo trimestre, a Vallourec projeta EBITDA entre US$ 175 milhões e US$ 205 milhões, mantendo expectativa de forte geração operacional apesar das incertezas macroeconômicas e geopolíticas que ainda afetam parte do mercado internacional de energia.
A companhia também confirmou a intenção de distribuir cerca de € 650 milhões aos acionistas até agosto, reforçando sua estratégia de retorno de capital após o processo de reestruturação financeira concluído nos últimos anos.



