Taesa adquire cinco ativos de transmissão da Energisa por R$ 2,3 bi

Operação adiciona 1.305 km de linhas ao portfólio da companhia e injeta R$ 291 milhões em Receita Anual Permitida (RAP)

O mercado de transmissão de energia elétrica brasileiro registrou um movimento de grande porte no segmento de fusões e aquisições (M&A). A Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. (Taesa) anunciou ao mercado a assinatura de um contrato de compra e venda de ações com o Grupo Energisa para a aquisição de 100% do capital social de cinco concessionárias operacionais: Energisa Goiás Transmissora de Energia I (EGO I), Energisa Pará Transmissora de Energia I (EPA I), Energisa Pará Transmissora de Energia II (EPA II), Energisa Tocantins Transmissora de Energia (ETT) e Energisa Tocantins Transmissora de Energia II (ETT II).

A transação envolveu a fixação de um enterprise value de R$ 2,293 bilhões. Considerando a dívida líquida das sociedades, avaliada em R$ 748 milhões, o valor líquido das ações (equity value) foi fechado em R$ 1,545 bilhão. A operação toma como data-base o balanço de 31 de dezembro de 2025, sendo que o montante final financeiro será corrigido pela variação da taxa CDI até o fechamento definitivo (closing), além de se sujeitar aos ajustes operacionais usuais para este tipo de negócio.

Perfil dos ativos adquiridos e ganhos de sinergia geográfica

O pacote de ativos adquirido pela Taesa é composto por cinco concessões que já se encontram 100% em operação comercial, distribuídas de forma estratégica pelos estados de Goiás, Bahia, Pará e Tocantins. No aspecto técnico e de infraestrutura, os empreendimentos somam 1.305 km de linhas de transmissão de alta tensão, 12 subestações e uma potência total de transformação de 4.494 MVA.

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Do ponto de vista financeiro-regulatório, a receita anual permitida (RAP) agregada dos ativos é de aproximadamente R$ 291 milhões, valor balizado para o ciclo tarifário de 2025-2026 e acrescido das parcelas de PIS/COFINS. Como os contratos possuem um prazo médio remanescente de concessão de cerca de 22 anos, a Taesa garante um fluxo de caixa previsível e de longo prazo.

A diretoria da transmissora destacou que a proximidade geográfica dessas linhas com a malha elétrica já operada pela própria Taesa abre espaço para a otimização de custos e captura de sinergias operacionais. Em termos de escala, o negócio expande a capacidade total de transformação da Taesa em cerca de 33%, elevando o indicador consolidado para a casa dos 18 mil MVA pós-conclusão da compra.

Próximos passos regulatórios e governança corporativa

Para que a transferência do controle acionário seja efetivada, a transação dependerá do cumprimento de condições precedentes estabelecidas em contrato. O rito envolve o crivo regulatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a anuência concorrencial do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Adicionalmente, as empresas precisarão formalizar o consentimento junto aos credores dos ativos e submeter a matéria à aprovação dos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da Taesa, nos termos do Artigo 256 da Lei das S.A.

O comitê de governança da transmissora adiantou ao mercado que a deliberação na AGE não dará direito de recesso aos minoritários, uma vez que as condições de preço de compra e liquidez previstas no parágrafo segundo do dispositivo legal não foram configuradas. A companhia reforçou em comunicado sua visão institucional de atuar como uma plataforma consolidadora no setor elétrico nacional, com foco na eficiência e na disciplina de alocação de capital: “A Operação reflete a estratégia da TAESA de crescimento com disciplina financeira, expectativa de manutenção do perfil de crédito, eficiência operacional e alocação de capital em ativos de transmissão de alta qualidade. Com a aquisição, a Companhia reforça sua posição como plataforma consolidadora do setor, agregando ativos operacionais com vencimento de longo prazo, sinergias e possibilidade de expansão futura por meio de reforços e melhorias, preservando sua estrutura de capital, e manutenção da prática de distribuição de proventos.”

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O desfecho do negócio reitera a tendência de consolidação do segmento de transmissão no Brasil, onde grandes grupos buscam expandir suas bases operacionais através do mercado secundário, priorizando a estabilidade de receita gerada por ativos maduros e a possibilidade de crescimento orgânico futuro por meio de investimentos em reforços e melhorias autorizados pelo regulador.

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