Isenção de impostos pode destravar até R$ 2 trilhões em investimentos em data centers no Brasil

Programa ReData busca tornar o país polo estratégico em infraestrutura digital e eficiência energética na era da Inteligência Artificial

O Brasil pode destravar até R$ 2 trilhões em investimentos até 2030 com a implementação do Programa ReData, iniciativa do Governo Federal voltada à criação de um regime especial de incentivos fiscais para data centers. A medida, que integra a estratégia nacional de digitalização e transição tecnológica, foi um dos temas centrais do DCD Connect Brasil 2025, evento referência em infraestrutura digital e sustentabilidade realizado em São Paulo.

O debate reuniu especialistas, executivos e autoridades do setor para discutir desafios e oportunidades na Indústria 4.0, com foco em inteligência artificial (IA), eficiência energética, sustentabilidade e disponibilidade de energia, pilares fundamentais para o avanço do ecossistema de data centers no país.

Brasil ganha destaque global pela matriz renovável, mas enfrenta gargalos tributários e de infraestrutura

O Brasil se consolida como um mercado atrativo para a instalação de data centers, especialmente pela matriz elétrica 88% renovável, uma vantagem competitiva global num momento em que grandes corporações buscam neutralidade de carbono (net zero) e aderência a práticas ESG.

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Entretanto, especialistas apontam que o país ainda enfrenta entraves tributários e estruturais que limitam a expansão acelerada desse mercado estratégico. De acordo com Egídio Ferraz, South Latam Sales Manager da Vaisala, o custo tributário para abrir e operar data centers no Brasil ainda é um obstáculo relevante.

“Abrir e operar data centers no Brasil pode custar até três vezes mais em impostos do que no Chile e o dobro do que na Argentina. Segundo estimativas do setor e do Ministério da Fazenda, a implementação do Programa ReData pode destravar até R$ 2 trilhões em investimentos até 2030, criando um ambiente mais competitivo e acelerando a expansão do setor”, afirma Ferraz.

A Vaisala, líder global em tecnologias de medição ambiental e industrial, tem acompanhado o crescimento acelerado da demanda por infraestrutura de alta performance e baixo consumo energético, especialmente impulsionada pela explosão de cargas de trabalho de IA e computação em nuvem.

IA e eficiência térmica impulsionam inovação em resfriamento e gestão energética

Um dos temas de maior destaque no DCD Connect foi a eficiência térmica dos data centers, diante da escalada no consumo energético provocada por cargas de trabalho intensivas em processamento, como inteligência artificial, machine learning e computação de alta densidade.

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Ferraz explicou que a busca por tecnologias avançadas de resfriamento é hoje uma das principais frentes de inovação do setor. “Com o crescimento expressivo de cargas de trabalho de alta performance, os data centers têm exigido cada vez mais capacidade de processamento por rack. Isso eleva o consumo de energia e o desafio de dissipação de calor. Para lidar com esse cenário é fundamental priorizar novas tecnologias de refrigeração, como chillers de alta eficiência e sistemas de resfriamento líquido (liquid cooling), que já começam a ganhar interesse no mercado brasileiro”.

Segundo ele, essas soluções podem reduzir significativamente o consumo energético e as emissões de carbono, fatores determinantes para a viabilidade econômica e ambiental dos novos empreendimentos.

ReData: incentivo fiscal estratégico para a Indústria 4.0

O Programa ReData, lançado por Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro, tem como objetivo estimular investimentos em infraestrutura de data centers e atrair empresas globais do setor de tecnologia e computação em nuvem.

O regime prevê isenções e benefícios fiscais para projetos de instalação, ampliação e modernização de centros de dados no país, com foco em computação de alto desempenho, IA, Internet das Coisas (IoT) e smart factories, pilares centrais da Indústria 4.0.

Para o governo e o setor produtivo, o ReData representa uma janela de oportunidade para reposicionar o Brasil na cadeia global de tecnologia e fortalecer a soberania digital, reduzindo a dependência de infraestrutura estrangeira e melhorando a resiliência energética e digital do país.

“Acreditamos que iniciativas como essa, aliadas ao avanço tecnológico em eficiência energética e resfriamento, são fundamentais para o desenvolvimento sustentável da infraestrutura digital no Brasil”, conclui Ferraz.

Brasil na rota da transição digital e energética

O fortalecimento da infraestrutura de data centers é considerado um vetor estratégico da transição energética e digital brasileira, por integrar os objetivos de sustentabilidade, inovação e segurança de dados.

Com o crescimento exponencial da inteligência artificial generativa, do cloud computing e da internet das coisas, o país enfrenta o desafio de garantir capacidade elétrica e térmica adequada para suportar a nova demanda computacional.

A combinação entre energia renovável abundante, regulação favorável, tecnologia de ponta e incentivos fiscais pode colocar o Brasil na liderança regional em infraestrutura digital de baixo carbono, abrindo espaço para novos negócios e cadeias de valor em eficiência energética.

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