Em reunião com mais de 260 profissionais do setor elétrico, Operador Nacional do Sistema apresentou novas análises sobre o evento que afetou 1.371 municípios e destacou a eficiência da coordenação entre agentes para restabelecer o fornecimento de energia em tempo recorde
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) realizou nesta terça-feira (28/10) a segunda reunião técnica voltada à elaboração do Relatório de Análise de Perturbação (RAP) referente à ocorrência registrada em 14 de outubro de 2025, que provocou desligamentos em grande parte do Sistema Interligado Nacional (SIN). O encontro virtual reuniu mais de 260 profissionais, incluindo representantes dos agentes do setor elétrico, do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Durante o evento, o ONS apresentou novos elementos técnicos sobre o episódio, além de avaliações complementares encaminhadas pelos agentes. As análises apresentadas nesta segunda etapa irão compor a minuta do RAP, que será disponibilizada para apreciação e comentários antes da publicação da versão final.
Causas: incêndio em reator provocou falha em cascata
De acordo com o ONS, a perturbação teve início na madrugada de 14 de outubro, com um incêndio no reator de linha da linha de transmissão (LT) 525 kV Bateias, Ibiúna, circuito 2, localizado na subestação de Bateias (PR). O incidente ocasionou um curto-circuito no reator, que chegou a ser extinto pela atuação do sistema de proteção. No entanto, a falha acabou se propagando para o barramento da subestação, o que resultou em desligamentos múltiplos de equipamentos de 525 kV e na desconexão do subsistema Sul em relação ao restante do país.
Pelas análises do Operador, a carga interrompida atingiu 8.199 MW, o equivalente a 11% da demanda nacional naquele momento (00h31). A região Sudeste foi a mais afetada, com 4.132 MW de carga interrompida, seguida do Nordeste (1.780 MW), Centro-Oeste (1.330 MW), Norte (673 MW) e Sul (283 MW).
Ao todo, 1.371 municípios, incluindo 19 capitais, registraram impactos decorrentes da perturbação.
Resposta rápida e recomposição em tempo recorde
Apesar da magnitude do evento, o tempo de recomposição foi considerado exemplar. O processo teve início apenas dois minutos após a falha (00h33) e, em 1 hora e 15 minutos, 99% da carga havia sido restabelecida em todos os subsistemas. O subsistema Sul, inicialmente isolado do SIN, foi reconectado às 1h28, o que permitiu acelerar o restabelecimento completo.
Segundo o ONS, a rápida resposta reflete a eficiência da operação integrada entre o Operador e os agentes do setor, evidenciando a resiliência do sistema elétrico brasileiro frente a perturbações de grande porte.
“Apesar da magnitude da ocorrência, a rápida atuação do Operador em sinergia com os agentes agilizou a retomada dos equipamentos, demonstrando a importância da operação integrada”, destacou o ONS em nota.
Próximos passos: relatório técnico e contribuições dos agentes
A partir das informações consolidadas nas duas reuniões técnicas, o ONS encaminhará a minuta do RAP às empresas envolvidas na perturbação, bem como ao MME e à Aneel, que poderão apresentar comentários e contribuições antes da publicação da versão final.
O relatório final deve detalhar os fatores técnicos e operacionais da ocorrência, além de propor medidas de aprimoramento dos sistemas de proteção e resposta a incidentes, com foco na redução de vulnerabilidades e no fortalecimento da confiabilidade do SIN.
Essa etapa de análise e transparência é parte do protocolo padrão do ONS em eventos de grande impacto, reforçando a importância da cooperação institucional e técnica para aprimorar continuamente os mecanismos de segurança e controle do sistema elétrico.
Contexto: RAP e governança operacional
O Relatório de Análise de Perturbação (RAP) é uma das principais ferramentas de governança operacional do ONS, com o objetivo de registrar, analisar e divulgar informações sobre ocorrências relevantes no Sistema Interligado Nacional.
Esses relatórios são elaborados com base em dados técnicos, simulações e registros de operação, e contam com participação direta dos agentes de geração, transmissão e distribuição envolvidos. O processo busca identificar causas raízes, avaliar o desempenho das proteções sistêmicas e propor melhorias nos protocolos de atuação, reforçando a segurança operacional e a confiabilidade do sistema elétrico brasileiro.
Conclusão
O evento de 14 de outubro reafirma o desafio contínuo da gestão de riscos no SIN, mas também demonstra a maturidade técnica e institucional do ONS e dos agentes na resposta coordenada a eventos complexos.
A recomposição de quase toda a carga em apenas 75 minutos destaca o nível de integração e resiliência do sistema, enquanto as análises em curso sinalizam o compromisso do setor com a transparência, aprendizado e prevenção de novas perturbações.



