Parceria entre o MME e a CGN Energy projeta cooperação técnica, R$ 3 bilhões em novos investimentos e fortalecimento da cadeia mineral para a transição energética
Durante a cúpula do BRICS realizada neste sábado (5), no Rio de Janeiro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, assinou uma Carta de Intenções com a estatal chinesa CGN Energy, marcando um novo capítulo na cooperação bilateral entre Brasil e China nas áreas de energia renovável, sustentabilidade e uso responsável de minerais nucleares.
O acordo — firmado no âmbito do Ministério de Minas e Energia (MME) — estabelece uma plataforma de cooperação técnico-científica voltada à transição energética, inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável, com destaque para ações integradas em pesquisa e desenvolvimento (PD&I), digitalização de processos e modernização da cadeia mineral brasileira.
“Queremos avançar nas parcerias com a China para ampliarmos ainda mais a geração de energia limpa e renovável no Brasil, fortalecendo nosso papel de protagonista na transição energética global, além de desenvolvermos a cadeia mineral em nosso país”, afirmou o ministro Alexandre Silveira.
Com investimento já previsto de R$ 3 bilhões no Brasil, a CGN reforça seu compromisso com a expansão do portfólio de fontes renováveis, ao mesmo tempo em que se torna peça-chave no intercâmbio tecnológico e institucional entre os dois países.
CGN Energy: gigante global e parceira estratégica
A CGN Energy é uma estatal chinesa e a maior empresa de energia nuclear da China, com capacidade instalada superior a 77 GW, ocupando a terceira posição global em geração nuclear. O grupo vem ampliando sua atuação internacional com foco em energia limpa, incluindo eólica e solar.
A subsidiária brasileira CGN Brazil Energy (CGNBE) está presente no país desde 2019 e opera atualmente sete complexos eólicos e três solares, distribuídos entre os estados da Bahia, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Juntos, esses ativos somam mais de 1,4 GW de capacidade instalada, evidenciando o potencial de contribuição do grupo à matriz energética brasileira.
Inovação, minerais estratégicos e cooperação acadêmica
O documento firmado entre o MME e a CGN Energy contempla ainda ações voltadas à geração distribuída, armazenamento energético e digitalização de processos, com impacto direto na eficiência e resiliência da matriz elétrica nacional.
No setor mineral, o acordo visa fortalecer a capacidade técnica nacional por meio da cooperação com universidades, centros de pesquisa e instituições públicas e privadas. A meta é promover avanços em áreas como processamento mineral, ciência dos materiais e gestão sustentável dos recursos, alinhando o Brasil às tendências globais da economia verde e da indústria 4.0.
A cadeia mineral nacional, rica em insumos estratégicos como lítio, nióbio, níquel e terras raras, torna-se ainda mais relevante nesse novo ciclo de colaboração internacional, já que esses recursos são essenciais para baterias, veículos elétricos e tecnologias limpas.
Potencial geopolítico e papel no BRICS
A parceria com a CGN reforça o protagonismo do Brasil no contexto da transição energética global e destaca o papel do país como fornecedor confiável de energia renovável e insumos minerais. Ao integrar a agenda do BRICS, a iniciativa também fortalece a posição brasileira nas cadeias de valor globais, buscando um crescimento sustentável e tecnologicamente soberano.
A assinatura da carta de intenções representa, portanto, mais do que um acordo bilateral — trata-se de um marco estratégico para a segurança energética, a inovação tecnológica e o fortalecimento da diplomacia energética sul-sul.



