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Petrobras retoma produção de ureia na Ansa e mira 20% do mercado nacional de fertilizantes

Petrobras retoma produção de ureia na Ansa e mira 20% do mercado nacional de fertilizantes

Reativação da unidade em Araucária (PR) recebeu aporte de R$ 870 milhões; companhia projeta expansão da capacidade produtiva com unidades no Nordeste e nova planta no Mato Grosso do Sul.

A Petrobras oficializou nesta quinta-feira (30/04) o início da primeira produção de ureia na Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), marcando o fim do período de hibernação da planta paranaense, iniciado em 2020. A operação é o desdobramento central de um plano de reativação que demandou investimentos de aproximadamente R$ 870 milhões e simboliza o retorno estratégico da estatal ao segmento de fertilizantes nitrogenados.

O processo de retomada, iniciado em 2024, envolveu uma complexa mobilização técnica, englobando manutenções estruturais, inspeções de segurança e a recomposição do quadro de colaboradores. Durante a fase de preparação, a unidade gerou mais de 2 mil postos de trabalho, consolidando agora cerca de 700 empregos diretos para a operação regular. Antes de atingir o estágio atual da ureia, a Ansa já havia estabilizado a produção de amônia e de ARLA 32, insumo essencial para a redução de emissões em veículos movidos a diesel.

Segurança operacional e relevância estratégica

A gestão da unidade enfatiza que a reentrada em operação ocorre de forma gradual, priorizando a confiabilidade dos ativos industriais e a integridade das equipes. A planta de Araucária é vista como um ativo fundamental para equilibrar a oferta doméstica em um cenário de alta exposição às variações do mercado externo.

Ao avaliar o impacto da unidade no contexto atual do setor, o Diretor Industrial e Presidente Interino da Ansa, Marcelo dos Santos Faria, destaca a importância do marco: “Estamos retomando uma operação estratégica. A Ansa volta a produzir ureia em um momento em que ampliar a capacidade interna desse insumo é cada vez mais relevante para o Brasil”.

Integração de ativos e projeções de mercado

O cronograma de fertilizantes da Petrobras prevê uma integração robusta entre suas unidades produtivas. A reativação da Ansa soma-se ao retorno operacional das unidades FAFEN-SE, em Sergipe (dezembro de 2025), e FAFEN-BA, na Bahia (janeiro de 2026). Com o escoamento da produção deste trio de fábricas, a Petrobras estima capturar uma fatia de aproximadamente 20% do mercado interno de ureia.

O planejamento de longo prazo da companhia é ainda mais ambicioso, contemplando a finalização da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), prevista para iniciar a operação comercial em 2029. Caso os prazos sejam cumpridos, a estatal projeta atender cerca de 35% da demanda nacional nos próximos anos.

Redução da dependência externa e fomento industrial

A decisão de retomar os investimentos no setor de nitrogenados fundamenta-se em análises de viabilidade técnica e na necessidade de fortalecer a soberania produtiva do agronegócio brasileiro. A ureia é um insumo crítico, cuja escassez ou volatilidade de preço impacta diretamente os custos de produção no campo e na indústria química.

O diretor de Processos Industriais da Petrobras, William França, pontua que a reativação das plantas altera o posicionamento do país frente aos fornecedores globais: “Com as Fafens e, agora, a Ansa em pleno funcionamento, reduzimos a dependência externa de ureia e fortalecemos a cadeia produtiva do agronegócio e da indústria nacional. O setor de fertilizantes é estratégico para a Petrobras, e estamos retomando investimentos com base em estudos de viabilidade técnica e econômica”.