Afluências devem atingir 193% da média histórica no Sul e 105% no Sudeste/Centro-Oeste; carga nacional deve crescer 3,6% no mês
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta condições hidrológicas favoráveis para outubro nas regiões Sul e Sudeste/Centro-Oeste, com afluências acima da média histórica nas duas áreas. A previsão integra o Programa Mensal de Operação (PMO) de outubro de 2026, que considera cenários hidrometeorológicos e seus impactos sobre as vazões e os níveis de armazenamento dos reservatórios.
Para o Sul, a estimativa é de afluências equivalentes a 193% da média de longo termo (MLT). No Sudeste/Centro-Oeste, onde está concentrada a maior parcela da capacidade de armazenamento do sistema, a previsão é de 105% da MLT. No sentido oposto, as projeções apontam condições hidrológicas menos favoráveis no Nordeste e no Norte, com afluências estimadas em 61% e 43% da média histórica, respectivamente.
Reservatórios devem recuar no Sudeste/Centro-Oeste
Mesmo com as perspectivas favoráveis de afluências no Sul e no Sudeste/Centro-Oeste, o ONS prevê uma leve redução do armazenamento no principal subsistema hidrelétrico do país.
O nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, que estava em 57,4% da capacidade, deve encerrar outubro em 55,6%. A projeção indica que a entrada de água esperada ao longo do mês não será suficiente para impedir uma redução moderada do armazenamento diante das condições previstas de operação.
A evolução dos reservatórios é acompanhada no PMO em conjunto com as previsões de Energia Natural Afluente (ENA), variável utilizada para estimar a energia que pode ser produzida a partir das vazões que chegam aos reservatórios. O documento do ONS ressalta que os cenários de afluência são utilizados para avaliar os efeitos das precipitações sobre as afluências e os armazenamentos dos subsistemas.
Carga deve crescer 3,6%
Do lado da demanda, o ONS estima crescimento de 3,6% da carga de energia elétrica em outubro, na comparação com o mesmo mês de 2025. A carga média projetada para o Sistema Interligado Nacional (SIN) é de 85.274 MWmed.
O avanço da demanda ocorre em paralelo a um cenário hidrológico bastante distinto entre os subsistemas. Essa combinação será considerada pelo operador na programação da geração e na gestão dos recursos armazenados ao longo do mês.
O PMO também incorpora a previsão de carga com micro e minigeração distribuída (MMGD), componente que passou a integrar a estimativa de carga utilizada pelo ONS.
Despacho térmico segue concentrado na inflexibilidade
Para a primeira semana operativa de outubro, o PMO prevê 7.590 MWmed de despacho térmico total, dos quais 7.083 MWmed correspondem à geração por inflexibilidade. Outros 507 MWmed aparecem como despacho por ordem de mérito, concentrados no subsistema Norte. No Sudeste/Centro-Oeste, o despacho térmico total previsto é de 3.610 MWmed, enquanto o Sul soma 1.308 MWmed. Nordeste e Norte aparecem com 120 MWmed e 2.552 MWmed, respectivamente.
O ONS estima custo de operação de R$ 625,2 milhões para a semana operativa de 26 de setembro a 2 de outubro. Para as semanas seguintes de outubro, a média do custo de operação esperado é de R$ 269,5 milhões por semana. O próprio operador ressalta que esses valores são informativos e podem mudar conforme os resultados do DESSEM e as condições de operação.



