América Latina amplia sua matriz energética e eleva o desafio tecnológico 

Por Rodrigo Cabot, Gerente de Desenvolvimento de Negócios, Alianças e Estratégia Tecnológica da Ecosistemas Global

Tratar a transição energética apenas como uma mudança de fontes já não é suficiente. Petróleo e gás, renováveis, biocombustíveis, armazenamento e novas redes avançam simultaneamente, tornando o sistema mais diversificado, distribuído e conectado, assim, aumentando também sua complexidade tecnológica.

A dimensão desse movimento aparece nos investimentos. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a indústria mundial de energia deve investir cerca de US$ 3,4 trilhões em 2026, um novo recorde. Desse total, aproximadamente US$ 2,2 trilhões serão destinados a tecnologias de energia limpa, enquanto cerca de US$ 1,2 trilhão irá para petróleo, gás natural e carvão.

Na América Latina, essa transformação assume diferentes formas. No Brasil, a IEA projeta crescimento de cerca de 30% na demanda por biocombustíveis até 2030 e estima que o país responderá por aproximadamente 40% do crescimento mundial da demanda por biocombustíveis líquidos para o transporte rodoviário no período analisado.

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Na Argentina, Vaca Muerta, uma das principais áreas de exploração de petróleo e gás não convencionais do país, mostra outra frente dessa expansão. Em julho de 2026, a região produziu 643,1 mil barris de petróleo por dia, 26,4% a mais que um ano antes, enquanto a produção de gás chegou a 96,5 milhões de metros cúbicos diários. O Chile, por sua vez, amplia a participação das fontes renováveis e do armazenamento em seu sistema elétrico, enquanto o México mantém operações energéticas de grande escala.

São movimentos distintos, mas todos ampliam a quantidade de ativos, sistemas, dados e infraestrutura que precisam operar de forma coordenada. Uma experiência operacional no México ajuda a traduzir essa relação. Em uma companhia internacional de óleo e gás, com infraestrutura distribuída entre unidades operacionais e escritórios, o suporte tecnológico combina atendimento presencial e remoto, gestão estruturada de incidentes e cumprimento de níveis de serviço. Nesse tipo de ambiente, indicadores tradicionalmente associados à TI passam a refletir diretamente a capacidade de manter a operação funcionando.

No conjunto de serviços de suporte tecnológico que acompanhei, são gerenciados mais de 17 mil chamados por mês, com 96,8% de resolução efetiva e 92,3% de cumprimento dos acordos de nível de serviço (SLA). Mais do que medir desempenho técnico, esses indicadores estão relacionados à disponibilidade, ao tempo de resposta e à continuidade operacional.

Além disso, sistemas conectados, sensores, infraestrutura distribuída e maior circulação de informações ampliam também a superfície que precisa ser protegida. Segundo a IEA, os ataques cibernéticos contra empresas de serviços públicos de energia triplicaram nos últimos quatro anos, ao mesmo tempo que se tornaram mais sofisticados.

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Por isso, inovação, continuidade e segurança já não podem ser tratadas separadamente. Uma solução que aumenta a eficiência, mas cria vulnerabilidades ou dependências difíceis de administrar, pode transformar um ganho tecnológico em risco operacional. A expansão do setor energético não acrescenta apenas capacidade de geração ou produção. Cada nova planta, parque, poço, rede ou ativo conectado incorpora também sistemas, informações e novas decisões à operação.

Para os líderes do setor, isso exige uma estratégia menos orientada à quantidade de ferramentas e mais à capacidade de integrá-las ao negócio. Automatizar onde houver benefício concreto, transformar dados em decisões, aplicar inteligência artificial (IA) com objetivos definidos e preservar a continuidade da operação passam a fazer parte da mesma agenda.

Em um mercado cada vez mais conectado e complexo, a diferença não estará em simplesmente adotar mais tecnologia, mas em conseguir fazê-la acompanhar a expansão do negócio com segurança, integração e resiliência.

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