Acordo de cooperação técnica busca modernizar sistemas usados na programação da operação, despacho e formação de preços diante da maior complexidade do sistema elétrico
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) firmaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para aprimorar as ferramentas computacionais utilizadas na operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). A iniciativa tem como um dos objetivos preparar a migração da cadeia de programação, despacho e formação de preços para soluções baseadas em código aberto.
O acordo aproxima a pesquisa desenvolvida pelo Cepel das necessidades operacionais do ONS e prevê a evolução dos sistemas empregados na programação diária da operação. A estratégia ocorre em um momento de aumento da complexidade do SIN, com maior participação de fontes variáveis e necessidade de ampliar a flexibilidade dos modelos de otimização energética.
Programação da operação entra no foco da modernização
A programação diária exige ferramentas capazes de processar um conjunto crescente de variáveis para definir a operação do sistema. A expansão de fontes eólica e solar, combinada à necessidade de maior flexibilidade dos recursos de geração, aumenta a demanda por modelos computacionais capazes de responder a diferentes condições operativas.
Nesse contexto, a cooperação pretende estruturar uma trajetória tecnológica para soluções abertas. A adoção de código aberto pode ampliar a capacidade de adaptação dos sistemas, facilitar o desenvolvimento colaborativo e dar maior transparência à evolução dos modelos utilizados pelo setor.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, destaca que a iniciativa busca combinar inovação tecnológica com as necessidades da operação do sistema elétrico: “A cooperação entre ONS e Cepel reforça o compromisso das instituições com a inovação, a evolução tecnológica e o desenvolvimento de soluções cada vez mais eficientes, transparentes e flexíveis para apoiar a operação do Sistema Elétrico Brasileiro.”
Pesquisa e operação mais próximas
O ACT também amplia o intercâmbio de conhecimento entre as duas instituições. A aproximação permite conectar a capacidade de pesquisa e desenvolvimento do Cepel às demandas identificadas pelo operador na gestão do SIN. Além da modernização dos algoritmos e das ferramentas de programação, a evolução da infraestrutura computacional ganha relevância diante dos requisitos de confiabilidade e segurança associados a um sistema elétrico mais digitalizado.
Para o diretor-geral do Cepel, Alexandre Orth, a parceria mantém uma trajetória de cooperação entre as instituições e responde à evolução das exigências operacionais: “Este acordo reforça a nossa parceria histórica com o ONS, desenvolvendo soluções inovadoras para uma operação segura, resiliente e confiável para responder aos desafios de um sistema cada vez mais complexo e dinâmico.”
Código aberto como vetor de evolução tecnológica
A migração para soluções open source representa uma mudança na base tecnológica das ferramentas utilizadas em etapas críticas da operação e da formação de preços. O modelo permite trabalhar com plataformas cujo desenvolvimento e aprimoramento podem ser adaptados às necessidades específicas do setor elétrico.
Para o SIN, o desafio é conciliar essa abertura tecnológica com requisitos elevados de desempenho, rastreabilidade, segurança e confiabilidade. A evolução das ferramentas precisa acompanhar tanto a expansão da geração renovável variável quanto a necessidade de respostas computacionais mais rápidas e flexíveis.
O acordo entre ONS e Cepel estabelece, assim, uma frente de desenvolvimento tecnológico voltada à infraestrutura computacional que sustenta decisões relevantes para a operação do sistema e para o funcionamento do mercado de energia.



