Com mais de 3 GW em energia solar instalada e R$ 10 bilhões captados, companhia expande portfólio para o varejo de eletricidade, Battery-as-a-Service e frotas eletrificadas.
A Solfácil anunciou uma expansão estrutural em seu modelo de negócios com o objetivo de consolidar sua posição na matriz elétrica nacional ao longo da próxima década. A plataforma, que já viabilizou mais de 3 gigawatts de energia solar distribuída em telhados e atende mais de 300 mil clientes, reporta faturamento anual de aproximadamente R$ 2 bilhões, operação lucrativa estruturada e um volume superior a R$ 10 bilhões captados junto a investidores institucionais como SoftBank, QED Investors e Valor Capital Group desde sua rodada Série C em 2021.
O avanço estratégico posiciona a companhia para atuar de forma integrada em três novos frentes: comercialização de energia no ambiente de varejo, soluções de armazenamento via baterias no modelo Battery-as-a-Service (BaaS) e linhas de financiamento voltadas a veículos elétricos. Entre 2021 e 2025, a empresa figurou entre as maiores contribuidoras de capacidade de geração adicionada à rede nacional, equiparando-se em volume a geradores convencionais de grande porte.
Transição de modelo e gestão inteligente da demanda
A guinada operacional ocorre em um cenário no qual o mercado brasileiro consome cerca de 750 terawatts-hora anualmente, superando economias como Alemanha e Reino Unido, e contabiliza mais de 45 gigawatts de capacidade solar distribuída instalada. A expansão busca responder aos desafios de volatilidade regulatória e de preços no setor.
A visão estratégica da liderança executiva sobre esse novo momento do mercado elétrico foi sintetizada pelo fundador e CEO da Solfácil, Fabio Carrara: “Há sete anos, a oportunidade no Brasil era dar ao consumidor a capacidade de gerar sua própria eletricidade. Ajudamos a construir a infraestrutura e a rede de distribuição que tornaram isso possível em escala. A próxima oportunidade é igualmente relevante: ajudar o cliente a decidir quando consumir eletricidade, quando armazená-la e, no fim, como comprá-la, garantindo que seja sempre o melhor negócio disponível, com a tecnologia e os dados para operar tudo como um único sistema conectado.”
Para mitigar os impactos da volatilidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que chega a oscilar até 30 vezes em um único dia, variando de R$ 40 a R$ 1.500 por megawatt-hora, a companhia introduz no mercado nacional o modelo Battery-as-a-Service (BaaS). Direcionada inicialmente a consumidores comerciais e industriais conectados à média tensão, a solução unifica o fornecimento de equipamentos, captação financeira, operação e manutenção em um contrato unificado, permitindo armazenar eletricidade nos horários de baixa tarifa para uso nos picos de demanda ou como suprimento de contingência.
Mobilidade elétrica e comercialização varejista
A estratégia de eficiência financeira da plataforma também contempla a transição energética do setor de transportes, com foco inicial em motoristas de aplicativo e entregadores de encomendas. O modelo de financiamento para veículos elétricos projeta o alcance do ponto de equilíbrio (payback) em um horizonte de quatro a cinco anos, sustentado exclusivamente pela economia gerada no consumo de combustíveis fósseis. Como diferencial técnico, os acumuladores dos veículos passam a integrar o ecossistema como ativos energéticos descentralizados, capazes de devolver eletricidade à rede.
As frentes de geração, armazenamento e mobilidade são integradas à comercialização varejista de energia, segmento de média tensão já desregulado e com expectativa de abertura total para a baixa tensão residencial nos próximos dois anos. Com a infraestrutura centralizada pela plataforma proprietária Smart, que emprega hardwares de IoT, medição inteligente e inteligência artificial para monitoramento em tempo real, a empresa assume a gestão unificada da fatura do consumidor.
A convergência dessas soluções tecnológicas e comerciais foi destacada pelo CEO da companhia: “Gerar energia deixou de ser o problema no Brasil, o desafio agora é o timing. A bateria decide quando você usa a sua energia, e a comercialização no varejo define quanto você paga pelo restante. O cliente precisa das duas coisas, e ninguém oferecia isso junto. Agora, a Solfácil oferece.”
Com projeções de que até metade da capacidade elétrica do país seja gerada e armazenada de forma descentralizada nos próximos dez anos, a empresa reforça o direcionamento de seu ecossistema para o consumidor final, conforme apontado por Fabio Carrara: “Nosso primeiro capítulo foi colocar a geração de energia nas mãos do consumidor brasileiro. Nosso próximo capítulo é dar a ele controle sobre essa energia: como ele a gera, como a armazena e como a compra. Acreditamos que a empresa de energia do futuro no Brasil será construída em torno do cliente, e não de uma usina centralizada, e essa é a empresa que pretendemos construir na próxima década.”



