Volume de transações atinge 18 negócios entre janeiro e junho, somando mais de R$ 20 bilhões, com destaque para operações cross-border e transações de grande porte como a aquisição da Raízen Argentina.
O mercado de fusões e aquisições (M&A) no setor de óleo e gás brasileiro registrou retração de 48,6% no volume de transações durante os primeiros seis meses de 2026. Segundo levantamento divulgado pela KPMG, foram contabilizados 18 negócios formalizados entre janeiro e junho, frente às 35 operações fechadas em igual período de 2025. Em termos financeiros, o montante negociado no primeiro semestre superou a marca de R$ 20 bilhões, patamar inferior aos R$ 35 bilhões movimentados no ciclo anterior.
A dinâmica da atividade corporativa no período evidenciou uma participação reduzida de fundos de investimento financeiros, com apenas uma operação atribuída a fundos de private equity e venture capital. O cenário reflete uma reavaliação de portfólios pelas grandes corporações energéticas e maior rigor na alocação de capital.
Seletividade de mercado e foco em ativos resilientes
A desaceleração no número de transações não anula o apetite por ativos estratégicos, mas demonstra uma postura mais cautelosa por parte dos investidores e compradores corporativos diante de incertezas macroeconômicas e do custo de capital.
O perfil de exigência técnica e financeira do mercado foi avaliado pelo sócio da KPMG, Paulo Guilherme Coimbra: “Os dados do primeiro semestre mostram um movimento de maior seletividade no mercado de Óleo e Gás. Nesse contexto, ativos de qualidade, com fundamentos sólidos, eficiência operacional e perspectivas claras de geração de valor tendem a concentrar o interesse dos investidores. Os segmentos de distribuição de combustível, responsável pelo maior volume transacionado no 2T26 e exploração de petróleo, deve motivar novas transações ao longo dos próximos ciclos.”
Predominância de operações cross-border e transações de destaque
No recorte por tipologia societária, as negociações internacionais ganharam espaço. Das 18 operações concretizadas no primeiro semestre de 2026, 11 foram do tipo cross-border, envolvendo companhias com sedes em países diferentes, enquanto sete negócios tiveram caráter estritamente doméstico.
O volume financeiro consolidado foi sustentado por movimentações de grande escala no mercado sul-americano e na bacia sedimentar brasileira. Entre os principais negócios que marcaram o período destacam-se a aquisição da Raízen Argentina pela Mercuria, transação avaliada em R$ 7,2 bilhões, e a compra integral da participação remanescente no Campo de Argonauta, na Bacia de Campos, realizada pela Petrobras junto à Shell, ONGC e Brava Energia, em um contrato de R$ 1,4 bilhão.


