GRIDVortex Challenge destinará recursos e base de dados real para desenvolvimento de algoritmos e inteligência artificial voltados à gestão de CAPEX e OPEX frente ao avanço de recursos distribuídos.
Com o objetivo de aprimorar a alocação de capital e elevar a eficiência operacional na rede que atende a mais de 9 milhões de clientes em 11 estados, o Grupo Energisa abriu edital de inovação voltado à modernização do planejamento de suas concessionárias de distribuição. O programa, batizado de GRIDVortex Challenge, busca captar soluções baseadas em análise de dados, inteligência artificial e otimização do dispêndio total (TOTEX — combinação de CAPEX e OPEX). As inscrições ficam abertas até o dia 2 de outubro.
A iniciativa, com duração de quatro meses, pretende responder aos desafios trazidos pela descentralização do sistema elétrico. O avanço da geração distribuída (GD), o armazenamento em baterias (BESS) e a eletromobilidade alteraram a dinâmica de carga tradicional, exigindo decisões de investimento mais adaptáveis diante de variações locacionais e de eventos climáticos extremos.
Quatro eixos estratégicos para gerenciar a incerteza operativa
A chamada pública está dividida em quatro frentes de desenvolvimento tecnológico aplicadas à infraestrutura elétrica:
- Forecast e Projeção de Demanda: Modelagem para antecipar o crescimento e a dispersão territorial do consumo de energia.
- Diagnóstico Integrado e Análise de Alternativas: Identificação preditiva de gargalos e comparação de soluções técnicas na rede.
- Otimização de TOTEX: Modelos matemáticos para priorização de aportes sob restrição orçamentária, equilibrando investimentos em expansão e custos de manutenção.
- Execução e Aprendizado: Acompanhamento do ciclo de vida dos projetos para retroalimentação de novos ciclos regulatórios e operacionais.
As transformações decorrentes das novas tecnologias e da taxa de juros exigem uma mudança estrutural no planejamento de ativos físicos. Ao analisar os determinantes econômicos e operacionais que pressionam as distribuidoras, a diretora de Inovação da Energisa, Letícia Dantas, pontua as variáveis que alteraram a equação do setor: “O setor elétrico sempre foi intensivo em ativos físicos. Planejamos, projetamos a demanda e construímos infraestrutura. Mas algumas premissas dessa equação estão mudando. O capital está mais caro, a demanda é mais difícil de prever e os preços já não representam necessariamente as realidades locacionais. Geração distribuída, baterias, veículos elétricos e flexibilidade começam a mudar a dinâmica da rede. E eventos climáticos extremos adicionam uma nova camada de incerteza.”
Inclusão de “non-wires alternatives” e aporte de até R$ 50 mil por projeto
O programa prevê a avaliação conjunta de obras tradicionais de ampliação e de alternativas não físicas (non-wires alternatives), tais como resposta da demanda, serviços anancilares e flexibilidade operacional. O modelo considera ainda a aplicação da teoria de opções reais para decidir entre postergar, expandir ou alterar o direcionamento de investimentos na malha elétrica.
Sobre a necessidade de adotar metodologias flexíveis de tomada de decisão frente à volatilidade da matriz, a diretora de Inovação da Energisa complementa a tese que norteia a chamada aberta: “A evolução do planejamento talvez não esteja simplesmente em prever melhor o futuro, mas em tomar melhores decisões mesmo sem saber exatamente qual futuro vai acontecer. É essa provocação que está por trás do GRIDVortex. Queremos colocar na mesma mesa o CAPEX tradicional e alternativas como BESS, flexibilidade e outras non-wires alternatives, incorporando inclusive a lógica de opções reais: investir, esperar, testar, expandir ou mudar de rota.”
As propostas selecionadas por uma banca técnica do grupo receberão dados reais da operação (devidamente tratados e mascarados) e até R$ 50 mil em financiamento para a fase de testes. Os projetos desenvolvidos entre setembro e janeiro passarão por um Demoday, no qual as soluções com maior aderência técnica poderão evoluir para negociação de contratos comerciais de implantação nas concessionárias da holding.



