Rosatom projeta receita de US$ 43,2 bilhões em 2026 e mantém plano bilionário de investimentos em energia nuclear

Companhia prevê investir mais de US$ 11,4 bilhões no próximo ano, ampliar projetos nucleares na Rússia e expandir operações logísticas e tecnológicas no mercado internacional.

A Rosatom projeta alcançar uma receita consolidada de aproximadamente US$ 43,2 bilhões em 2026, sustentada pela expansão de seus negócios nucleares, tecnológicos e logísticos, além do crescimento das operações internacionais. A estatal russa também pretende manter um robusto programa de investimentos superior a US$ 11,4 bilhões no próximo ano, mesmo em um cenário de maior seletividade na alocação de capital.

As projeções foram apresentadas pelo diretor-geral da companhia, Alexey Likhachev, durante reunião com funcionários da administração central da corporação.

Em 2025, a receita da parcela aberta das operações da Rosatom alcançou cerca de US$ 42,3 bilhões, enquanto a expectativa é ampliar esse montante nos próximos anos. O planejamento estratégico prevê que a receita consolidada da empresa atinja aproximadamente US$ 50,8 bilhões até 2028.

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Parte relevante desse crescimento deverá ser impulsionada pelos chamados “novos produtos”, segmento que engloba projetos voltados à soberania tecnológica e negócios não nucleares. A expectativa da companhia é que essa frente gere aproximadamente US$ 20,3 bilhões em receitas até o fim deste ano e alcance cerca de US$ 28 bilhões em 2028.

Companhia aposta em produtividade e redução de custos

O plano de crescimento da Rosatom está associado a uma estratégia de aumento de eficiência operacional. A companhia estabeleceu metas de crescimento anual de 12% em produtividade, avanço de 20% na rentabilidade dos negócios e expansão salarial média de 10% ao ano.

Em paralelo, a empresa pretende reduzir seus custos operacionais em 5% ao longo de 2026. Até 2028, a meta é superar uma redução acumulada de 10% em relação aos níveis registrados em 2025.

Para atingir esses objetivos, a estatal criou um comitê dedicado à eficiência operacional e estruturou programas setoriais voltados à otimização de despesas, com planejamento financeiro de médio prazo.

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Energia nuclear permanece como principal vetor de investimentos

Apesar da revisão de parte de seu portfólio de projetos, a Rosatom manterá um dos maiores programas de investimentos corporativos da Rússia. A estratégia prioriza empreendimentos capazes de oferecer maior retorno financeiro até 2030, preservando os projetos considerados estratégicos para a política energética do país. Em 2025, os investimentos da companhia somaram aproximadamente US$ 21,1 bilhões, ante US$ 18,5 bilhões registrados no ano anterior.

No segmento nuclear, a empresa trabalha atualmente na construção de 18 unidades geradoras distribuídas em nove localidades da Rússia, que representam cerca de metade das novas usinas previstas no planejamento de expansão do sistema elétrico russo. Entre os projetos prioritários está a preparação para o início da concretagem de três empreendimentos em 2027: uma nova usina nuclear na região de Primorye equipada com reatores VVER-1000, uma unidade com o reator rápido BN-1200 na Usina Nuclear de Beloyarsk e a expansão da Usina Nuclear de Smolensk.

Além disso, a companhia conduz estudos para o prolongamento da vida útil das unidades da Usina Nuclear de Kola e prepara a implantação de quatro novos reatores com capacidade individual de 600 MW.

Geração nuclear deverá superar metas em 2026

A Rosatom também projeta um aumento da geração de energia nuclear em 2026. A expectativa é superar a meta estatal de produção de 214 bilhões de kWh no próximo ano, impulsionada pela entrada em operação de uma nova unidade na Usina Nuclear de Kursk, pela redução dos períodos de manutenção e pelo aumento da eficiência operacional do parque gerador.

O desempenho reforça a estratégia do governo russo de ampliar a participação da energia nuclear na matriz elétrica nacional, ao mesmo tempo em que consolida a Rosatom como um dos principais players globais do segmento.

Expansão logística fortalece diversificação dos negócios

Além da energia nuclear, a companhia segue ampliando sua atuação no setor logístico por meio da operação da Rota do Mar do Norte.

Até meados de julho, o corredor marítimo movimentou 18,8 milhões de toneladas de cargas, volume 13,7% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A expectativa da empresa é encerrar o ano com um recorde de aproximadamente 40 milhões de toneladas transportadas.

Desde janeiro, a Rosatom passou a atuar como operadora marítima única do sistema de abastecimento das regiões do norte da Rússia, atendendo atualmente Chukotka, Yakutia e o território de Khabarovsk.

O quebra-gelo nuclear Sibir movimentou mais de 8 milhões de toneladas de petróleo e derivados nas proximidades do porto de Primorsk apenas no início deste ano, além de acompanhar a navegação de 165 embarcações de grande porte.

A expansão logística também inclui o fortalecimento das operações internacionais da FESCO, subsidiária controlada pela Rosatom, que inaugurou novas rotas comerciais para a Arábia Saudita, Tanzânia e Camboja.

A estratégia apresentada pela companhia evidencia uma combinação de disciplina financeira, expansão da geração nuclear e diversificação dos negócios tecnológicos e logísticos. Mesmo diante de restrições econômicas e da necessidade de revisão de investimentos, a estatal mantém a aposta em projetos considerados estruturantes para sustentar seu crescimento até o fim da década.

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