Recuo do reservatório ao fim de julho restringe limite outorgado à Sabesp; transposição a partir da bacia do Paraíba do Sul atuará como mitigação no período seco
O Sistema Cantareira operará sob a Faixa 3 (Alerta) durante todo o mês de agosto, após encerrar julho com 36,67% do volume útil armazenado. A classificação foi confirmada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), em conjunto com a SP Águas, e impõe novas restrições operacionais ao principal sistema de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo.
Com a mudança de faixa, a vazão máxima autorizada para captação da Sabesp passa a ser de 27 metros cúbicos por segundo (m³/s), abaixo do limite de 33 m³/s permitido em condições consideradas normais. A medida busca preservar os estoques do reservatório durante o período seco, marcado pela redução das afluências na região Sudeste. O enquadramento ocorre após o sistema registrar queda em relação ao fim de junho, quando operava com 39,87% do volume útil.
Regra operacional busca preservar reservatórios
O modelo de operação por faixas foi adotado após a crise hídrica de 2014/2015 para estabelecer regras objetivas de gestão do Sistema Cantareira conforme a evolução dos níveis de armazenamento. Na Faixa 3, as restrições de retirada tornam-se mais rigorosas para reduzir a pressão sobre os reservatórios até a chegada do próximo período chuvoso.
A redução da captação não significa interrupção do abastecimento, mas exige maior controle operacional e utilização de fontes complementares para garantir a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo e dos municípios atendidos pelas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).
Transposição da UHE Jaguari reforçará abastecimento
Para compensar a menor retirada de água do Cantareira, a operação continuará utilizando a infraestrutura de integração entre bacias. A Sabesp poderá recorrer à vazão proveniente do reservatório da UHE Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, observando os limites estabelecidos na outorga.
O mecanismo reduz a pressão sobre os reservatórios do Cantareira e amplia a flexibilidade operacional do sistema durante o período de estiagem, contribuindo para manter o abastecimento tanto da capital paulista quanto dos municípios do interior dependentes das bacias PCJ.
ANA reforça gestão da demanda durante o período seco
Com o avanço da estiagem típica do inverno, ANA e SP Águas também reforçaram a necessidade de intensificar ações voltadas à gestão da demanda. Entre as medidas recomendadas estão a redução de perdas nos sistemas de distribuição, o uso racional da água e o acompanhamento permanente dos níveis dos reservatórios e das vazões afluentes.
O monitoramento é realizado diariamente pelos órgãos gestores e orienta eventuais ajustes operacionais ao longo do mês, conforme a evolução das condições hidrológicas. A expectativa é preservar os estoques estratégicos do Sistema Cantareira até o início do próximo ciclo de chuvas, reduzindo o risco de comprometimento do abastecimento nos meses seguintes.


